Exportações de soja disparam em março de 2026

Volume cresce com colheita, mas preços caem; relatório do Imea aponta alta no algodão e recuo no milho

14.04.2026 | 17:07 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

As exportações brasileiras de soja avançaram no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas pela maior oferta decorrente da colheita recorde. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o país embarcou 23,46 milhões de toneladas no período, alta de 5,93% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Somente em março, os envios somaram 14,52 milhões de toneladas — crescimento de 105,29% frente a fevereiro, refletindo a sazonalidade típica da colheita. Apesar do forte volume, a demanda chinesa recuou: o país asiático importou 9,97 milhões de toneladas no mês, queda de 10,39% na comparação anual, influenciada, entre outros fatores, pela suspensão de embarques por algumas tradings.

Principal estado produtor, Mato Grosso ampliou em 4,39% seus embarques no trimestre, totalizando 4,84 milhões de toneladas. O desempenho foi sustentado pela safra recorde, que elevou a disponibilidade interna e acelerou o escoamento. A China segue como principal destino, seguida por Espanha e Turquia.

Apesar do ritmo positivo nas exportações, o mercado interno enfrenta pressão. O aumento da oferta tem impactado os preços, com o indicador Cepea registrando queda semanal de 0,42%, para R$ 127,93 por saca. Em Mato Grosso, a cotação média em março ficou em R$ 105,54/sc, recuo de 1,53% ante fevereiro.

A comercialização da safra 2025/26 no estado já alcança 63,31% da produção prevista, avanço mensal de 6,73 pontos percentuais. Ainda assim, o ritmo de negócios segue contido pela volatilidade dos preços, com produtores mais cautelosos e priorizando contratos já firmados anteriormente.

No mercado futuro, a soja apresentou leve valorização em Chicago, com o contrato para março de 2027 cotado a US$ 11,60 por bushel, alta de 0,26% na semana.

Milho tem preços em queda 

No mercado de milho, o cenário é de pressão sobre os preços, mesmo com avanço na comercialização. Em Mato Grosso, 98,99% da safra 2024/25 já foi negociada até o fim de março, enquanto a safra 2025/26 atingiu 40,76% de vendas.

Os preços médios registraram queda: R$ 45,25/sc para a safra atual e R$ 44,65/sc para a próxima, refletindo o travamento antecipado de negócios e a expectativa de maior oferta com a colheita.

No cenário externo, a cotação do milho recuou na bolsa de Chicago, influenciada pelo bom andamento do plantio nos Estados Unidos e pela perspectiva de safra cheia. No Brasil, a desvalorização do dólar também reduziu a competitividade das exportações.

Ainda assim, os embarques ganharam tração em março. O Brasil exportou 981,14 mil toneladas, alta de 12,68% na comparação anual, com destaque para a região Sul. O Rio Grande do Sul liderou o avanço, com crescimento de 28,21%, seguido pelo Paraná, com alta de 10,11%.

Mato Grosso, por outro lado, registrou retração de 55,61% nos embarques mensais, reflexo da entressafra. No acumulado da temporada, no entanto, o estado mantém protagonismo, respondendo por 72,96% das exportações brasileiras.

Algodão registra alta de preços

Diferentemente da soja e do milho, o mercado de algodão apresenta cenário mais favorável aos preços. Em março, a pluma registrou valorização nas principais referências, impulsionada pelo cenário internacional e pela alta do petróleo, que aumenta a competitividade frente às fibras sintéticas.

O preço médio da safra 2024/25 ficou em R$ 121,61 por arroba, alta de 4,27% no mês. Para a safra 2025/26, a valorização foi ainda maior, de 5,50%, com média de R$ 128,54/@.

A comercialização também avançou, atingindo 92,10% da produção da safra atual e 65,60% da próxima. Ainda assim, o ritmo dos negócios segue condicionado às margens mais apertadas enfrentadas pelos produtores.

No comércio exterior, Mato Grosso registrou um marco histórico: exportou 219,76 mil toneladas em março, o maior volume já registrado para o mês. Com isso, o acumulado da safra 2024/25 chegou a 1,38 milhão de toneladas, superando o ciclo anterior e consolidando o maior volume da série histórica para o período.

O estado responde por 59,04% das exportações brasileiras de algodão e, com quatro meses restantes para o fim da temporada, a expectativa é de novo recorde anual — o terceiro consecutivo.

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