Prodes passa a ser critério para acesso ao crédito rural
Resolução do CMN nº 5.268/2025 entrou em vigor no último dia 1º de abril
As exportações brasileiras de soja avançaram no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas pela maior oferta decorrente da colheita recorde. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o país embarcou 23,46 milhões de toneladas no período, alta de 5,93% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
Somente em março, os envios somaram 14,52 milhões de toneladas — crescimento de 105,29% frente a fevereiro, refletindo a sazonalidade típica da colheita. Apesar do forte volume, a demanda chinesa recuou: o país asiático importou 9,97 milhões de toneladas no mês, queda de 10,39% na comparação anual, influenciada, entre outros fatores, pela suspensão de embarques por algumas tradings.
Principal estado produtor, Mato Grosso ampliou em 4,39% seus embarques no trimestre, totalizando 4,84 milhões de toneladas. O desempenho foi sustentado pela safra recorde, que elevou a disponibilidade interna e acelerou o escoamento. A China segue como principal destino, seguida por Espanha e Turquia.
Apesar do ritmo positivo nas exportações, o mercado interno enfrenta pressão. O aumento da oferta tem impactado os preços, com o indicador Cepea registrando queda semanal de 0,42%, para R$ 127,93 por saca. Em Mato Grosso, a cotação média em março ficou em R$ 105,54/sc, recuo de 1,53% ante fevereiro.
A comercialização da safra 2025/26 no estado já alcança 63,31% da produção prevista, avanço mensal de 6,73 pontos percentuais. Ainda assim, o ritmo de negócios segue contido pela volatilidade dos preços, com produtores mais cautelosos e priorizando contratos já firmados anteriormente.
No mercado futuro, a soja apresentou leve valorização em Chicago, com o contrato para março de 2027 cotado a US$ 11,60 por bushel, alta de 0,26% na semana.
No mercado de milho, o cenário é de pressão sobre os preços, mesmo com avanço na comercialização. Em Mato Grosso, 98,99% da safra 2024/25 já foi negociada até o fim de março, enquanto a safra 2025/26 atingiu 40,76% de vendas.
Os preços médios registraram queda: R$ 45,25/sc para a safra atual e R$ 44,65/sc para a próxima, refletindo o travamento antecipado de negócios e a expectativa de maior oferta com a colheita.
No cenário externo, a cotação do milho recuou na bolsa de Chicago, influenciada pelo bom andamento do plantio nos Estados Unidos e pela perspectiva de safra cheia. No Brasil, a desvalorização do dólar também reduziu a competitividade das exportações.
Ainda assim, os embarques ganharam tração em março. O Brasil exportou 981,14 mil toneladas, alta de 12,68% na comparação anual, com destaque para a região Sul. O Rio Grande do Sul liderou o avanço, com crescimento de 28,21%, seguido pelo Paraná, com alta de 10,11%.
Mato Grosso, por outro lado, registrou retração de 55,61% nos embarques mensais, reflexo da entressafra. No acumulado da temporada, no entanto, o estado mantém protagonismo, respondendo por 72,96% das exportações brasileiras.
Diferentemente da soja e do milho, o mercado de algodão apresenta cenário mais favorável aos preços. Em março, a pluma registrou valorização nas principais referências, impulsionada pelo cenário internacional e pela alta do petróleo, que aumenta a competitividade frente às fibras sintéticas.
O preço médio da safra 2024/25 ficou em R$ 121,61 por arroba, alta de 4,27% no mês. Para a safra 2025/26, a valorização foi ainda maior, de 5,50%, com média de R$ 128,54/@.
A comercialização também avançou, atingindo 92,10% da produção da safra atual e 65,60% da próxima. Ainda assim, o ritmo dos negócios segue condicionado às margens mais apertadas enfrentadas pelos produtores.
No comércio exterior, Mato Grosso registrou um marco histórico: exportou 219,76 mil toneladas em março, o maior volume já registrado para o mês. Com isso, o acumulado da safra 2024/25 chegou a 1,38 milhão de toneladas, superando o ciclo anterior e consolidando o maior volume da série histórica para o período.
O estado responde por 59,04% das exportações brasileiras de algodão e, com quatro meses restantes para o fim da temporada, a expectativa é de novo recorde anual — o terceiro consecutivo.
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