Expocacer lança mapeamento para cafés especiais 2026

Ferramenta gratuita auxilia cooperados na avaliação de lotes e na agregação de valor à produção

16.06.2026 | 14:27 (UTC -3)
Anna Lívia Leal, edição Revista Cultivar
Matheus Narcizo, mestre de torra e Q-Grader da Expocacer durante mapeamento de qualidade de cafés
Matheus Narcizo, mestre de torra e Q-Grader da Expocacer durante mapeamento de qualidade de cafés

A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) disponibilizou o serviço de Mapeamento de Qualidade 2026, iniciativa voltada aos cooperados que buscam ampliar a competitividade no mercado de cafés especiais. A ferramenta auxilia na identificação do potencial dos lotes e oferece suporte para decisões relacionadas ao pós-colheita, segmentação e comercialização da produção.

A iniciativa chega em um cenário de expansão do segmento. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo nacional de café alcançou 21,4 milhões de sacas em 2025. Apesar da retração de 2,31% no volume consumido, influenciada pela alta dos preços, os cafés especiais registraram crescimento de 25,6% no faturamento, enquanto o preço médio da categoria avançou 4,3%.

Oferecido gratuitamente aos cooperados, o programa reforça a estratégia da Expocacer de valorização dos cafés produzidos no Cerrado Mineiro, primeira região cafeeira do Brasil a conquistar o reconhecimento de Denominação de Origem.

Nova metodologia amplia avaliação dos lotes

A principal novidade para 2026 é a adoção do protocolo Coffee Value Assessment (CVA), desenvolvido pela Specialty Coffee Association (SCA). A metodologia amplia a análise dos cafés ao considerar não apenas atributos sensoriais, mas também fatores ligados à sustentabilidade, rastreabilidade e percepção de valor do produto.

Com isso, os produtores passam a contar com informações mais detalhadas para direcionar processos como fermentação, secagem e separação de lotes, além de atender às exigências de mercados que valorizam cafés com origem definida e práticas sustentáveis.

Segundo a cafeicultora Ivânia Nunes, o mapeamento permite compreender melhor as características dos cafés produzidos em cada área da propriedade. “Com base nos dados gerados pelo mapeamento, conseguimos identificar quais lotes têm potencial para a produção de cafés especiais e quais áreas demandam maior atenção na gestão ao longo do ano”, explica.

Ferramenta integra qualidade e estratégia comercial

De acordo com a cooperativa, o programa reúne equipes técnicas, Q-Graders e especialistas de mercado para fornecer uma visão abrangente da produção, desde o campo até a comercialização.

O acompanhamento permite identificar diferenças de qualidade dentro da própria lavoura, influenciadas por fatores como microclima e manejo, contribuindo para uma separação mais precisa dos lotes e maior valorização dos cafés especiais. “Por meio do mapeamento, o produtor consegue evitar perdas, preservar a qualidade e aumentar o valor agregado dos seus cafés”, afirma Matheus Narcizzo, Q-Grader e mestre de torra da Expocacer.

Durante o processo, os cooperados participam das sessões de prova e recebem orientações técnicas sobre os resultados obtidos, ampliando o conhecimento sobre a produção e apoiando o planejamento das safras seguintes.

O serviço contempla a análise de até cinco amostras por produtor, mediante agendamento. Os atendimentos são realizados na sede da cooperativa, em Patrocínio (MG), às terças e quintas-feiras, a partir das 15 horas, e também na unidade de Patos de Minas (MG), conforme a demanda.

Para a cafeicultora Elesandra Beloni, o trabalho contribui para transformar informações técnicas em oportunidades de melhoria da produção. “O mapeamento nos ajuda a entender o desempenho de cada área da fazenda e direcionar estratégias para produzir cafés cada vez melhores”, afirma. 

Demanda global favorece cafés de origem

A valorização dos cafés especiais acompanha uma tendência observada em diferentes mercados. Projeções do setor indicam que esse segmento poderá movimentar US$ 152,7 bilhões até 2030, impulsionado pela busca por produtos com origem rastreável e padrões mais rigorosos de qualidade.

Nesse contexto, a Expocacer avalia que a integração entre análise sensorial, tecnologia e inteligência de mercado fortalece o posicionamento dos cafés do Cerrado Mineiro no mercado internacional. “A iniciativa contribui para evidenciar a excelência dos cafés produzidos pelos cooperados, agregando valor ao produto e ampliando oportunidades comerciais”, afirma Sandra Moraes, gerente comercial de cafés especiais da cooperativa.

Com a edição 2026 do programa, a Expocacer busca ampliar o acesso dos produtores a informações estratégicas para a produção de cafés especiais e para a valorização da origem Cerrado Mineiro nos mercados nacional e internacional.

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