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Estratégias corretas para controle de pragas na batata

26/08/2020 | Cultivar Hortaliças e Frutas
Mosca-branca, tripes e pulgões estão entre os insetos vilões que sugam a seiva, transmitem viroses e afetam negativamente a produtividade da cultura da batata.

A batata, assim como a maioria das culturas, é suscetível ao ataque de insetos-pragas que causam prejuízos significativos na safra e provocam danos ao produto final a ser comercializado. A intensidade da infestação depende de muitos fatores, como época de plantio de acordo com a estação do ano, monocultura, uso inadequado de inseticidas, resistência da praga, entre outros.

Na cultura da batata, as pragas acarretam prejuízos direta e indiretamente. No dano direto, como o próprio nome já sugere, as pragas atacam diretamente os tubérculos com o broqueamento, reduzindo a qualidade da batata. Além disso, podem infestar a parte aérea e se alimentar das folhas, ocasionando redução da área fotossintética. Já os danos indiretos na planta se dão devido à ocorrência de doenças provocadas por fungos, bactérias e vírus, comprometendo a produção e a qualidade da safra. Dentre esses insetos que causam danos na batata, há sugadores que são verdadeiros vilões na cultura, uma vez que causam inúmeros problemas. Há como principais insetos sugadores a mosca-branca, a Bemisia tabaci; os tripes, como Thrips tabaci e Thrips palmi; e o pulgão, Myzus persicae.

A mosca-branca é um inseto-praga comumente encontrado em várias culturas, como feijão, algodão, hortaliças e, principalmente, em batata. Essa praga é caracterizada como mosca-branca, porém não pertence ao grupo das moscas, mas recebe este nome porque apresenta, na sua fase adulta, corpo com coloração amarela e quatro asas contendo uma pulverulência branca. Entretanto, a B. tabaci possui aspectos diferentes nos seus estágios de crescimento. Na fase de ovo, possui um formato arredondado com cor amarela; na de ninfa, um caráter translúcido e com essa mesma coloração. Geralmente, todas essas fases são encontradas na parte de baixo da folha. O ciclo de vida da mosca-branca varia entre 15 dias e 21 dias, diretamente relacionado com a temperatura (quanto mais quente, mais rápido é o desenvolvimento) e, assim, completa o seu ciclo de vida em menor intervalo de tempo.

Na cultura da batata, a mosca-branca age diretamente como inseto sugador, já que seu aparelho bucal é adaptado para sugar a seiva da planta, tornando suas folhas com aspecto envelhecido e, consequentemente, diminuindo o tamanho dos tubérculos, o que gera danos econômicos. Indiretamente, a B. tabaci transmite dois tipos de vírus: o geminivírus e crinivírus. Eles causam o amarelecimento das folhas, deixando o aspecto mosaico, clorose internerval e redução do tamanho das folhas. Além disso, ao se alimentar das folhas, as fezes açucaradas que são liberadas pelo inseto favorecem o desenvolvimento do fungo com coloração escura, denominado fumagina, que afeta a fotossíntese e, consequentemente, a produtividade da planta.    

Outro inseto-praga sugador pertence ao grupo dos tripes. São pequenos, com corpo estreito, aparelho bucal sugador e dois pares de asas franjadas. Na batata, existem duas espécies que causam maiores injúrias: T. tabaci e T. palmi. Este inseto possui as fases de ovo, ninfa e adulto. As ninfas de T. tabaci medem em torno de 1mm, são de coloração amarelo claro, com antenas e pernas incolores. Já os adultos, são alongados e mais escuros, do amarelo ao marrom. A T. palmi possui cor amarela quando ninfas e adultos. Apresentam comprimento maior que 1mm e são encontradas principalmente em condições de baixas temperaturas e estiagem. Seu ataque prejudica o desenvolvimento da planta, além de deixá-la vulnerável a doenças e outras pragas.

Tripes são insetos que tanto na fase de ninfa quanto na de adulto causam prejuízos ao rasparem as folhas, pois rompem as células para sugar a seiva, além de provocar o dobramento das bordas das folhas para cima, tornando-as enrugadas, quebradiças e com descoloração prateada ou bronzeada. Além disso, causam prejuízos indiretos, pois auxiliam a entrada de patógenos, como tospovírus, o que altera a forma do tubérculo de batata e impossibilita a comercialização. Os danos tendem a ser mais severos em estações secas e podem causar até 50% da quebra de produção.

Na cultura da batata, as pragas acarretam prejuízos direta e indiretamente.

Além da mosca-branca e dos tripés, o pulgão também tem destaque no grupo dos sugadores. Dentre as diversas espécies de pulgões, existe o pulgão-verde M. persicae (Sulzer) (Hemiptera: Aphididae). É o mais importante inseto-praga entre os pulgões na cultura da batata. O pulgão M. persicae é uma espécie polífaga, presente em todo o mundo e possui mais de 500 espécies de plantas hospedeiras. Esse inseto ocorre nas lavouras em duas formas: áptera e alada. O adulto áptero tem coloração verde-amarelada e o abdômen ovalado. Já as formas aladas possuem a cor esverdeada com cabeça e tórax pretos. Esses pulgões se reproduzem na maioria das vezes por partenogênese, onde o macho não participa da reprodução. Assim o M. persicae é considerado uma das principais pragas na cultura da batata, porque, ao atingir elevadas densidades, pode ocasionar estresse hídrico nas plantas, causando murchamento e redução da taxa de crescimento e tamanho do tubérculo. Por fim, tem-se também as injúrias de sucção de seiva e indução de toxinas, além da sua alta capacidade de transmitir viroses. O principal vírus transmitido é o Y ou vírus do mosaico (PVY), que induz sintomas de mosaico nas folhas das plantas infectadas, pontos cloróticos, faixa-das-nervuras, mosqueado, deformação foliar e necrose. O vírus do enrolamento (PLVR) causa injúrias de amarelecimento; em certas cultivares avermelhamento nas folhas do topo que, em sua grande maioria, enrolam-se. Apresenta também sintomas secundários, característicos de nanismo nos brotos e enrolamento dos folíolos superiores, especialmente nas folhas mais baixas.

A alta infestação desses insetos sugadores da planta onera o custo de produção e causa inúmeros problemas para a cultura. Com isso, torna-se necessário o manejo correto e realizar de forma consciente o controle desses insetos. Existem diferentes formas de controle, como o químico, o biológico e o genético. 

Controle químico

O controle químico deve ser realizado com o uso de inseticidas registrados para o inseto na cultura em campo. Com isso, existem diferentes tipos de grupos de inseticidas e, consequentemente, diferentes modos de ação no inseto-praga (Tabela 1).

O produtor precisa, contudo, tomar cuidado com o uso do controle químico, sendo necessário realizar a rotação de produtos, evitando que a praga se torne resistente; usar defensivos registrados para a cultura e dose recomendada na embalagem; fazer a aplicação sempre com o uso de equipamento de proteção individual (EPI) e realizar o descarte correto da embalagem.

Controle biológico

O controle biológico é uma das estratégias contra sugadores, uma vez que utiliza espécies de inimigos naturais - como insetos parasitoides e predadores; micro-organismos entomopatogênicos e ácaros predadores - para causar a morte do inseto-praga na lavoura. Vários desses inimigos naturais têm sido identificados e já foram relatados em associação com o complexo de espécies de mosca-branca, dentre os quais se destacam 16 espécies de predadores das ordens Diptera, Coleoptera, Hemiptera, Heteroptera e Neuroptera. Entre os parasitoides, 37 espécies de micro-himenopteras. E ainda parasitoides dos gêneros AmitusEncarsia e Eretmocerus. Há, também, diversas espécies no grupo de entomopatógenos, como Aschersonia aleyrodisBeauveria bassiana, Paecilomyces fumosoroseus e Verticillium lecanii.

Em relação aos tripes, o controle biológico é realizado pelos predadores dos gêneros Scolothrips e Franklinothrips; por larvas de crisopídeos (bicho-lixeiro),  coleópteros (coccinelídeos) e por larvas de dípteros da família Syrphidae.

Já para pulgões, o controle também tem sido realizado por predadores que incluem as joaninhas (Coleoptera), vespas parasitoides (Hymenoptera), Neuroptera e larvas de moscas (Diptera).

A mosca-branca apresenta alta capacidade de transmitir viroses.

Controle Genético

Outra forma de controle é o genético que se utiliza de variedades de batata resistentes aos insetos sugadores. Pesquisas com foco no desenvolvimento de novas cultivares resistentes têm sido realizadas, principalmente, pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico de Campinas, para a melhoria em relação à resistência de batata a insetos-praga e doenças. Atualmente, foram identificados materiais de batata (“Baraka” e Bach 4) resistentes à mosca-branca biótipo B e genótipos resistentes ao pulgão (IAC Ibituaçu). Porém, ainda é necessário avançar mais nas pesquisas e na obtenção de materiais resistentes a esses insetos sugadores.

Insetos sugadores acarretam inúmeros prejuízos à batata. O produtor deve ficar atento à lavoura para realizar a amostragem dessas pragas e, consequentemente, tomar a decisão mais consciente de controle.

Mariana Lima Nascentes, Ester Marques Magalhaes Teixeira, Marcos Vinicius Chagas, Thyago Lima da Silva, Rafaela Montagna Terenciano, Rosiane de Fátima Silva e Maria Elisa de Sena Fernandes, Universidade Federal de Viçosa

Cultivar Hortaliças e Frutas Maio 2019

A cada nova edição, a Cultivar Hortaliças e Frutas divulga uma série de conteúdos técnicos produzidos por pesquisadores renomados de todo o Brasil, que abordam as principais dificuldades e desafios encontrados no campo pelos produtores rurais. Através de pesquisas focadas no controle das principais pragas e doenças do cultivo de hortaliças e frutas, a Revista auxilia o agricultor na busca por soluções de manejo que incrementem sua rentabilidade. 

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