Especialista alerta que estresses hídricos são mais prejudiciais que pragas nas lavouras

Para o CEO da DunhamTrimmer, Mark Trimmer, indústrias ainda investem pouco em Pesquisa e Desenvolvimento dos estresses abióticos

21.03.2024 | 16:24 (UTC -3)
Clémentine Van Grunderbeeck

O estresse hídrico é muito mais prejudicial do que doenças ou insetos. A avaliação é do CEO da DunhamTrimmer, Mark Trimmer, durante evento da Elicit Plant na França. Em uma época em que os períodos de estiagem estão se tornando cada vez mais frequentes e pronunciados, ele garante que as tecnologias devem avançar em um campo onde ainda pouco é explorado.

Conforme Trimmer, se analisados os motivos das perdas de rendimento nas culturas agrícolas, se verá que o estresse abiótico possui um impacto muito maior do que as pragas, ervas daninhas ou doenças fúngicas. No entanto, os estresses bióticos são responsáveis pela maior parte da Pesquisa e Desenvolvimento agrícola. Isso levanta a questão de por que o setor fitofarmacêutico não está se concentrando mais nos fatores de estresse abiótico e em como reduzi-los. "Com exceção de algumas empresas inovadoras no campo dos bioestimulantes ou do cultivo de plantas, ninguém realmente se concentra nessa área", diz o especialista.

O CEO da DunhamTrimmer, primeira empresa norte-americana a se concentrar exclusivamente em produtos naturais de proteção de cultivos, destacou que as secas não estão mais concentradas nos estados do sul do continente norte americano. Lembrou que em 2023, o Meio-Oeste, Iowa e Minnesota foram particularmente afetados pela escassez de água. Mais de 30 milhões de hectares nos Estados Unidos sofreram perdas de rendimento, e 8 milhões desses hectares se qualificaram para pagamentos de seguro de safra a um custo estimado de US$ 7,4 bilhões. Dois anos antes, todo o oeste do continente foi afetado, com grandes consequências para a produção.

Trimmer explicou que na América do Sul toda a bacia do Prata passou por sua pior seca em 75 anos. No Brasil, o índice de produção agrícola teria caído 5,2% no início de 2022 devido à menor produção de milho e soja. "As perdas de produtividade relacionadas à seca tiveram um impacto de seis bilhões de euros na economia brasileira, e isso provavelmente subestima drasticamente um evento desse porte", observou.

Para o especialista, embora a irrigação e a seleção de variedades ainda sejam as práticas mais usadas nos Estados Unidos, 30% dos produtores utilizam bioestimulantes. "Eles são uma das poucas medidas de mitigação que podem ser aplicadas como uma resposta preventiva, mas ainda são muito ineficazes. Nenhum deles realmente visa o estresse hídrico", destacou. Trimmer enfatizou que é nesse ponto que a Elicit Plant e suas soluções à base de fitoesteróis têm um papel a desempenhar, pois se enquadram em uma categoria completamente nova e oferecem resultados impressionantes.

O especialista citou como exemplo o Centro-Oeste norte americano, onde a produtividade média do milho é de cerca de 12,5 mil quilos por hectare, em comparação com 10,9 mil quilos por hectare em caso de seca. Enquanto o uso de um bioestimulante convencional pode render até 550 quilos por hectare, a solução Elicit Plant alcança o dobro disso, ou seja, mais de mil quilos. Esse potencial já foi identificado pelos distribuidores, mas ainda não foi adotado pelos produtores. Trimmer concluiu destacando a necessidade de educação dos produtores sobre o valor desses produtos e como usá-los com sucesso.

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