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O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) divulgou recentemente a edição de outubro do Boletim Agropecuário de Santa Catarina, com análises de mercado e estimativas para as principais culturas do estado. Entre os destaques estão a perspectiva de crescimento da produção de soja na safra 2026/27, a redução na colheita de trigo e arroz e a valorização dos preços de milho, feijão, maçã e cebola.
O preço médio da soja recebido pelos produtores catarinenses chegou a R$ 140,59 por saca em setembro, alta de 6,8% em relação a agosto e de 9% na comparação anual. A valorização foi sustentada pela oferta restrita da safra anterior e pela demanda industrial, enquanto o avanço da colheita nos Estados Unidos limitou os ganhos no fim do mês. Para outubro, a expectativa é de estabilização das cotações.
Na safra 2026/27, a área cultivada com soja deve recuar 0,35%, refletindo a cautela dos agricultores diante dos riscos climáticos associados ao El Niño. Apesar disso, a produção está estimada em 2,98 milhões de toneladas, crescimento de 2,1% sobre o ciclo anterior, favorecido pela recuperação da produtividade. No início de outubro, o plantio havia alcançado 5% da área prevista, com 97% das lavouras em boas condições.
O milho também registrou valorização em setembro. O preço médio recebido pelos produtores catarinenses atingiu R$ 63,26 por saca, avanço mensal de 2,9%, embora permaneça 1,9% abaixo do registrado um ano antes. A demanda das indústrias de etanol e de proteína animal e a menor oferta dos produtores sustentaram as cotações.
Para a primeira safra 2026/27, a área destinada ao milho-grão deve crescer 3,4%, com produtividade estimada em cerca de 9,6 mil quilos por hectare. A semeadura alcançou 67% da área prevista na primeira semana de outubro, e 90% das lavouras apresentavam boas condições de desenvolvimento.
Os preços do arroz mantiveram a trajetória de recuperação em setembro, impulsionados pela oferta restrita e pela resistência dos produtores em ampliar as vendas. Em Santa Catarina, a saca de 50 quilos foi comercializada, em média, a R$ 71,92, alta de 10,53% em relação a agosto. No Rio Grande do Sul, a cotação chegou a R$ 80,79, avanço de 8,82%.
Para a safra 2026/27, a Epagri/Cepa projeta queda de 7,3% na produção catarinense, para 1,2 milhão de toneladas, em decorrência dos impactos das chuvas associadas ao El Niño. A área cultivada deve permanecer em 143,4 mil hectares, com produtividade estimada em 8.369 quilos por hectare. Até o período analisado, 66% da área prevista estava plantada, e 89% das lavouras apresentavam boas condições.
A restrição de oferta contribuiu para a valorização do feijão em setembro. Em Santa Catarina, o feijão-carioca encerrou o mês a R$ 268,80 por saca de 60 quilos, alta de 5,7% em relação a agosto. O feijão-preto alcançou R$ 201,80 por saca, avanço de 4,6%.
Para a primeira safra 2026/27, a área cultivada deve diminuir 18%, para 22 mil hectares. Os custos elevados, a baixa atratividade econômica e os riscos climáticos estão entre os fatores que influenciam a decisão dos produtores. A produção estadual está estimada em 45 mil toneladas, redução de 13% na comparação com o ciclo anterior.
A produção catarinense de trigo deve cair 36,5% na safra 2026, totalizando 243,4 mil toneladas. A redução reflete a diminuição de 34,6% na área plantada e a queda de 2,8% na produtividade média, estimada em 3.562 quilos por hectare. Até o fim de setembro, apenas 14% da área havia sido colhida.
Chuvas intensas, ventos fortes e excesso de umidade afetaram regiões produtoras como Chapecó, Xanxerê e São Miguel do Oeste, com registros de acamamento das plantas e risco de giberela. No mercado, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses subiu 3,51% em setembro, alcançando R$ 73,47 por saca de 60 quilos.
No cenário nacional, a área plantada ficou abaixo de 2 milhões de hectares, o menor patamar desde 2017, e a produção foi projetada em 6,3 milhões de toneladas. Para atender à demanda interna em 2027, a indústria poderá precisar importar até 7,5 milhões de toneladas.
O preço médio da maçã na Ceasa de Santa Catarina subiu 17,8% entre agosto e setembro, chegando a R$ 105,63 por caixa de 18 quilos. Apesar da recuperação mensal, as cotações do terceiro trimestre ficaram 32,4% abaixo das registradas no mesmo período de 2025, devido aos elevados estoques da safra anterior.
Para a safra 2026/27, a produção das principais regiões catarinenses está estimada em 714,8 mil toneladas, alta de 4,9%. A Microrregião dos Campos de Lages deve concentrar 82,8% do volume estadual, com previsão de 590 mil toneladas. Joaçaba também apresenta perspectiva de crescimento, de 24,5%, para 87,4 mil toneladas.
As lavouras de alho e cebola seguem, em sua maioria, em boas condições, apesar das chuvas intensas e da baixa incidência de luz solar. No alho, 88% das áreas apresentam boas condições, enquanto, na cebola, o índice chega a 90%.
No mercado da cebola, a oferta nacional mais restrita elevou o preço médio no atacado catarinense para R$ 5,40 por quilo em setembro, alta de 33% em relação a agosto e de 177,4% na comparação anual, em valores deflacionados.
Já o alho registrou preço médio de R$ 14,95 por quilo no atacado estadual, praticamente estável em relação a agosto, mas 27,4% abaixo do observado em setembro de 2025. Desde maio, contudo, a cotação acumula alta de 25,6%.
O boletim reúne dados sobre preços, produção, comercialização e condições das lavouras, oferecendo um panorama da situação agropecuária catarinense e das perspectivas para a safra 2026/27.
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