RS Safra 2026/27: milho chega a 78% da área prevista
Informativo da Emater/RS aponta impactos do excesso de umidade e das chuvas sobre as culturas de verão e a qualidade dos grãos de inverno
O Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, diante da redução da produção nacional e das preocupações com a qualidade do cereal. A estimativa foi apresentada pelo diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, Tito Marquetti Martinho, durante o último dia da 33ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado no Rio de Janeiro (RJ).
Promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o evento reuniu representantes do setor para discutir as perspectivas de abastecimento, as condições da safra brasileira e os desafios logísticos para atender à demanda interna.
Segundo Martinho, a combinação entre menor produção doméstica e possíveis problemas de qualidade deve ampliar a dependência do mercado externo e testar a capacidade portuária brasileira. A Argentina deverá permanecer como principal fornecedora do cereal, enquanto o conflito na região do Mar Negro segue entre os fatores de incerteza para o mercado internacional.
A produção brasileira de trigo está estimada em 5,12 milhões de toneladas, queda de 37% em relação ao período de referência considerado na análise. O volume corresponde a cerca de 36% do consumo nacional, ampliando a necessidade de importações para complementar a oferta interna.
O especialista em mercado de trigo Elcio Bento também chamou a atenção para a disponibilidade de cereal de melhor qualidade. Em São Paulo, a estimativa é de que apenas 70 mil a 80 mil toneladas da produção sejam classificadas como Tipo 1. No Paraná, onde cerca de 70% da colheita havia sido concluída no momento da análise, o volume nessa classificação foi estimado entre 500 mil e 600 mil toneladas.
A redução da oferta deve alterar o equilíbrio regional do abastecimento. No Paraná, a projeção passou de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. Já no Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas se aproxima de uma situação de equilíbrio entre oferta e demanda.
Nesse cenário, a logística e a eficiência operacional ganham importância para a indústria moageira. Segundo Bento, moinhos com melhor posicionamento logístico e estrutura para receber trigo importado poderão ter vantagens competitivas. Além disso, a moagem de lotes de trigo nacional com características heterogêneas exigirá maior eficiência industrial.
No Rio Grande do Sul, o desempenho da safra de 2026 foi afetado por fatores como menor investimento nas lavouras, perfilhamento reduzido e dificuldades nos tratos culturais. A avaliação foi apresentada pelo sócio da Solo Corretora de Cereais, Índio Brasil dos Santos.
As condições climáticas também dificultaram o desenvolvimento do cereal. Em julho, as chuvas e a elevada umidade foram acompanhadas por muitos dias encobertos. Agosto registrou frio e precipitações no início e no fim do mês. Em setembro, as chuvas ficaram acima da média, com poucos dias de sol e ocorrência de geada em 7 de setembro. Em outubro, períodos de precipitação acima da média se alternaram com intervalos de abertura de sol.
A meta de produção estadual é de 1,85 milhão de toneladas, com rendimento informado de 2,5 mil quilos por hectare. Até o momento da apresentação, 27% da área havia sido colhida, enquanto a comercialização correspondia a aproximadamente 30% do volume previsto.
O último dia do congresso também contou com o painel “O processo regulatório como resultado para as empresas”, dedicado ao papel da regulação no planejamento estratégico das companhias.
Mediado pelo conselheiro da Abitrigo e CEO do Grande Moinho Cearense, Carlos Augusto Neves da Rocha, o debate reuniu a gerente de Assuntos Regulatórios da M. Dias Branco, Bruna Mourão Mesquita, e a CEO da NutraLíder Consultoria Regulatória, Luiza Zanatta.
Os especialistas destacaram a importância de acompanhar propostas normativas e participar de consultas públicas para antecipar exigências e preparar as empresas para mudanças regulatórias. Também defenderam o envolvimento das equipes de assuntos regulatórios desde as primeiras etapas dos projetos, de modo a identificar oportunidades e prevenir possíveis entraves à implementação de novos produtos e iniciativas.
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