Ensaios mostram menor desfolha em soja com MON 94637 no Brasil

Bioensaios e testes de campo indicam proteção contra Chrysodeixis includens, Anticarsia gemmatalis e Spodoptera eridania

17.06.2026 | 09:23 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Dr Sahay - CC BY-SA 3.0
Foto: Dr Sahay - CC BY-SA 3.0

A soja geneticamente modificada MON 94637 × MON 87751 × MON 87701 × MON 94313 × MON 89788, chamada de Intacta 5+, apresentou alta eficácia contra importantes lagartas desfolhadoras da cultura no Brasil. A tecnologia expressa cinco proteínas Bt: Cry1A.2, Cry1B.2, Cry1A.105, Cry2Ab2 e Cry1Ac. Os ensaios de laboratório indicaram mortalidade de 100% em lagartas neonatas de Chrysodeixis includens, Anticarsia gemmatalis e Spodoptera eridania em diferentes estádios de desenvolvimento da soja. A tecnologia também manteve desempenho elevado contra populações resistentes a Cry1Ac de Rachiplusia nu e Crocidosema sp. (DOI: 10.1002/ps.71024).

O trabalho avaliou a estratégia de piramidação Bt para o manejo de lepidópteros na soja. A piramidação utiliza duas ou mais proteínas Bt com modos de ação independentes contra a mesma praga. O objetivo envolve ampliar a proteção da planta e retardar a evolução de resistência em campo. No caso da I5+, os eventos combinam proteínas Bt oriundas de Bacillus thuringiensis e características de tolerância a herbicidas.

Os pesquisadores conduziram bioensaios com discos foliares e tecido foliar de soja. As avaliações envolveram plantas nos estádios V4, R1, R3, R5.1 e R5.5 para neonatas. Para lagartas de terceiro ínstar, os testes ocorreram nos estádios R3 e R5.1. As espécies avaliadas incluíram Chrysodeixis includens, Anticarsia gemmatalis, Spodoptera eridania, Rachiplusia nu resistente a Cry1Ac e Crocidosema sp. resistente a Cry1Ac.

Bioensaios com neonatas

Nos bioensaios com neonatas, Chrysodeixis includens e Anticarsia gemmatalis apresentaram mortalidade de 100% em todos os pacotes Bt avaliados. Esse resultado superou o desempenho observado na soja não Bt. Para Crocidosema sp. resistente a Cry1Ac, os pacotes I5+, I2X e SIP2 causaram 100% de mortalidade. A combinação SIP3, formada por Cry1A.2 e Cry1B.2, também apresentou elevada mortalidade, com variação conforme o estádio da planta.

A resposta de Spodoptera eridania recebeu destaque no estudo. As neonatas apresentaram 100% de mortalidade em I5+ e SIP3, com exceção do estádio R5.5 em SIP3, no qual a mortalidade chegou a 89,84%. O estudo apontou ainda alta mortalidade em I2X e SIP2 nos estádios R5.1 e R5.5, mas com menor desempenho em fases anteriores.

Terceiro ínstar

Nos ensaios com lagartas de terceiro ínstar, a I5+ causou 100% de mortalidade contra todas as espécies testadas, nos estádios R3 e R5.1. Esse resultado indicou alta toxicidade do pacote com cinco proteínas Bt. As lagartas de terceiro ínstar costumam apresentar maior tolerância às proteínas Bt em comparação com neonatas. Por isso, os pesquisadores usaram essa fase para diferenciar os níveis de toxicidade entre os pacotes.

A tecnologia SIP3 também mostrou papel relevante nos ensaios. A soja com Cry1A.2 e Cry1B.2 apresentou alta mortalidade contra Spodoptera eridania e contra populações resistentes a Cry1Ac de Rachiplusia nu e Crocidosema sp. O resultado sugere utilidade dessas proteínas em cenários com resistência à Cry1Ac.

Desempenho de MON 94637

O estudo também avaliou o desempenho de MON 94637, identificado como SIP3, em condições de campo. Os experimentos ocorreram em seis locais no Brasil: Luís Eduardo Magalhães, na Bahia; Sorriso, em Mato Grosso; Cachoeira Dourada, em Minas Gerais; Santa Cruz das Palmeiras, em São Paulo; Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul; e Rolândia, no Paraná. As safras avaliadas foram 2021/2022 e 2022/2023.

Em campo, SIP3 reduziu a desfolha em comparação com soja não Bt e RR em grande parte dos locais e estádios avaliados. O desempenho ficou próximo ao observado em I2X, pacote com Cry1A.105, Cry2Ab2 e Cry1Ac. A média de desfolha em SIP3 manteve-se abaixo de 10%, mesmo sob maior pressão de insetos.

O limite citado para aplicação de inseticidas contra lagartas na soja durante estádios reprodutivos foi de 15% de desfolha. Nas duas safras, SIP3, I2X e IPRO ficaram abaixo desse limite na maior parte das avaliações. As exceções ocorreram para IPRO em Rolândia, no Paraná, em R6 na safra 2021/2022, e em R5.4 e R6 na safra 2022/2023.

Os pesquisadores destacaram a importância do manejo de resistência. A eficácia da pirâmide depende da ação conjunta das proteínas e da manutenção da suscetibilidade das populações de pragas. O estudo afirma a necessidade de práticas de refúgio para preservar a proteção conferida pela tecnologia.

O trabalho foi desenvolvido por Leonardo L Miraldo, Joacir do Nascimento, Thais L B dos Santos, Hallison V Vertuan, Luciana V Machado, Augusto C Crivellari, Márcia O M A José, Jessica Fernandez, Erick M G Cordeiro, Paula M Antunes, Samuel Martinelli, Graham P Head, Katherine Caldwell, Uma Kesanapalli, Ester Buiate, Patrick M Dourado, Ramiro F L Ovejero, Geraldo U Berger e Renato J Horikoshi.

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