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Embrapa integra comitiva para avaliar efeitos da seca no Centro-Sul do país

13/01/2022 | Embrapa
Ministra e autoridades da comitiva conhecem de perto efeitos da estiagem em lavoura de milho em Chapecó-SC. - Foto: Mapa

O presidente da Embrapa, Celso Moretti, participa nesta semana da comitiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que vai passar por quatro áreas do Centro-Sul do Brasil que estão neste momento sendo fortemente afetadas pela estiagem: Santo Ângelo-RS, Chapecó-SC, Cascavel-PR e Ponta Porã-MS.

Fazem parte da comitiva a ministra Tereza Cristina; o secretário de Política Agrícola, Guilherme Bastos; o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro; o presidente da Embrapa; o diretor de Agronegócio, do Banco do Brasil, Antônio Carlos Wagner Chiarello; o subsecretário de Política Agrícola, do Ministério da Economia, Rogério Boueri; o chefe do Departamento de Crédito Rural e Proagro, do Banco Central, Cláudio Filgueiras; o diretor de Cooperativismo e Acesso aos Mercados, Márcio Madalena; e os parlamentares Jorginho Mello (senador do PL/SC), Sanderson (deputado federal pelo PSL/RS) e Osmar Terra (deputado federal do MDB/RS).

A forte estiagem que acomete os quatro estados neste momento é decorrente do fenômeno oceânico-atmosférico La Niña, que ocorre nas águas do Oceano Pacífico e é caracterizado pelo resfriamento do oceano, causando interferência em diversas regiões do mundo. No Rio Grande do Sul, as regiões Oeste e Sul apresentam as maiores reduções de precipitações, principalmente nos períodos de primavera e verão.

Os baixos índices de chuva observados na safra 2021/2022 no Mato Grosso do Sul e na Região Sul do país confirmam a tendência de maior frequência de eventos extremos prevista pelos estudos sobre as Mudanças Climáticas Globais. Em virtude dessa tendência, é fundamental que, além de ações emergenciais e de curto prazo, sejam estabelecidas estratégias de gestão de risco para minimizar os efeitos de condições adversas de clima sobre a agricultura nos próximos anos.

O primeiro local visitado, na manhã desta quarta-feira (12) foi uma propriedade rural no distrito de Buriti, em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. O grupo foi recepcionado pelo vice-governador do Estado, Ranolfo Vieira Junior, e pela superintendente federal de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Helena Pan Rugeri, conheceu de perto os problemas enfrentados pelo produtor Dirceu Segatto, e depois se reuniu com lideranças da região no Auditório da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, no campus de Santo Ângelo.

“Foram encontros bastante positivos. Conhecemos de perto a realidade da estiagem, bastante séria e grave, que está ocorrendo na região”, explicou Moretti, ressaltando que a presença do Governo Federal, por meio do MAPA, da Conab e da Embrapa, mostra que o agro, que tanto produz e tanto ajuda o Brasil, não está sozinho em um momento como esse.

“O cenário que encontramos no RS é bastante preocupante. 60% da produção de milho sequeiro e de pastagens cultivadas no Estado está perdida, segundo levantamentos da Emater, o que tem reduzido a produção de leite em 1,6 milhão de litros por dia”, revelou.

Até a primeira semana de janeiro, 800 mil hectares de cultivos de verão já foram diretamente afetados, seja por perda total da produção, ou pela estiagem ainda não ter permitido a semeadura. Prognósticos climáticos apontam que a condição de La Niña seguirá até o final do verão 2022, o que deve aumentar ainda mais as perdas do setor agrícola no Rio Grande do Sul.

Santa Catarina

De tarde, a comitiva seguiu para Chapecó-SC, acompanhada também pelo governador do Estado, Carlos Moisés, pela deputada federal Caroline De Toni, pelo prefeito da cidade, João Rodrigues, e pelo superintendente Federal de Agricultura do Estado de Santa Catarina, Túlio Tavares Santos. Visitaram outra propriedade rural, Rodeio Bonito, e depois discutiram soluções para os problemas encontrados com mais de 600 lideranças locais, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, na cidade de Chapecó.

“Tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Catarina, a Embrapa evidenciou as possibilidades que a tecnologia tem para ajudar os produtores neste momento, tanto na questão da reserva de água, por meio das Barraginhas, quanto pela condução e diversificação de lavouras de segunda safra e de inverno, com o uso de cereais de inverno na alimentação animal (triticale, trigo, canola, centeio, aveia e cevada). Esses cereais podem ser plantados a partir de março e ser uma boa alternativa para recuperar um pouco a renda perdida com outras culturas”, afirmou o presidente Celso Moretti.

Embrapa Trigo e Embrapa Suínos e Aves têm estudos que mostram que o milho pode muito bem ser substituído, principalmente pelo trigo e pelo triticale, sem afetar a qualidade nutricional na composição de ração para suínos e aves.

Outra alternativa recomendada pela pesquisa para a atividade pecuária é a utilização de gramíneas forrageiras, como braquiárias ou panicuns. Em função da possibilidade de antecipação da semeadura, há grande potencial de produção de fitomassa em curto prazo, uma vez que essas plantas ainda se beneficiarão das condições do verão, bem como dos fertilizantes residuais aplicados anteriormente sobre as culturas afetadas pela estiagem. 

No caso de braquiárias ainda será possível usufruir de benefícios auferidos pela semeadura direta sobre a palhada na safra seguinte. O milheto é outra opção, pois é uma planta de crescimento inicial rápido, o que viabilizará a oferta de alimento para o animal de forma antecipada.

Na quinta-feira (13), a comitiva passará pela manhã em Cascavel-PR e pela tarde em Ponta Porã-MS. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) realizou um levantamento emergencial no final de 2021, estimando queda de 38% na produção de soja. No caso do milho, a perda estimada é de, aproximadamente, 40%. Em algumas regiões do Paraná as perdas nessas culturas já ultrapassaram 50%, provocando prejuízos expressivos aos produtores.

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