Decreto adia exigência de CNPJ para produtores rurais
Emissão de documentos fiscais por pessoas físicas é prorrogada
A ampliação da diversidade de plantas elevou a proporção de inimigos naturais em relação a pragas em áreas agrícolas. O aumento chegou a 846% em cultivos orgânicos e a 148% em cultivos não orgânicos. Os resultados indicam maior potencial de controle biológico preventivo de pragas em sistemas diversificados.
As informações constam em pesquisa que reuniu dados de 149 estudos de campo, conduzidos em 27 países de cinco continentes. O trabalho avaliou interações entre plantas, herbívoros invertebrados e seus inimigos naturais em lavouras, pastagens e florestas (DOI 10.1126/sciadv.aeb8680).
O banco de dados incluiu 55 estudos em lavouras orgânicas e 49 em lavouras não orgânicas. Também reuniu 26 estudos em pastagens e 19 em florestas. Todos os trabalhos agrícolas adotaram alguma forma de manejo de pragas, com pesticidas, métodos alternativos ou uma combinação das duas estratégias.
Os pesquisadores analisaram 120 estudos com observações pareadas da abundância de herbívoros e inimigos naturais. Esse conjunto gerou 1.641 comparações. O aumento da diversidade vegetal apresentou associação geral com maior abundância de predadores e parasitoides.
A resposta da fauna fitófaga variou entre os sistemas. Nas lavouras, os inimigos naturais aumentaram em proporção superior à dos insetos-praga. Esse padrão indica um efeito descendente na cadeia trófica, conhecido como controle “de cima para baixo”. Predadores e parasitoides limitam as populações de pragas e podem reduzir os danos às culturas.
A relação entre inimigos naturais e pragas cresceu de forma significativa quando a comunidade vegetal nas áreas agrícolas passou a reunir duas ou mais espécies. O efeito apareceu em sistemas orgânicos e não orgânicos. Segundo os cientistas, a magnitude da resposta nas lavouras aponta a diversificação de cultivos como uma alternativa para o manejo preventivo de pragas.
Comunidades vegetais mais diversas podem oferecer maior complexidade de habitat, fontes alternativas de alimento e sinais químicos associados à presença de pragas. Pólen e outros recursos também podem favorecer a reprodução e a permanência dos inimigos naturais nas áreas produtivas.
Os resultados diferiram em pastagens e florestas. Nesses ambientes, a relação entre inimigos naturais e herbívoros aumentou 4,73% e 21,2%, respectivamente. As alterações não apresentaram significância estatística. O crescimento mais proporcional dos dois grupos mostrou um padrão compatível com processos ascendentes na cadeia alimentar.
Nesse mecanismo, o aumento da diversidade de plantas amplia a produtividade e a disponibilidade de biomassa. A maior oferta de recursos favorece os herbívoros. O crescimento dessas populações sustenta, depois, uma comunidade maior de predadores e parasitoides.
A diversidade vegetal aumentou o desempenho médio dos inimigos naturais em todos os ecossistemas analisados. O avanço alcançou 56% nas lavouras orgânicas, 42,9% nas não orgânicas, 17,2% nas pastagens e 15% nas florestas. O resultado florestal não apresentou significância estatística.
O desempenho dos inimigos naturais reuniu indicadores de abundância, diversidade, predação e parasitismo. A resposta positiva ocorreu em regiões temperadas e tropicais. Também apareceu em comunidades dominadas por plantas herbáceas e lenhosas.
A pesquisa identificou efeitos distintos da biodiversidade sobre o funcionamento dos ecossistemas. Nas lavouras, a diversificação favoreceu o controle descendente sobre as pragas. Em pastagens e florestas, o aumento da produtividade vegetal sustentou herbívoros e inimigos naturais por meio de um processo ascendente.
Os cientistas ressaltam a atuação simultânea dos dois mecanismos. A predominância de cada processo depende do ecossistema e do manejo. Em áreas agrícolas, o controle descendente apresenta interesse direto. A ação antecipada dos inimigos naturais pode limitar o crescimento das populações de pragas antes da ocorrência de perdas econômicas.
O estudo também indica uma contribuição da diversidade vegetal além das interações diretas entre plantas. Parte dos ganhos de produtividade pode envolver mudanças em vários níveis da cadeia alimentar. A diversificação interfere na oferta de recursos, na estrutura do habitat e nas relações entre herbívoros, predadores e parasitoides.
Os resultados sugerem o uso da diversificação como componente do manejo integrado de pragas. A estratégia pode ampliar a conservação de inimigos naturais e reduzir a vulnerabilidade das lavouras a surtos populacionais de pragas.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura