Demanda fraca amplia pressão sobre preços da ureia

Cotações acumulam seis semanas consecutivas de queda, aponta StoneX

03.06.2026 | 14:22 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Bruno Cirillo

Os preços da ureia no Brasil recuaram pela sexta semana consecutiva, em meio a um cenário internacional marcado pela demanda enfraquecida e pela perda de sustentação das cotações. Segundo análise da StoneX, a retração acumulada nos portos brasileiros já chega a cerca de 25%, com negócios ao redor de US$ 600 por tonelada.

O movimento de baixa também é observado em importantes mercados globais, como Estados Unidos, China, Egito e Rússia. De acordo com a consultoria, compradores seguem cautelosos diante dos preços ainda elevados e das relações de troca consideradas pouco atrativas.  “Como resultado, a atividade comercial permanece limitada, evidenciando uma demanda enfraquecida”, afirma Tomás Pernías, analista da StoneX.

Apesar da sequência de quedas, os preços ainda permanecem acima dos níveis registrados antes do início da guerra no Oriente Médio, sinalizando que fatores ligados à oferta continuam dando suporte ao mercado internacional.

Logística restrita afeta mercado

Um dos principais pontos de atenção segue sendo a logística na região do Golfo Pérsico. Desde o início do conflito, a navegação pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisada, dificultando o escoamento de nitrogenados produzidos por países dependentes da rota.

A restrição afeta diretamente produtos como ureia, amônia e enxofre, limitando a oferta global e impedindo correções mais intensas nas cotações.

Ainda assim, o sentimento predominante no mercado segue baixista. Nem mesmo o anúncio de uma nova licitação de compra pela Índia — tradicionalmente vista como fator de sustentação para os preços — foi suficiente para reverter a tendência recente, reforçando a percepção de fragilidade da demanda global.

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