Estresse hídrico ameaça milho de terceira safra no Sealba
Déficit de água pode causar perdas de até 35,8% no potencial produtivo, segundo análise do Inmet
A degradação das terras agrícolas amplia as lacunas de produtividade em escala global. Um aumento de 10% na degradação associa-se a uma elevação média de 1,75% na diferença entre a produtividade obtida e a produtividade alcançável (DOI 10.1038/s43016-026-01382-5).
Cientistas analisaram 405.084 células de dez quilômetros de resolução. O trabalho reuniu dados de trigo, milho, arroz, cevada, sorgo, mandioca, soja, canola, palma de óleo e cana-de-açúcar. Essas culturas respondem por 83% da produção mundial de calorias.
Os pesquisadores avaliaram cinco processos: erosão, compactação, perda de carbono orgânico, déficit de água no solo e redução da cobertura arbórea. O modelo também considerou clima, relevo, características do solo, fertilizantes, irrigação, pesticidas, mão de obra, mecanização e fatores socioeconômicos.
A associação com a degradação representa perdas anuais estimadas em 20 milhões de toneladas de produção agrícola. O volume corresponde a 52 trilhões de quilocalorias, quantidade suficiente para suprir cerca de 71 milhões de pessoas durante um ano. A redução de receitas alcança cerca de quatro bilhões de dólares por ano.
Os principais focos de sensibilidade concentram-se no norte e no sul da Índia, no nordeste da China, no Meio-Oeste dos Estados Unidos e em áreas da América Central e da América do Sul, com destaque para o norte da Argentina. O Brasil aparece entre os países com maiores perdas absolutas de produção.
Segundo o estudo, sistemas agrícolas intensivos apresentam maior sensibilidade a pequenas reduções na qualidade do solo. Os cientistas recomendam políticas de restauração, agricultura conservacionista, manejo integrado da fertilidade e monitoramento padronizado da saúde do solo.
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