Custeio da soja sobe 3,35% para a safra 2026/27 em MT

Boletim do Imea aponta custos com fertilizantes e operações mecanizadas como os principais fatores para o aumento

22.07.2026 | 15:10 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

O custeio da safra 2026/27 de soja em Mato Grosso foi estimado em R$ 4.321,32 por hectare, alta de 3,35% em relação ao ciclo anterior, segundo o projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

De acordo com o boletim semanal do Imea, o avanço dos custos foi puxado principalmente pelos gastos com fertilizantes e corretivos, que cresceram 5,74%, e pelas operações mecanizadas, com aumento de 22,74% na comparação com a safra 2025/26. 

A elevação desses componentes está relacionada à intensificação dos conflitos no Oriente Médio, que tem pressionado a logística internacional e encarecido insumos, como os fertilizantes, além do óleo diesel utilizado nas operações agrícolas.

Diante desse cenário, o instituto avalia que parte dos produtores poderá rever o pacote de fertilização adotado na próxima temporada, já que há maior flexibilidade para ajustes nesse item do que na redução do consumo de combustível. O boletim também destaca que a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2026 amplia as incertezas quanto à produtividade da cultura, aumentando a preocupação com as margens dos sojicultores.

Preços apresentam valorização

No mercado, os preços da soja apresentaram valorização na última semana. Em Mato Grosso, a cotação média da oleaginosa avançou 2,50%, encerrando o período em R$ 115,58 por saca. Na CME Group, os contratos futuros registraram alta de 0,91%, refletindo a demanda aquecida pela soja norte-americana. Já o indicador Cepea fechou a semana em R$ 140,62 por saca, aumento de 0,47% em relação ao período anterior.

Setor de biocombustíveis mantém demanda aquecida por óleo de soja

O Imea também destaca que o forte ritmo de processamento de soja nos Estados Unidos segue sustentando o mercado. No primeiro semestre de 2026, o país processou 35,15 milhões de toneladas, volume recorde e 13,14% superior ao registrado no mesmo período de 2025, conforme dados da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa). 

O desempenho é atribuído à expansão da indústria de biocombustíveis, que elevou a demanda por óleo de soja e incentivou o aumento da capacidade de esmagamento. Apesar da maior oferta de farelo, o consumo global aquecido manteve os preços firmes, com média de US$ 312,78 por tonelada no semestre, alta anual de 6,24%. 

Segundo o instituto, a combinação de demanda elevada e margens favoráveis deve manter o processamento em níveis elevados ao longo de 2026.

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