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Compostos derivados de Stevia rebaudiana aumentaram a mortalidade e reduziram o desenvolvimento de larvas de Spodoptera frugiperda, a lagarta-do-cartucho, em bioensaios de laboratório. O esteviosídeo apresentou a maior toxicidade entre os materiais avaliados. O pó de folhas inteiras provocou menor mortalidade, mas causou forte redução no peso das larvas. Os efeitos também ocorreram em uma população resistente à proteína Cry1Fa de Bacillus thuringiensis.
Pesquisadores da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, avaliaram esteviosídeo, rebaudiosídeo A e pó de folhas de Stevia rebaudiana (doi 10.1016/j.napere.2026.100224). A equipe utilizou uma colônia suscetível e uma colônia com resistência documentada ao milho Bt com Cry1Fa.
Nos ensaios com a população suscetível, o esteviosídeo apresentou concentração letal mediana, ou CL50, de 9,50 gramas por litro. O rebaudiosídeo A alcançou CL50 de 15,42 gramas por litro. O pó de folhas apresentou valor estimado de 48,82 gramas por litro.
Os pesquisadores recomendam cautela na interpretação da CL50 do pó de folhas. A mortalidade máxima observada nesse tratamento ficou abaixo de 50%. Por isso, o valor resultou de extrapolação do modelo de análise probit.
A maior mortalidade ocorreu na dieta com 40% de esteviosídeo. O tratamento matou 100% das larvas. A concentração de 40% de rebaudiosídeo A provocou mortalidade média de 90%. O esteviosídeo a 15% causou 73% de mortalidade.
O pó de folhas apresentou comportamento diferente. Na concentração de 40%, a mortalidade chegou a 43%. Nas demais concentrações, os índices permaneceram menores. Quatro das cinco concentrações avaliadas produziram mortalidade inferior a 16%. O tratamento com 5% de pó de folhas não provocou mortalidade no primeiro ensaio.
Apesar desse resultado, o material de folha inteira reduziu o crescimento das larvas. Após nove dias, indivíduos mantidos na dieta controle alcançaram peso médio de 127,65 miligramas. Larvas alimentadas com dieta contendo 2,5% de pó de folhas pesaram 72,51 miligramas.
O aumento da concentração ampliou a redução de peso. Na dieta com 5% de folhas, as larvas apresentaram média de 32,50 miligramas. Os valores caíram para 16,67 miligramas com 10%, 2,48 miligramas com 20% e 3,35 miligramas com 40%. Os pesquisadores apontam possível efeito de regulador de crescimento de insetos para o material de folha inteira.
O mecanismo responsável por essa resposta permanece desconhecido. A redução do desenvolvimento pode resultar dos glicosídeos de esteviol ou de outros componentes presentes nas folhas. O estudo cita, entre as possibilidades, efeitos de deterrência alimentar, regulação do crescimento ou toxicidade geral.
A equipe também testou os compostos em larvas da linhagem 456, resistente à proteína Cry1Fa. Cada tratamento recebeu 18,35 gramas por litro do respectivo material. O esteviosídeo causou 34,5% de mortalidade. O rebaudiosídeo A provocou 30,1%. O pó de folhas causou 2,65%.
A análise não encontrou diferença significativa na mortalidade entre a linhagem resistente e a suscetível após exposição aos três materiais. Segundo os pesquisadores, o resultado indica manutenção da atividade dos compostos diante da resistência à Cry1Fa. O experimento, porém, ocorreu em condições de laboratório.
Os resultados também mostram limitações para uma eventual aplicação como inseticida. As concentrações necessárias para causar mortalidade ficaram acima das relatadas no próprio estudo para vários inseticidas sintéticos. A equipe ressalta ainda as diferenças entre métodos experimentais, espécies e períodos de avaliação, fatores capazes de limitar comparações diretas.
Para os pesquisadores, o pó de folhas pode apresentar maior interesse como regulador de crescimento do que como inseticida convencional contra Spodoptera frugiperda. O material exige pouco processamento e reduziu o desenvolvimento larval mesmo em tratamentos com baixa mortalidade.
O estudo recomenda novas pesquisas sobre o modo de ação dos compostos de Stevia rebaudiana, a eficiência em condições práticas e a viabilidade para desenvolvimento comercial. Os cientistas também indicam a necessidade de avaliar efeitos subletais e de deterrência sobre polinizadores e insetos predadores expostos a concentrações compatíveis com condições de campo.
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