Composto de Bacillus controla Fusarium graminearum em kiwi

3,5-di-terc-butilfenol reduz severidade da doença causada pelo fungo e mostra potencial como fungicida biológico

27.01.2026 | 14:51 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.106979
doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.106979

Pesquisadores chineses identificaram um composto antifúngico produzido por Bacillus siamensis capaz de controlar a mancha foliar do kiwi. O metabólito, o 3,5-di-terc-butilfenol, atua por ruptura da membrana celular e colapso do metabolismo energético de Fusarium graminearum. O estudo aponta potencial para desenvolvimento de fungicidas de base biológica.

O trabalho isolou a bactéria Bacillus siamensis BsiaSC07 da filosfera de folhas sadias de kiwi. Ensaios in vitro mostraram atividade antifúngica contra seis patógenos da mancha foliar. Fusarium graminearum apresentou maior sensibilidade. A extração por acetato de etila concentrou compostos termoestáveis com alta eficácia.

A análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas identificou o 3,5-di-terc-butilfenol como principal composto ativo. O estudo registra pela primeira vez a produção dessa molécula por espécies do gênero Bacillus. Em placas de cultivo, o composto inibiu o crescimento micelial do patógeno em baixas concentrações. A concentração efetiva média para F. graminearum alcançou 5,32 mg/L.

O 3,5-di-terc-butilfenol também reduziu a esporulação e a germinação de conídios. Esporos tratados apresentaram inchaço, deformações e ruptura estrutural. Em folhas destacadas de kiwi, a aplicação do composto diminuiu a área lesionada de forma dependente da dose. A eficiência de controle chegou a 89,08% na maior concentração testada.

Análises microscópicas e bioquímicas indicaram o mecanismo de ação. O composto comprometeu a integridade da membrana celular do fungo. Houve redução de ergosterol e lecitina, além de alterações no metabolismo de esfingolipídios. A permeabilidade aumentou, com vazamento de íons, proteínas e ácidos nucleicos.

O estudo também avaliou o metabolismo energético. Genes ligados ao ciclo do ácido tricarboxílico apresentaram repressão. Os níveis de piruvato, acetil-CoA e ATP diminuíram após o tratamento. Testes com suplementação de ATP não reverteram a inibição do crescimento, indicando que o colapso energético ocorreu como efeito secundário da destruição da membrana.

O trabalho conclui que Bacillus siamensis BsiaSC07 e o 3,5-di-terc-butilfenol apresentam potencial para manejo da mancha foliar do kiwi.

Outras informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.106979

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