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As doenças do enfezamento do milho provocaram perdas médias de 22,7% na produção brasileira entre as safras 2020/21 e 2023/24. O impacto econômico alcançou US$ 6,5 bilhões por ano. O volume não colhido chegou a 31,8 milhões de toneladas anuais. Os dados constam em estudo que avaliou efeitos produtivos e econômicos do complexo de doenças transmitidas pela cigarrinha-do-milho no Brasil.
O trabalho identifica o enfezamento como a maior ameaça fitossanitária da cadeia do milho no país. O complexo envolve dois patógenos restritos ao floema. O fitoplasma do enfezamento-vermelho (maize bushy stunt phytoplasma). O espiroplasma do enfezamento-pálido (corn stunt spiroplasma). Ambos dependem da cigarrinha Dalbulus maidis para transmissão.
A análise combinou séries históricas da Conab, de 1976 a 2024, com dados do projeto Campo Futuro, da CNA e do Senar. O levantamento considerou painéis técnicos realizados em 34 municípios, distribuídos nas cinco regiões produtoras do país. Esses municípios representaram até 19,8% da produção nacional de milho no período avaliado.
Segundo o estudo, as perdas variaram conforme a safra. Na temporada 2020/2021, o enfezamento reduziu a produção em 28,9%. Em 2023/2024, a perda caiu para 16,7%. Mesmo assim, o impacto permaneceu elevado. No acumulado das quatro safras, o Brasil deixou de produzir cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos. O prejuízo total superou US$ 25,8 bilhões.
O trabalho destaca que, em 79,4% dos municípios avaliados, produtores e técnicos apontaram a cigarrinha e as doenças do enfezamento como uma das principais causas da queda de produtividade. A atribuição ocorreu por consenso nos painéis regionais. A metodologia segue práticas aceitas quando levantamentos extensivos de campo se mostram inviáveis.
A série histórica revela um ponto de inflexão a partir de 2015. Até o início dos anos 2000, a produtividade média do milho no Brasil avançou de forma gradual. O crescimento se intensificou entre 1999/2000 e 2014/2015, impulsionado pela safrinha, por híbridos mais produtivos e pela adoção de tecnologias modernas. Após esse período, surgiram quedas recorrentes de produção e rendimento, mesmo com aumento de área plantada em alguns anos. O estudo associa esse movimento à intensificação dos surtos de enfezamento.
As doenças já ocorriam no país desde a década de 1970, de forma esporádica. Mudanças no sistema produtivo alteraram esse cenário. A ampliação das janelas de semeadura. A presença quase contínua de plantas de milho no campo. A disseminação de plantas voluntárias. Esses fatores reduziram o período de entressafra e favoreceram a sobrevivência do inseto vetor e dos patógenos ao longo do ano.
O impacto econômico não se limita à perda de grãos. Os custos de controle também cresceram. O estudo mostra aumento de 19% no custo médio de aplicações de inseticidas contra a cigarrinha entre 2020/21 e 2023/24. O valor ultrapassou US$ 9 por hectare por aplicação. Em algumas regiões, produtores intensificaram pulverizações diante da pressão do inseto, com resultados limitados.
Os autores ressaltam que o controle químico isolado não interrompe o ciclo epidemiológico. A cigarrinha mantém capacidade de dispersão e transmissão rápida dos patógenos. Plantas voluntárias e lavouras abandonadas funcionam como fontes de inóculo. O manejo exige ação regional coordenada.
O estudo aponta um conjunto de práticas já conhecidas. Eliminação de plantas voluntárias na entressafra. Redução e sincronização das janelas de plantio. Uso de híbridos com maior nível de resistência ou tolerância. Tratamento de sementes com inseticidas. Controle químico ou biológico nos estádios iniciais da cultura. A efetividade depende da adoção coletiva.
O trabalho foi desenvolvido por Charles Martins de Oliveira, Tiago dos Santos Pereira, Larissa Pereira Mouro e Maria Cristina Canale.
Mais informações em doi.org/10.1016/j.cropro.2026.107549
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