Caracterizada resistência de Helicoverpa armigera a soja com Cry1Ac

Pesquisa identifica herança poligênica, resistência cruzada e custos biológicos associados ao mecanismo

27.07.2026 | 06:41 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Gyorgy Csoka / Hungary Forest Research Institute - CC BY 3.0 - adaptada
Foto: Gyorgy Csoka / Hungary Forest Research Institute - CC BY 3.0 - adaptada

A resistência de Helicoverpa armigera à proteína Cry1Ac superou 300 vezes em bioensaios com dieta. Estudo de pesquisadores brasileiros identificou herança poligênica, resistência cruzada com Cry1A.105 e custos biológicos na população resistente. Os resultados reforçam a necessidade de refúgio estruturado e de tecnologias piramidadas com proteínas sem resistência cruzada à Cry1Ac (DOI 10.1002/ps.71154).

Os pesquisadores avaliaram uma linhagem quase isogênica resistente, denominada Iso-Res. A equipe obteve essa população por retrocruzamentos entre uma linhagem resistente a Cry1Ac e outra suscetível.

Os cruzamentos recíprocos indicaram herança autossômica e dominância incompleta nas concentrações testadas. Contudo, a soja Cry1Ac controlou indivíduos suscetíveis e heterozigotos alimentados com discos foliares. Esse resultado aponta dominância funcional recessiva da resistência no tecido vegetal.

Os retrocruzamentos entre heterozigotos e indivíduos suscetíveis indicaram participação de vários genes. A população resistente a Cry1Ac também apresentou resistência cruzada à proteína Cry1A.105. O mesmo efeito não ocorreu com Cry2Ab2.

A soja com as proteínas Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2 provocou mortalidade total em todas as linhagens avaliadas.

A linhagem Iso-Res apresentou menor peso larval e pupal, maior período de desenvolvimento e menor sobrevivência em soja não Bt. As fêmeas também registraram redução de 30% na fertilidade.

Segundo o estudo, a baixa frequência atual de resistência à soja Cry1Ac no Brasil pode resultar da recessividade funcional, dos custos biológicos e da resistência incompleta. O manejo deve priorizar áreas de refúgio estruturado e combinações de proteínas com modos de ação sem resistência cruzada.

O trabalho foi desenvolvido por Thalles Felipe Zambon, Mariana Yuki Iuanami, André Carrascosa Franco Machado, Leonardo Libardi Miraldo, Renato Jun Horikoshi, Graham P Head e Celso Omoto.

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