Begomovirus é confirmado como causa de virose no tomate no PR

Adapar identifica vírus transmitido por mosca-branca como responsável por surtos que afetam lavouras de tomate no Paraná

21.03.2025 | 14:00 (UTC -3)
Adapar
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Foto: Gilson Abreu
Foto: Gilson Abreu

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) confirmou que o vírus do gênero Begomovirus, da família Geminiviridae, é o agente causador da infecção que vem afetando severamente as lavouras de tomate nos municípios de Faxinal, Cruzmaltina e Marilândia do Sul.

Os resultados foram obtidos após análises laboratoriais realizadas pelo Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em janeiro deste ano, a Adapar realizou inspeções nas áreas afetadas e coletou amostras em 10 propriedades para identificação do agente causador. Todas as amostras apresentaram resultado positivo para Begomovirus com alta incidência e severidade, confirmando a hipótese inicial levantada pelos técnicos da agência.

"As análises laboratoriais confirmaram o que nossas equipes já suspeitavam em campo. Este vírus, transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci, saiba mais aqui), está causando danos significativos principalmente nas plantações que utilizam variedades suscetíveis", explica Alcides Rodrigues Gomes Junior, fiscal de Defesa Agropecuária da Adapar que participou da operação.

De acordo com o relatório técnico elaborado após as inspeções, a situação é resultado da combinação de quatro fatores principais: a presença do vírus na região, condições climáticas favoráveis à proliferação da mosca-branca (inverno 2024 e verão 2024/2025 com umidade abaixo e temperatura acima do esperado), tratamentos fitossanitários insuficientes para controle do inseto vetor, e o plantio de cultivares suscetíveis por diversas safras sucessivas.

Resistência das variedades 

Um dado relevante observado durante as inspeções foi que as lavouras com variedades resistentes ao Begomovirus, como Strongton e Abbiadori, apresentavam desenvolvimento normal e poucos ou nenhum sintoma, mesmo estando próximas de plantações severamente afetadas.

"Identificamos que cerca de 70% a 80% do cultivo na região é da variedade Paipai, seguida pelas variedades Masseratti e Caniati, todas suscetíveis ao vírus. Já as variedades resistentes demonstraram bom desempenho mesmo sob alta pressão da doença", destaca Ralph Rabelo Andrade, também fiscal da Adapar envolvido nas inspeções.

Medidas de controle

O Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar recomenda aos produtores uma série de medidas para conter a doença e prevenir novos surtos:

A utilização de variedades resistentes ao Begomovirus; implementação de um manejo integrado para controle da mosca-branca; respeito às recomendações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) e o controle adequado de plantas daninhas que podem servir como repositório do vírus.

As medidas visam não apenas conter o atual surto, mas estabelecer práticas que garantam a sustentabilidade da produção de tomate no Paraná a longo prazo.

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