Beauveria altera voláteis do meloeiro e atrai crisopídeo

Estudo mostra resposta específica por cultivar e indica uso em programas de manejo integrado do pulgão-do-melão

26.06.2026 | 12:25 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Svetlana Y Gouli, University of Vermont, Bugwood
Foto: Svetlana Y Gouli, University of Vermont, Bugwood

A colonização endofítica de meloeiros por Beauveria bassiana alterou a emissão de compostos orgânicos voláteis em três cultivares e influenciou a resposta olfativa de adultos de Chrysoperla carnea, predador associado ao manejo de Aphis gossypii. O resultado indica potencial para uso do fungo em estratégias de manejo integrado (DOI: 10.1002/ps.70989).

O estudo avaliou as cultivares Galia F1, Futuro e Rinconete. Galia pertence à variedade Reticulatus. Futuro e Rinconete pertencem à variedade Piel de Sapo. As plantas receberam aplicação foliar de uma suspensão de Beauveria bassiana na concentração de cem milhões de conídios por mililitro. Cada planta recebeu cinco mililitros da suspensão.

Colonização endofítica

A colonização endofítica ocorreu em todas as plantas tratadas com o fungo. As plantas do tratamento "controle" não apresentaram presença de Beauveria bassiana. A taxa de colonização chegou a 85,0 por cento dos tecidos foliares em Galia, 80,0 por cento em Futuro e 73,3 por cento em Rinconete. A diferença entre Galia e Rinconete apresentou significância estatística.

A análise molecular por qPCR confirmou a presença do fungo nos tecidos vegetais. A quantidade de DNA de Beauveria bassiana atingiu 8,7 picogramas em Galia, 6,8 picogramas em Futuro e 4,2 picogramas em Rinconete, sempre em relação a 30 nanogramas de DNA total da folha. A maior diferença ocorreu entre Galia e Rinconete.

Os pesquisadores identificaram 93 compostos voláteis nas três cultivares. A lista incluiu álcoois, aldeídos, hidrocarbonetos alifáticos, hidrocarbonetos aromáticos, ácidos carboxílicos, ésteres, éteres, cetonas, compostos nitrogenados, fenóis, terpenos e outros compostos. A cultivar exerceu forte influência sobre o perfil de voláteis. O tratamento com o fungo também provocou alterações específicas.

As plantas colonizadas emitiram cis-3-hexenal e N,N-dimetildodecanamina nas três cultivares. Esses compostos não apareceram nas plantas controle. O cis-3-hexenal apresentou emissão maior em Futuro. A N,N-dimetildodecanamina não apresentou diferença significativa entre cultivares.

Resposta mais marcada

A cultivar Galia apresentou a resposta mais marcada ao fungo. As plantas colonizadas dessa cultivar emitiram maior número de compostos discriminantes associados à presença de Beauveria bassiana. Entre eles aparecem cis-3-hexenol, beta-felandreno, acetato de linalila, cariofileno e geranil acetona. O estudo relaciona esses compostos a funções ecológicas, como atração de parasitoides e repelência a afídeos.

Em Futuro, a colonização elevou a emissão de 2-heptanol, cinamaldeído e álcool cinamílico. O estudo associa o 2-heptanol à repelência de insetos-praga e à atração de predadores. A cinamaldeído aparece ligada a efeito tóxico e repelente contra espécies fitófagas. O álcool cinamílico aparece associado à atração de polinizadores.

Em Rinconete, as plantas colonizadas apresentaram maior produção de compostos aromáticos como etilbenzeno, cumeno, estireno e acetofenona. O trabalho relaciona esses compostos à atração de predadores.

Adultos de Chrysoperla

A equipe também avaliou a resposta de adultos de Chrysoperla carnea em olfatômetro, com a cultivar Galia. O ensaio comparou quatro fontes de odor: planta colonizada e infestada por Aphis gossypii, planta colonizada sem pulgões, planta controle infestada por pulgões e planta controle sem pulgões.

Apenas 32 por cento dos adultos de Chrysoperla carnea escolheram uma das fontes de odor. Entre os insetos com resposta, 37 por cento escolheram plantas colonizadas por Beauveria bassiana e infestadas por Aphis gossypii. Outros 23 por cento escolheram plantas controle infestadas por pulgões. Plantas colonizadas sem pulgões receberam 17 por cento das escolhas. Plantas controle sem pulgões receberam 23 por cento.

A comparação direta entre tratamentos não mostrou diferença significativa. Mesmo assim, a escolha por plantas colonizadas e infestadas por pulgões superou a expectativa aleatória de 25 por cento. O resultado indica uma preferência específica por plantas com presença simultânea do fungo endofítico e do pulgão.

Voláteis de plantas infestadas

Os pesquisadores também analisaram os voláteis de plantas Galia infestadas por pulgões. Eles identificaram 83 compostos. A infestação por Aphis gossypii separou os perfis de emissão entre plantas infestadas e não infestadas. A presença de Beauveria bassiana alterou alguns compostos dentro desses grupos.

O estudo conclui que Beauveria bassiana pode induzir respostas químicas dependentes da cultivar. Essas respostas envolvem compostos com possível papel em interações entre meloeiro, pulgão e inimigos naturais. Os dados reforçam o uso de fungos entomopatogênicos endofíticos em programas de manejo integrado, com atenção à escolha da cultivar.

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