Bactéria simbionte garante sobrevivência de Rhynchophorus ferrugineus

Peptídeos controlam Nardonella e garantem síntese de tirosina e sobrevivência do inseto

06.02.2026 | 09:11 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Mike Lewis, Center for Invasive Species Research
Foto: Mike Lewis, Center for Invasive Species Research

O inseto Rhynchophorus ferrugineus depende de uma bactéria endossimbionte para formar o exoesqueleto e completar o ciclo de vida. Estudo identificou dois peptídeos antimicrobianos que mantêm essa associação. O achado indica um novo alvo para o manejo da praga, responsável por danos severos a palmeiras em várias regiões do mundo.

Os pesquisadores identificaram os peptídeos RfAMP1 e RfAMP2 em bacteriócitos, células especializadas do inseto. Esses compartimentos abrigam bactéria Candidatus Nardonella spp., simbionte ancestral de gorgulhos mantido há mais de 125 milhões de anos. A bactéria preservou apenas a via de biossíntese da tirosina, aminoácido necessário à formação do exoesqueleto do hospedeiro.

Os peptídeos não apresentaram função imune clássica. A expressão acompanhou a dinâmica de Nardonella e respondeu à presença do simbionte, não a infecções por patógenos. As análises indicaram a localização dos peptídeos na membrana e no citoplasma bacteriano.

O silenciamento de RfAMP1 ou RfAMP2 por RNAi levou à perda do controle espacial da bactéria. Nardonella escapou dos bacteriócitos e alcançou tecidos do intestino médio. A abundância bacteriana também aumentou dentro das células hospedeiras. Em concentrações subinibitórias, os peptídeos elevaram a permeabilidade da membrana bacteriana.

A perda da função dos peptídeos comprometeu a biossíntese de tirosina. As larvas apresentaram queda acentuada na sobrevivência. Os resultados indicaram que os RfAMPs regulam a homeostase da simbiose e sustentam a aptidão do inseto.

Rhynchophorus ferrugineus causa perdas expressivas em cultivos de palmeiras, como Cocos nucifera e Elaeis guineensis. O estudo aponta que a interrupção da simbiose obrigatória com Nardonella pode viabilizar novas estratégias de controle baseadas na desestabilização desse elo molecular.

Outras informações em doi.org/10.1002/ps.70604

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