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O avanço das plantas daninhas nas lavouras brasileiras tem acendido um alerta entre técnicos, cooperativas e pesquisadores. Nas últimas safras, o problema tem se intensificado, impulsionado tanto por falhas no manejo quanto por fatores climáticos e biológicos que favorecem a rápida disseminação dessas espécies. A temática foi debatida ontem, 13 de abril, durante a ExpoLondrina, no painel "Plantas Daninhas de difícil controle - desafios no manejo", promovido pela Embrapa Soja, com as cooperativas Cocamar, Coamo e Integrada.
O pesquisador Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja, contextualizou o aumento da infestação de caruru-roxo, nas últimas quatro safras, destacando que essa espécie apresenta crescimento rápido, alta agressividade e grande capacidade de dispersão. Como prevenção, o pesquisador recomenda algumas práticas integradas como a limpeza de equipamentos e a manutenção de palhada no solo, assim como o uso de cultivares com novas biotecnologias e ainda o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente em áreas com resistência ao glifosato. "No entanto, o uso desses produtos exige observação quanto ao solo, o clima e a cultivar utilizada. Esse cuidado pode evitar o risco de fitotoxicidade, que causa danos como falhas na população de plantas e também emergência irregular”, ressalta.
A percepção de Rafael Furlanetto, da Cocamar, é de que muitos produtores ainda deixam a decisão de controle de plantas daninhas para o último momento, o que compromete a eficiência das estratégias adotadas. A recomendação é antecipar o manejo e diversificar as práticas, incluindo maior cobertura do solo, uso de herbicidas pré-emergentes e aplicação de pós-emergentes no momento adequado. “Além disso, o controle deve ser contínuo, abrangendo tanto as culturas de verão quanto as de inverno”, lembra Furlanetto.
Para Lucas Pastre Dill, da cooperativa Integrada, parte dos desafios relaciona-se ao abandono de práticas tradicionais após a adoção de tecnologias como as cultivares tolerantes ao glifosato. A facilidade proporcionada por esse sistema levou muitos produtores a reduzirem o uso de estratégias como rotação de culturas, alternância de mecanismos de ação de herbicidas e controle cultural e mecânico. O cenário se agrava com a presença de plantas daninhas de crescimento acelerado e alta capacidade reprodutiva, especialmente em condições tropicais. “Nesse contexto, práticas como formação de palhada, por exemplo, ganham importância para reduzir a germinação dessas invasoras”, ressalta Dill.
As cooperativas têm intensificado também ações de orientação técnica para enfrentar o problema. Segundo Bruno Lopes Paes, da cooperativa Coamo, treinamentos e capacitações vêm sendo realizados com equipes e produtores, com foco no uso correto de herbicidas, manejo integrado e atenção especial às plantas daninhas quarentenárias, que têm se tornado uma ameaça crescente. “O objetivo é promover um processo educativo que aumente a conscientização e melhore a tomada de decisão no campo!, diz Paes.
O pesquisador Dionísio Gazziero aponta que o Brasil já dispõe de conhecimento e tecnologias suficientes para controlar grande parte das infestações, mas a adoção dessas práticas ainda é insuficiente. Além disso, fatores climáticos podem interferir diretamente na dinâmica das plantas daninhas, favorecendo, por exemplo, períodos mais longos de emergência em determinadas condições. “A principal recomendação é encarar o controle de plantas daninhas como parte de um sistema de produção contínuo, com ações ao longo de todo o ano", diz. “A rotação de culturas, especialmente no inverno, é essencial, assim como o manejo do banco de sementes no solo. Sem esse cuidado, a tendência é de que as infestações se tornem cada vez mais severas, elevando os custos e reduzindo a produtividade”, conclui Gazziero.
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