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Pesquisadores da Universidade da Flórida avaliaram a abundância e a composição de espécies de tripes em lavouras de alface no sul da Flórida. O estudo indicou maior praticidade das armadilhas de Moericke para o monitoramento desses insetos em campo, pois elas capturaram número relevante de indivíduos e preservaram os espécimes para identificação taxonômica (DOI: 10.3390/insects17070676).
A pesquisa comparou cinco métodos de amostragem: coleta de planta inteira, armadilhas de Moericke azuis, armadilhas de Moericke amarelas, armadilhas adesivas azuis e armadilhas adesivas amarelas. Os ensaios ocorreram em uma fazenda experimental do Everglades Research and Education Center e em áreas comerciais de alface em Belle Glade, na Flórida. As avaliações abrangeram dois ciclos de cultivo, no outono de 2023 e na primavera de 2024.
O trabalho teve como foco o risco associado a tripes vetores de orthotospovírus. A espécie Frankliniella occidentalis preocupa o setor por transmitir o Impatiens necrotic spot virus (INSV). Esse vírus causa perdas em alface na Califórnia e aparece como ameaça potencial para áreas produtoras da Flórida.
As armadilhas adesivas capturaram as maiores quantidades de tripes em várias semanas. Porém, a cola dificultou a retirada dos insetos e reduziu a qualidade dos espécimes. Isso limitou a identificação em nível de espécie. Para estudos de risco fitossanitário, essa identificação tem papel central, pois nem todos os tripes transmitem vírus ou causam o mesmo nível de dano.
As armadilhas de Moericke ficaram em segundo lugar em número de capturas. Mesmo assim, os pesquisadores consideraram esse método mais útil para levantamentos em alface. O líquido das armadilhas manteve os insetos em condição adequada para posterior identificação. A coleta e o processamento também exigiram menos trabalho em comparação com a amostragem de planta inteira.
A coleta de planta inteira registrou os menores números de tripes. Esse método, no entanto, permitiu observar espécies presentes diretamente nas plantas de alface. Por outro lado, ele exige a retirada de plantas do campo e demanda processamento em laboratório. Em áreas comerciais, essa prática representa perda de produto.
O estudo coletou 9.814 tripes no total. Cerca de 3.883 espécimes receberam identificação em nível de gênero ou espécie. A composição variou conforme o método de amostragem. As diferenças indicam influência do método no retrato da comunidade de tripes presente na área avaliada.
A espécie mais abundante foi Frankliniella bispinosa, conhecida como tripes-das-flores-da-Flórida. Ela representou 77% dos espécimes identificados nas amostras de planta inteira. Também dominou a maioria das armadilhas de Moericke, com forte presença em áreas experimentais e comerciais.
Os pesquisadores destacaram que Frankliniella bispinosa não figura, atualmente, como praga de alface. Ainda assim, a alta frequência da espécie exige atenção. O estudo cita sua ocorrência em diversas culturas e plantas espontâneas na Flórida. Também menciona sua capacidade de transmitir Tomato spotted wilt virus em condições de laboratório.
Outras espécies frequentes incluíram Microcephalothrips abdominalis e Leucothrips piercei. A primeira predominou em armadilhas de Moericke amarelas instaladas em áreas comerciais. A segunda apareceu com destaque nas amostras de planta inteira. Os pesquisadores observaram ausência de danos visíveis de Leucothrips piercei na alface durante o estudo, mas recomendaram monitoramento diante da população detectada.
O levantamento também confirmou a presença de espécies vetoras de orthotospovírus. Entre elas, apareceram Frankliniella occidentalis, Frankliniella fusca e Frankliniella schultzei. Essas espécies ocorreram em baixa abundância nas áreas avaliadas. A detecção, porém, reforça a necessidade de vigilância contínua em lavouras de alface da região.
Os resultados não apontaram diferença consistente entre armadilhas azuis e amarelas. Em algumas semanas, armadilhas azuis capturaram mais tripes. Em outras, as diferenças não ocorreram ou não se mantiveram entre áreas e ciclos. Para os pesquisadores, o desempenho de cor pode variar conforme espécie, cultura e condições ambientais.
A conclusão do estudo recomenda o uso de armadilhas de Moericke em programas de monitoramento de tripes em alface. O método reúne captura de indivíduos, preservação de espécimes e viabilidade operacional. A pesquisa também reforça a necessidade de acompanhar espécies vetoras e de ampliar a triagem de alface para Impatiens necrotic spot virus e outros orthotospovírus.
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