Armadilhas de Moericke capturam tripes em alface na Flórida

Estudo aponta método mais prático para monitorar espécies vetoras de orthotospovírus em lavouras de alface

28.06.2026 | 15:18 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
DOI: 10.3390/insects17070676
DOI: 10.3390/insects17070676

Pesquisadores da Universidade da Flórida avaliaram a abundância e a composição de espécies de tripes em lavouras de alface no sul da Flórida. O estudo indicou maior praticidade das armadilhas de Moericke para o monitoramento desses insetos em campo, pois elas capturaram número relevante de indivíduos e preservaram os espécimes para identificação taxonômica (DOI: 10.3390/insects17070676).

A pesquisa comparou cinco métodos de amostragem: coleta de planta inteira, armadilhas de Moericke azuis, armadilhas de Moericke amarelas, armadilhas adesivas azuis e armadilhas adesivas amarelas. Os ensaios ocorreram em uma fazenda experimental do Everglades Research and Education Center e em áreas comerciais de alface em Belle Glade, na Flórida. As avaliações abrangeram dois ciclos de cultivo, no outono de 2023 e na primavera de 2024.

Tripes vetores

O trabalho teve como foco o risco associado a tripes vetores de orthotospovírus. A espécie Frankliniella occidentalis preocupa o setor por transmitir o Impatiens necrotic spot virus (INSV). Esse vírus causa perdas em alface na Califórnia e aparece como ameaça potencial para áreas produtoras da Flórida.

As armadilhas adesivas capturaram as maiores quantidades de tripes em várias semanas. Porém, a cola dificultou a retirada dos insetos e reduziu a qualidade dos espécimes. Isso limitou a identificação em nível de espécie. Para estudos de risco fitossanitário, essa identificação tem papel central, pois nem todos os tripes transmitem vírus ou causam o mesmo nível de dano.

Método mais útil

As armadilhas de Moericke ficaram em segundo lugar em número de capturas. Mesmo assim, os pesquisadores consideraram esse método mais útil para levantamentos em alface. O líquido das armadilhas manteve os insetos em condição adequada para posterior identificação. A coleta e o processamento também exigiram menos trabalho em comparação com a amostragem de planta inteira.

A coleta de planta inteira registrou os menores números de tripes. Esse método, no entanto, permitiu observar espécies presentes diretamente nas plantas de alface. Por outro lado, ele exige a retirada de plantas do campo e demanda processamento em laboratório. Em áreas comerciais, essa prática representa perda de produto.

O estudo coletou 9.814 tripes no total. Cerca de 3.883 espécimes receberam identificação em nível de gênero ou espécie. A composição variou conforme o método de amostragem. As diferenças indicam influência do método no retrato da comunidade de tripes presente na área avaliada.

Espécie mais abundante

A espécie mais abundante foi Frankliniella bispinosa, conhecida como tripes-das-flores-da-Flórida. Ela representou 77% dos espécimes identificados nas amostras de planta inteira. Também dominou a maioria das armadilhas de Moericke, com forte presença em áreas experimentais e comerciais.

Os pesquisadores destacaram que Frankliniella bispinosa não figura, atualmente, como praga de alface. Ainda assim, a alta frequência da espécie exige atenção. O estudo cita sua ocorrência em diversas culturas e plantas espontâneas na Flórida. Também menciona sua capacidade de transmitir Tomato spotted wilt virus em condições de laboratório.

Outras espécies frequentes incluíram Microcephalothrips abdominalis e Leucothrips piercei. A primeira predominou em armadilhas de Moericke amarelas instaladas em áreas comerciais. A segunda apareceu com destaque nas amostras de planta inteira. Os pesquisadores observaram ausência de danos visíveis de Leucothrips piercei na alface durante o estudo, mas recomendaram monitoramento diante da população detectada.

O levantamento também confirmou a presença de espécies vetoras de orthotospovírus. Entre elas, apareceram Frankliniella occidentalis, Frankliniella fusca e Frankliniella schultzei. Essas espécies ocorreram em baixa abundância nas áreas avaliadas. A detecção, porém, reforça a necessidade de vigilância contínua em lavouras de alface da região.

Diferença entre armadilhas

Os resultados não apontaram diferença consistente entre armadilhas azuis e amarelas. Em algumas semanas, armadilhas azuis capturaram mais tripes. Em outras, as diferenças não ocorreram ou não se mantiveram entre áreas e ciclos. Para os pesquisadores, o desempenho de cor pode variar conforme espécie, cultura e condições ambientais.

A conclusão do estudo recomenda o uso de armadilhas de Moericke em programas de monitoramento de tripes em alface. O método reúne captura de indivíduos, preservação de espécimes e viabilidade operacional. A pesquisa também reforça a necessidade de acompanhar espécies vetoras e de ampliar a triagem de alface para Impatiens necrotic spot virus e outros orthotospovírus.

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