Algodão: custos pressionam rentabilidade em Mato Grosso

Preço médio de R$ 129,67/@ cobre custos operacional efetivo e total, mas mantém margem do produtor apertada

23.09.2026 | 10:16 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

A rentabilidade do algodão em Mato Grosso segue pressionada pelos custos de produção, apesar da valorização dos preços nos últimos meses. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2026/27 foi estimado em R$ 15.250,61 por hectare em agosto, enquanto o Custo Operacional Total (COT) alcançou R$ 16.264,37/ha.

O custeio da temporada foi estimado em R$ 10.617,82/ha, recuo de 0,11% em relação a julho. Já o COE apresentou alta mensal de 0,13%, influenciado principalmente pelo aumento de 4,72% nas despesas com arrendamento. O Custo Total (CT) ficou projetado em R$ 18.709,02/ha, avanço de 0,21% no mês.

Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o produtor precisa obter pelo menos R$ 120,06/@ para cobrir o COE. Para alcançar o COT, o preço mínimo sobe para R$ 128,20/@, enquanto a cobertura do CT exige R$ 147,47/@.

Até agosto, o preço médio ponderado de comercialização da safra 2026/27 estava em R$ 129,67/@. Com esse valor, segundo o Imea, é possível cobrir o COE e o COT, mas a margem permanece apertada. O instituto destaca que, mesmo diante das altas recentes nos preços, a rentabilidade do cotonicultor continua pressionada, reforçando a importância de uma gestão eficiente no planejamento da próxima temporada.

Área deve crescer em Mato Grosso

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta aumento de 3,38% na área cultivada com algodão em Mato Grosso na safra 2026/27. Por ser o principal produtor nacional, o estado deve registrar, em termos absolutos, o maior incremento de área entre as unidades da federação.

No cenário nacional, a área cultivada deve alcançar 2,09 milhões de hectares, alta de 3,68% em relação à safra 2025/26. Os maiores crescimentos percentuais são esperados em Rondônia, de 28,79%, Maranhão, de 9,48%, e Piauí, de 8,29%.

A produtividade brasileira, por outro lado, deve recuar 3,23% na comparação com a projeção para a temporada 2025/26. De acordo com o Imea, a estimativa considera as incertezas relacionadas aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.

Mesmo com a redução esperada no rendimento, a expansão da área deve contribuir para sustentar a produção nacional. A Conab projeta 10,05 milhões de toneladas de algodão em caroço na safra 2026/27, aumento de 0,33% ante a estimativa para o ciclo anterior.

Mercado

No mercado cambial, o dólar corrente avançou 1,15% na semana, em meio ao aumento da aversão ao risco global e às incertezas fiscais e institucionais no Brasil.

A cotação do caroço de algodão recuou 4,35% no período. Segundo o Imea, o movimento está relacionado ao avanço do beneficiamento e à consequente maior disponibilidade do coproduto no mercado.

Já a paridade de exportação para o contrato de julho de 2027 caiu 2,85% na semana, acompanhando a desvalorização do contrato correspondente na Bolsa de Nova York.

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