Seca perde força no Brasil, mas avança no Sul e no Norte
Área afetada recua para 49% do país em março, aponta Monitor de Secas
O Valor da Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina alcançou R$ 74,9 bilhões em 2025, um crescimento de 15,1% em relação ao ano anterior. O desempenho é considerado histórico e reflete a combinação de aumento nos preços e avanço na produção, segundo boletim divulgado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).
De acordo com o levantamento, os preços agropecuários subiram, em média, 6,3%, enquanto o volume produzido cresceu 9,5% no período. O resultado consolida o agronegócio como um dos principais pilares da economia catarinense.
Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço estão milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos. Segundo o analista da Epagri/Cepa, Luiz Toresan, o bom desempenho foi favorecido por condições climáticas positivas e um cenário de preços, em geral, favorável ao produtor.
No mercado externo, o setor manteve forte participação. Em 2025, o agronegócio respondeu por mais de 65% das exportações do estado, somando US$ 7,9 bilhões — alta de 5,8% em relação a 2024, mesmo diante de um ambiente internacional mais desafiador.
Autoridades estaduais atribuem o resultado à combinação entre políticas públicas e desempenho da cadeia produtiva. Em nota, o governador Jorginho Mello afirmou que o número “mostra a força do agro em Santa Catarina”, destacando o acesso a mercados exigentes e o apoio a produtores afetados por perdas. Já o secretário de Agricultura, Admir Dalla Cort, ressaltou o “crescimento expressivo da produção e o recorde nas exportações”.
Apesar do avanço no faturamento, o boletim chama atenção para a crescente influência da volatilidade de preços sobre a renda no campo. No período pós-pandemia, entre 2021 e 2025, as oscilações de mercado passaram a impactar mais os resultados do que as variações climáticas.
Segundo a Epagri/Cepa, em praticamente todas as culturas analisadas, a variação de preços superou a de produtividade — com destaque para arroz, cebola e alho.
O analista Luis Augusto Araujo aponta diferenças importantes entre os ciclos produtivos. “As culturas de verão tendem a oferecer maior estabilidade e retorno sobre o capital investido, enquanto as de inverno podem gerar margens elevadas por hectare, mas com maior risco e exigência de capital”, explica. Em alguns casos, como o alho, a margem bruta pode ultrapassar R$ 70 mil por hectare.
Outro indicador relevante é o chamado ponto de nivelamento, que define o limite mínimo de preço e produtividade para garantir a viabilidade econômica. Culturas como soja e alho operam com maior margem de segurança, enquanto arroz e cebola apresentam menor folga, ficando mais expostas a perdas em cenários adversos.
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