Agro brasileiro alia produção recorde a práticas sustentáveis

Setor avança em escala enquanto consolida modelos estruturados de ESG, como o Sistema Campo Limpo

13.04.2026 | 14:59 (UTC -3)
Nathalie Campoy

Em um momento em que mercados internacionais ampliam a pressão por critérios ESG nas cadeias produtivas, o agronegócio brasileiro já opera há mais de duas décadas com modelos estruturados de sustentabilidade em larga escala. Esse movimento ganha ainda mais relevância diante do crescimento da produção.

A safra brasileira de grãos está projetada em 353,8 milhões de toneladas em 2025/2026, o maior volume da história, o que reforça a necessidade de soluções eficientes e estruturadas para garantir sustentabilidade em escala. Nesse contexto, o agronegócio brasileiro se destaca por integrar produtividade e responsabilidade ambiental em sua operação. 

Um dos principais exemplos é o Sistema Campo Limpo, programa de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas que, desde 2002, conecta indústria, distribuidores, agricultores e poder público em um modelo de responsabilidade compartilhada.  Ao longo desse período, o Sistema já destinou corretamente 902 mil toneladas de embalagens, consolidando-se como um dos maiores programas de logística reversa do mundo. Apenas em 2025, foram 75.996 toneladas, o maior volume anual registrado desde o início das operações. 

A estrutura do Sistema Campo Limpo é baseada em escala e eficiência operacional. Atualmente, conta com mais de 400 unidades de recebimento distribuídas pelo país, permitindo o acesso de produtores rurais à devolução adequada das embalagens mesmo em regiões distantes dos grandes centros. 

Além da destinação ambientalmente correta, o modelo também impulsiona a economia circular no campo. As embalagens passam por processos estruturados de transformação e dão origem a novos materiais. Hoje, o Sistema conta com 38 artefatos homologados, incluindo embalagens e tampas, além de itens como tubos e conduítes utilizados em diferentes setores. 

Outro diferencial está na governança. O funcionamento do Sistema Campo Limpo é baseado na responsabilidade compartilhada, com funções bem definidas entre os elos da cadeia. Agricultores realizam a devolução adequada das embalagens, canais de distribuição recebem e organizam o fluxo, a indústria garante a destinação final e o poder público atua na regulamentação e fiscalização. 

Para o diretor-presidente do inpEV, Marcelo Okamura, o modelo brasileiro demonstra que é possível crescer em escala mantendo práticas sustentáveis estruturadas. “O agro brasileiro mostra que é possível avançar em produtividade com responsabilidade. O Sistema Campo Limpo é um exemplo concreto de como sustentabilidade e eficiência caminham juntas, com resultados mensuráveis e impacto positivo para toda a cadeia”, afirma. 

Em um cenário global que exige cada vez mais transparência e compromisso ambiental, o agro brasileiro se posiciona de forma competitiva ao já contar com soluções consolidadas e operacionais. O Sistema Campo Limpo reforça esse papel ao mostrar que a sustentabilidade no campo é parte essencial da própria lógica de produção. 

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