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Semana termina com chuvas nas principais áreas agrícolas do Brasil
A AGCO registrou receita líquida de US$ 2,26 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro por ação recuou de US$ 4,09 para US$ 0,75. A base de comparação está elevada pelo ganho com a venda da participação da empresa na fabricante indiana TAFE, que acrescentou US$ 2,93 por ação ao resultado do terceiro trimestre de 2025. O resultado ajustado por ação passou de US$ 1,35 para US$ 1,05. A companhia divulgou os números nesta quinta-feira (29/10) e apontou o enfraquecimento da demanda mundial por máquinas agrícolas como principal fator para o desempenho.
A receita acumulada nos nove primeiros meses alcançou US$ 7,22 bilhões, crescimento de 0,7% sobre igual intervalo de 2025. Sem o efeito favorável da conversão cambial, as vendas acumuladas apresentaram retração de 2,7%. O lucro ajustado por ação somou US$ 3,42, ante US$ 3,11 no ano anterior.
O lucro operacional do terceiro trimestre atingiu US$ 116,1 milhões, redução de 23,4%. A margem operacional caiu de 6,1% para 5,1%. Considerando os ajustes contábeis, o lucro operacional alcançou US$ 137 milhões, queda de 25,9%, com margem de 6,1%.
Eric Hansotia, presidente do conselho e CEO da AGCO, afirmou que a indústria mundial de máquinas agrícolas enfrenta seu ambiente de demanda mais fraco em mais de uma década. Segundo o executivo, os custos elevados de produção, as incertezas nos mercados de commodities e no comércio internacional e as dificuldades de rentabilidade dos produtores reduziram os investimentos em equipamentos.
A fabricante respondeu ao cenário com ajustes na produção, controle dos estoques nas concessionárias e redução de custos. As horas de produção recuaram 19% no terceiro trimestre, na comparação anual. Para o conjunto de 2026, a companhia projeta queda de cerca de 5% na produção.
A América Latina apresentou receita de US$ 292,3 milhões no terceiro trimestre, redução de 15,4% sobre os US$ 345,5 milhões registrados um ano antes. Desconsiderando os efeitos cambiais, a retração alcançou 19,1%. Desde janeiro de 2026, o segmento inclui as operações do México, antes contabilizadas na América do Norte. Os números de 2025 foram refeitos para manter a comparação.
A AGCO atribuiu o resultado à menor demanda por máquinas agrícolas. A redução dos volumes de vendas e produção também pressionou a rentabilidade regional. O lucro operacional ficou US$ 13 milhões abaixo do registrado no terceiro trimestre de 2025.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita latino-americana atingiu US$ 775,3 milhões, queda de 16,8%. Em moeda constante, a redução chegou a 22,7%.
O mercado brasileiro apresentou retração. Segundo estimativas da companhia, as vendas de tratores ao consumidor final diminuíram 17% nos nove primeiros meses de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. As comercializações de colheitadeiras recuaram 38%.
A fabricante destacou a redução da demanda por equipamentos de maior porte. Juros elevados, restrições de crédito e menor rentabilidade agrícola limitaram os investimentos dos produtores. As incertezas econômicas e políticas também contribuíram para o adiamento das compras.
A América do Norte apresentou movimento contrário. A receita regional avançou 34,8%, para US$ 485,3 milhões. Sem os efeitos cambiais, o crescimento alcançou 35,1%.
A expansão resultou de maiores volumes comercializados na maioria das categorias, principalmente tratores de alta e média potência e peças de reposição.
O resultado operacional passou de prejuízo de US$ 42 milhões no terceiro trimestre de 2025 para lucro de US$ 13,8 milhões em 2026. O desempenho recebeu contribuição de aproximadamente US$ 13 milhões em restituições de tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos com base na IEEPA, lei de poderes econômicos emergenciais. Em fevereiro, a Suprema Corte americana decidiu que essa lei não autorizava as tarifas. Sem as restituições, o resultado operacional da região ficaria próximo do equilíbrio. A AGCO ressalta que os valores ainda estão sujeitos à revisão da alfândega americana e a recurso do governo na Justiça, e que a empresa pode ter de devolvê-los.
Apesar do crescimento da AGCO, o mercado norte-americano de máquinas agrícolas permaneceu em retração. As vendas setoriais de tratores diminuíram 9% entre janeiro e setembro, excluindo modelos compactos. As vendas de colheitadeiras recuaram 10%.
Na Europa e no Oriente Médio, a receita da AGCO caiu 19,1%, para US$ 1,31 bilhão. A retração alcançou 18,1% em moeda constante. Alemanha, França, Itália e Espanha concentraram as principais reduções.
A região da Ásia, Pacífico e África apresentou crescimento de 13,8%, com receita de US$ 178,8 milhões. O avanço chegou a 9,2% sem os efeitos cambiais, impulsionado principalmente pelas vendas na Austrália.
Para 2026, a AGCO estima receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões. A companhia projeta margem operacional ajustada próxima de 7% e lucro ajustado de aproximadamente US$ 5,50 por ação.
As estimativas consideram as políticas tarifárias vigentes em 29 de outubro, além das medidas de mitigação e estratégias de fornecimento adotadas pela fabricante. Mudanças nas tarifas comerciais poderão alterar as projeções.
A empresa planeja a produção de modo a ajustar os estoques das concessionárias à demanda do mercado e prevê nova redução desses estoques. A estratégia também contempla investimentos em tecnologias para elevar a eficiência operacional das propriedades agrícolas.
Entre as iniciativas, a AGCO destacou os sistemas de pulverização localizada com inteligência artificial, soluções autônomas e tecnologias da PTx. A proposta inclui a instalação de recursos de agricultura de precisão em equipamentos existentes, inclusive de outras marcas, sem necessidade de substituição integral das máquinas.
Segundo Hansotia, a companhia busca ampliar a produtividade e melhorar a rentabilidade dos produtores, ao mesmo tempo em que fortalece sua própria estrutura de custos.
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