Ácaro predador mantém população sob piretroides em macieiras

Estudo revela tolerância de Amblyseius andersoni e variação entre linhagens

20.03.2026 | 07:41 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

Populações do ácaro predador Amblyseius andersoni persistem em pomares de maçã mesmo após aplicações repetidas de inseticidas piretroides. O resultado contraria a expectativa de impacto negativo sobre inimigos naturais. A constatação surge de experimentos de campo e laboratório conduzidos no nordeste da Itália.

Os ensaios de campo ocorreram em pomares das cultivares Granny Smith e Golden Delicious, com até seis aplicações de inseticidas. Os tratamentos incluíram deltametrina, lambda-cialotrina, tau-fluvalinato e etofenproxi. As avaliações acompanharam a densidade de ácaros predadores ao longo do tempo. Os dados indicaram ausência de efeito significativo dos inseticidas sobre as populações. As flutuações observadas decorreram do tempo, não do tratamento.

Espécie dominante

A espécie Amblyseius andersoni dominou a comunidade de fitoseídeos nos pomares avaliados. Em alguns casos, outras espécies ocorreram de forma marginal. Mesmo sob pressão química, a densidade do predador manteve estabilidade. O resultado sugere tolerância a piretroides em condições reais de manejo.

O estudo também avaliou o efeito da deltametrina em laboratório. Cinco linhagens do predador entraram nos testes. Três vieram de empresas de controle biológico. Duas vieram de pomares comerciais, um convencional e outro orgânico. A exposição ocorreu na dose máxima recomendada para campo.

Os resultados mostraram forte variação entre linhagens. Uma linhagem comercial apresentou mortalidade total após exposição. As demais mantiveram alta sobrevivência, sem diferença em relação ao controle. O contraste indica diversidade de suscetibilidade dentro da espécie.

Variação de fecundidade

A fecundidade também variou entre linhagens. O inseticida não reduziu a oviposição das fêmeas sobreviventes. As diferenças ocorreram entre origens genéticas, não pelo efeito direto da deltametrina. Linhagens comerciais exibiram maior produção de ovos em comparação às coletadas em campo.

Os dados de laboratório reforçam a interpretação dos ensaios de campo. Populações presentes em pomares toleram a exposição ao inseticida. Essa tolerância pode sustentar o controle biológico mesmo com uso de piretroides.

Contexto do manejo

O trabalho também discute o contexto do manejo. Piretroide apresenta baixa seletividade para inimigos naturais. Ainda assim, seu uso cresceu em função de pragas invasoras na Europa, como Halyomorpha halys. A pressão por controle químico aumentou em regiões produtoras.

Historicamente, piretroides provocaram efeitos negativos em ácaros predadores. Estudos anteriores registraram redução de sobrevivência e fecundidade. O novo resultado indica mudança no cenário. Populações atuais podem apresentar adaptação ou seleção ao longo do tempo.

A persistência de Amblyseius andersoni ajuda a explicar a ausência de surtos secundários de ácaros fitófagos em áreas tratadas. O predador mantém a regulação natural das pragas. O equilíbrio ecológico do pomar conserva-se mesmo com aplicações químicas.

Os autores destacam a importância de avaliar diferentes linhagens em estudos toxicológicos. Resultados baseados em uma única população podem gerar conclusões limitadas. A variabilidade intraespecífica altera a resposta aos inseticidas.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17030338

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