Abelhas resolvem problema sem treino prévio

Estudo com Bombus terrestris indica uso espontâneo de objeto para alcançar recompensa em flor artificial

05.06.2026 | 14:22 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Rasbak - CC BY-SA 3.0
Foto: Rasbak - CC BY-SA 3.0

Abelhas-mamangavas (Bombus terrestris) conseguiram resolver, sem treino explícito, uma tarefa nova com uso de objeto. Estudo mostrou insetos movendo uma bola até uma flor artificial fora de alcance para obter recompensa com sacarose. O resultado indica ação dirigida a objetivo e amplia a compreensão sobre cognição em insetos.

Os pesquisadores testaram se as abelhas poderiam combinar duas experiências prévias. Elas haviam conhecido uma flor azul no piso, associada a recompensa, e também uma bola. Depois, a flor foi posicionada no teto da arena. Para alcançá-la, a abelha precisava rolar a bola pelo piso até a posição da flor e usá-la como apoio.

No experimento inicial, apenas as abelhas expostas antes à flor e à bola resolveram a tarefa. Abelhas com contato com apenas um dos elementos, ou sem exposição anterior, não chegaram à solução. Os insetos não receberam demonstração sobre o uso da bola como ferramenta.

A equipe também avaliou se o comportamento resultava de acaso. Em outro teste, a flor ficou escondida atrás de uma parede opaca em uma arena retangular. As abelhas primeiro observaram o lado com a flor. Depois, a visão foi bloqueada. Para obter a recompensa, elas precisavam lembrar o lado correto e transportar a bola até aquele ponto sem orientação visual direta.

A maioria das abelhas, 23 de 30, escolheu corretamente na primeira tentativa. Segundo o artigo, o tempo gasto na inspeção do compartimento com a flor foi a única variável comportamental associada ao sucesso.

Os cientistas afirmam que os resultados sugerem ações orientadas por objetivo, e não associações simples por reforço ou pistas visuais durante o deslocamento. A pesquisa desafia a ideia de que formas avançadas de solução de problemas dependem de cérebros grandes em vertebrados.

Outras informações em doi.org/10.1126/science.ady1618

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