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Abelhas-melíferas podem atuar como bioindicadores da contaminação ambiental por substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS). Pesquisadores encontraram maior ocorrência e concentração desses compostos em Apis mellifera coletadas em áreas de alto risco no Vêneto, nordeste da Itália. A pesquisa também identificou diferenças na composição da microbiota intestinal entre locais de alta e baixa exposição.
O trabalho analisou 15 apiários distribuídos por áreas de risco alto, intermediário e baixo. Em julho de 2024, os pesquisadores coletaram cerca de 300 abelhas campeiras de uma colmeia central de cada apiário. A análise investigou 14 PFAS, 292 resíduos de pesticidas e 11 patógenos.
Todos os sete apiários da área de alto risco apresentaram pelo menos um PFAS. Compostos de cadeia curta predominaram. O PFBA apareceu em todas as amostras desse grupo. Um apiário apresentou nove PFAS. Nesse local, o PFOA atingiu 3,03 microgramas por quilograma. Nas áreas de risco intermediário e baixo, a ocorrência caiu e vários apiários não apresentaram os compostos pesquisados.
A avaliação da microbiota envolveu seis apiários. Os gêneros Lactobacillus, Bartonella, Bombilactobacillus, Snodgrassella, Gilliamella, Bifidobacterium e Gluconacetobacter responderam por cerca de 80% da comunidade bacteriana. A composição apresentou diferença significativa entre as áreas de alto e baixo risco. Lelliottia e Klebsiella mostraram maior abundância na área de alta exposição do que na de baixa exposição. A Lelliottia, porém, representou menos de 1% da comunidade. Segundo os autores, esse aumento pode refletir a contaminação ambiental de modo geral, e não necessariamente os PFAS.
Os cientistas classificam os resultados sobre microbiota como preliminares. O número reduzido de apiários e a presença simultânea de pesticidas e patógenos dificultam atribuir as alterações aos PFAS. Mesmo assim, o estudo sustenta o uso de abelhas como sentinelas para mapear a pressão química sobre ecossistemas (doi 10.3390/insects17101027).
Substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) são compostos sintéticos produzidos desde a década de 1940. Em sua estrutura, átomos de flúor substituem os de hidrogênio na cadeia de carbono. A ligação entre carbono e flúor, muito forte, confere alta estabilidade química e térmica. Por isso, essas substâncias são usadas em revestimentos têxteis, embalagens de alimentos, espumas de combate a incêndio, cosméticos e pesticidas. A mesma estabilidade faz com que persistam por longos períodos no solo, na água e no ar, o que lhes rendeu o apelido de "químicos eternos". Os PFAS também se acumulam em tecidos de animais e humanos. Os compostos de cadeia curta surgiram como alternativas supostamente menos tóxicas aos de cadeia longa. Estudos, porém, indicam persistência e toxicidade semelhantes.
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