Produção de tomate cresce no RS, mas preços recuam

Aumento da oferta e pico da colheita no verão impactam a remuneração dos produtores

16.01.2026 | 15:57 (UTC -3)
Adriane Bertoglio Rodrigues, edição Revista Cultivar
Foto: Tiago Bald
Foto: Tiago Bald

A produção de tomate no Rio Grande do Sul apresenta bom desempenho neste início de ano, com lavouras em fase de colheita e frutos de qualidade satisfatória em diversas regiões do Estado. No entanto, o avanço da oferta, típico do período, mantém os preços em patamares inferiores ao esperado pelos produtores.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS, divulgado na quinta-feira (15), na região administrativa de Caxias do Sul, o tomate de maior calibre e qualidade comercializado na Ceasa/Serra registra preços entre R$ 2,44 e R$ 3,00 por quilo. Apesar disso, no mercado em geral, os produtores vêm recebendo R$ 40,00 ou menos pela caixa de 20 quilos, valor considerado baixo diante dos custos de produção. A expectativa é de que a oferta aumente ainda mais ao longo de janeiro, período de pico da colheita, já que a maior parte das lavouras foi transplantada entre outubro e novembro.

Produtores que cultivam tomate em ambiente protegido conseguem estender o calendário de colheita até o início do inverno, com transplantio realizado até janeiro. No momento, porém, as chuvas frequentes têm dificultado a realização de tratamentos e controles fitossanitários.

Na região de Lajeado, em municípios como Feliz, o tomate cereja está em plena frutificação e colheita. Parte das lavouras já se encontra em fase final, mas a produção ocorre praticamente ao longo de todo o ano. Não há registro de problemas fitossanitários, e os frutos apresentam boa coloração e aceitação no mercado, com preços variando entre R$ 6,00 e R$ 8,00 por quilo.

Em Vale Real, o cultivo ocorre tanto a campo quanto em ambiente protegido. Nas áreas a céu aberto, as lavouras estão no final da colheita, com frutos de menor calibre e dificuldades de comercialização devido à qualidade. Já nas estufas, foram observados casos de pragas como mosca-branca, pulgão e tripes, resultando em prejuízos pontuais. No município, o tomate é cultivado principalmente em duas épocas: agosto, cuja safra está em encerramento, e fevereiro. Os preços na Ceasa variam de R$ 15,00 a R$ 40,00 por caixa de 20 quilos, enquanto no comércio local ficam entre R$ 30,00 e R$ 40,00.

Olerícolas mantêm bom desempenho, com desafios pontuais

Além do tomate, as olerícolas apresentam, em geral, bom desenvolvimento no Estado, embora o excesso de umidade tenha imposto desafios em algumas regiões.

Na região de Bagé, especialmente em Uruguaiana, as folhosas recuperaram a produtividade após perdas causadas pelo calor no fim de dezembro. Com clima mais ameno e uso de ambiente protegido, culturas como alface e rúcula mostram ótimo desenvolvimento, enquanto couve, salsa e cebolinha apresentam desempenho satisfatório. O controle de pragas tem sido eficiente, e a demanda permanece estável.

Na região de Ijuí, as lavouras seguem se desenvolvendo bem, mas a umidade elevada aumentou a incidência de doenças e dificultou a aplicação de fungicidas. Em algumas áreas, folhosas cultivadas a campo, como alface e repolho, perderam padrão comercial devido à ocorrência de podridões.

Já em Santa Maria, as chuvas frequentes e bem distribuídas favoreceram a reposição hídrica e sustentam o bom desempenho das olerícolas, especialmente nos cultivos irrigados. As folhosas apresentam qualidade satisfatória, com controle eficiente de doenças em situações pontuais.

Na região de Pelotas, as condições climáticas têm sido favoráveis ao preparo do solo, plantio e desenvolvimento das lavouras. A redução da oferta e o aumento da demanda elevaram os preços de diversas hortaliças, como alface, couve, couve-manteiga e salsa, além de leve alta no valor do pimentão. Em Herval, o plantio de moranga Cabotiá já alcança 90% da área prevista.

Em Santa Rosa, após danos causados por chuvas intensas nas semanas anteriores, os produtores reorganizaram áreas afetadas, refazendo canteiros e replantando mudas. As chuvas mais recentes não provocaram novos prejuízos e ajudaram a manter a umidade do solo em níveis adequados. Além das folhosas mais rústicas, são colhidos abóbora, moranga e pepino, destinados ao autoconsumo ou à venda direta. Apesar da boa produtividade dos pepônios, a recorrência de chuvas tem favorecido doenças foliares, reduzindo o potencial produtivo. Os preços seguem estáveis.

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