Mercado Agrícola - 16.jan.2026

China sustenta fundamentos e soja reage após susto do USDA

16.01.2026 | 08:16 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional da soja reagiu após o relatório do USDA ampliar a projeção de safra sem ajuste equivalente na demanda. As cotações em Chicago perderam força no início da semana, buscaram acomodação e voltaram a ensaiar recuperação. O contrato março tenta sustentar US$ 10,40 por bushel. O julho mira US$ 10,70 e mantém fôlego para US$ 11.

O principal suporte veio da China. O governo chinês confirmou importações de 8,04 milhões de toneladas em dezembro. O volume acumulado de 2025 superou 112 milhões de toneladas. A soja brasileira respondeu por quase 90 milhões de toneladas. As compras cresceram 6,5% no ano. O número ficou acima da projeção do USDA para o período, estimada em 108 milhões de toneladas.

A leitura do mercado aponta atraso do USDA nas estimativas. A projeção oficial indica 112 milhões de toneladas para 2025/26. Analistas veem espaço para volumes maiores em 2026. A demanda interna chinesa por proteína segue firme. O consumo envolve suínos, aves, peixes, ovos e leite. O mercado trabalha com importações entre 115 e 118 milhões de toneladas. Há expectativa de volumes próximos de 120 milhões, diante de estoques estratégicos.

O relatório do USDA projetou safra brasileira em 178 milhões de toneladas. As condições de campo indicam colheita entre 175 e 180 milhões. A estimativa segue alinhada ao potencial produtivo. A colheita começou lenta, perto de 1%. O atraso concentra trabalhos em fevereiro e março. A janela do milho safrinha perde espaço.

No mercado interno, os negócios avançam. A safra 2024/25 tem cerca de 90% comercializada. A média alcança 91%. A safra nova registra 32% negociada, em linha com o ano anterior e abaixo da média de 37%. O produtor enfrenta relação de troca apertada. A colheita deve pressionar a oferta. Os prêmios seguem positivos no curto prazo. A tendência aponta recuo quando a colheita alcançar 40% a 50% e os portos acumularem volume. Chicago mostra leve viés de alta, mas março concentra grande oferta.

Situação do milho

O milho sentiu o impacto do aumento de safra nos Estados Unidos e na China. Os estoques cresceram. Mesmo assim, a relação entre produção e consumo indica déficit. Os fundamentos permanecem positivos. Chicago recuou e retomou alta gradual.

No Brasil, a safra de verão soma 113,3 milhões de toneladas. O mercado negociou cerca de 92 milhões, o que representa 81,2%. A média histórica alcança 82%. O produtor ainda detém 21,3 milhões de toneladas da safra atual. Da safra anterior restam cerca de 4 milhões. O total disponível chega a 25,3 milhões de toneladas. A colheita avança lentamente, entre 2% e 3%. O ritmo deve ganhar força nas próximas semanas. A produção da primeira safra projeta entre 25 e 26 milhões de toneladas, com lavouras em boas condições e clima favorável.

Situação do arroz

O arroz apresenta lavouras em bom estado na maioria das regiões. A colheita ocorre de forma pontual no litoral norte de Santa Catarina, com baixo peso no volume nacional. O varejo compra pouco. Os preços no pacote de 5 quilos variam de R$ 9,89 a R$ 27,89. As promoções concentram valores entre R$ 12 e R$ 17.

No Paraguai, a colheita alcança cerca de 10%. Parte das lavouras apresenta bom desempenho, mas metade da área enfrenta perdas relevantes. A safra deve cair. A Argentina inicia colheitas com área e potencial menores. O Uruguai repete o cenário. O mercado asiático registrou nova queda nas cotações. Apesar disso, o consumo global deve superar a produção. Os estoques tendem a recuar na nova temporada.

Situação do feijão

O feijão da primeira safra entra em colheita com oferta restrita. O produtor retém o produto. O comprador busca volume. O mercado reage com viés positivo. O feijão carioca nobre varia de R$ 230 a R$ 250 por saca. O carioca comercial opera entre R$ 210 e R$ 230. O feijão preto mostra maior reação. Os preços indicam R$ 145 a R$ 170. No Paraná, negócios superam R$ 150, com pedidas entre R$ 170 e R$ 180. A área plantada caiu cerca de 50% no estado. A oferta segue curta. A demanda tende a ganhar força nas próximas semanas.

Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

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