Diabrotica speciosa

22.06.2025 | 19:33 (UTC -3)

Diabrotica speciosa (Germar, 1824), conhecida como vaquinha, brasileirinho ou patriota na fase adulta e como larva-alfinete na fase larval, é um dos crisomelídeos de maior importância agrícola da América do Sul. Causa danos em milho, batata, feijão, soja, amendoim e diversas hortaliças, tanto pela alimentação das larvas no solo quanto pela dos adultos na parte aérea.

Taxonomia e identificação

Diabrotica speciosa pertence à ordem Coleoptera, família Chrysomelidae, subfamília Galerucinae, tribo Luperini, subtribo Diabroticina. Os parênteses na autoria indicam que a espécie foi descrita originalmente em outro gênero. São reconhecidas as subespécies Diabrotica speciosa speciosa e Diabrotica speciosa vigens (Cabrera Walsh et al., 2020).

O gênero Diabrotica reúne mais de 400 espécies descritas, em sua maioria neotropicais. Tradicionalmente, divide-se nos grupos virgifera, fucata e signifera, embora estudos com espécies sul-americanas indiquem limites menos nítidos do que se supunha. Diabrotica speciosa integra o grupo fucata, cujas espécies estudadas são polífagas como larvas e adultos, multivoltinas e passam o inverno na fase adulta. Isso a distingue das espécies do grupo virgifera, como Diabrotica virgifera virgifera, que são univoltinas e sobrevivem ao inverno como ovos em diapausa (Cabrera Walsh et al., 2020).

O adulto mede cerca de 5 a 7 mm e tem coloração geral verde, com três manchas amarelas transverso-ovais em cada élitro. A cabeça é castanho-avermelhada, as antenas são escuras e filiformes, com 11 artículos, e as tíbias são negras (Ávila & Milanez, 2004; Viana, 2010). Separa-se de Diabrotica viridula, que também ocorre em milho no Brasil, pelos élitros lisos e pela cabeça castanho-avermelhada; em Diabrotica viridula, os élitros têm costelas e a cabeça é verde. Na sexagem, a antena dos machos (cerca de 5 mm) é mais longa que a das fêmeas (cerca de 4 mm) (Ávila & Milanez, 2004).

Biologia e ciclo de vida

Diabrotica speciosa é holometábola, e a duração de cada fase depende fortemente da temperatura. Para o ovo, a temperatura-base é de 11,1 °C e a constante térmica, de 119,1 graus-dia; o período embrionário cai de 19,6 dias a 18 °C para 5,7 dias a 32 °C (Milanez & Parra, 2000a). O período larva-adulto varia de cerca de 25 dias em plântulas de milho a 36,5 dias no hospedeiro menos favorável (Ávila & Parra, 2002). Com a constante térmica estimada para o ciclo ovo-adulto, de cerca de 475 graus-dia, o ciclo completo leva aproximadamente 35 dias a 25 °C e 26 dias a 30 °C (Milanez, 1995, citado por Laumann et al., 2003).

As fêmeas ovipositam no solo, junto à base das plantas, e preferem solos escuros, ricos em matéria orgânica e úmidos (Milanez & Parra, 2000b). Os ovos são amarelados e medem cerca de 0,65 × 0,36 mm (Ávila & Milanez, 2004). A fecundidade depende do alimento do adulto e da temperatura: fêmeas alimentadas com folhas de feijoeiro puseram cerca de 800 ovos a 20 e 25 °C, mas cerca de 300 a 30 °C (Ávila & Parra, 2001). Com folhas de soja ou nabo forrageiro, a postura ficou entre 225 e 325 ovos, e com folhas de milho ou trigo foi praticamente nula (Bitencourt & Ávila).

A fase larval tem três ínstares e é subterrânea. As larvas são esbranquiçadas, com cabeça e placa anal escuras, e chegam a cerca de 10 mm (Viana, 2010). Alimentam-se de raízes e, em batata, perfuram os tubérculos, produzindo os pequenos orifícios que deram origem ao nome larva-alfinete. A pupa forma-se em câmara no solo.

Os adultos são diurnos e polífagos. Comem sobretudo folhas, mas também flores, estigmas e frutos, e preferem folhas de feijoeiro e soja às de milho e arroz (Marques et al., 1999). A longevidade varia com a temperatura: superou 100 dias a 20 °C, ficou entre 44 e 57 dias a 25 °C e não chegou a 21 dias a 30 °C, com adultos alimentados com feijoeiro (Ávila & Parra, 2001).

Não há diapausa de ovos. Nas populações de áreas temperadas e subtropicais mais frias, há indícios de diapausa reprodutiva dos adultos no inverno (Cabrera Walsh et al., 2020). Em campo, as gerações são contínuas e sobrepostas. Na Argentina, a emergência de adultos ocorreu com médias semanais acima de 13 °C, o que corresponde a cerca de três gerações anuais nas áreas temperadas e a pelo menos cinco nas subtropicais (Cabrera Walsh et al., 2013).

Distribuição, hospedeiros e inimigos naturais

Diabrotica speciosa ocorre em toda a América do Sul, exceto no Chile, da estepe patagônica aos trópicos e acima de 2.500 m de altitude (Cabrera Walsh et al., 2020). No Brasil, há registros em praticamente todos os estados. A EPPO a mantém na lista A1 de pragas quarentenárias ausentes desde 2002.

Os adultos têm mais de 132 hospedeiros registrados em 24 famílias botânicas. As larvas têm pelo menos cinco hospedeiros confirmados em campo: milho, trigo, capim-massambará (Sorghum halepense), amendoim e batata; outras espécies, como a soja, sustentaram o desenvolvimento em laboratório (Cabrera Walsh, 2003; Cabrera Walsh et al., 2020). O milho é o melhor alimento para as larvas, e o feijoeiro, o mais adequado para os adultos (Ávila et al., 2019).

São conhecidos dois parasitoides de adultos: Celatoria bosqi (Diptera: Tachinidae) e Centistes gasseni (Hymenoptera: Braconidae). O parasitismo natural fica geralmente entre 1% e 28% e é maior no fim da safra, quando a maior parte do dano já ocorreu. Há pelo menos dez predadores generalistas registrados para adultos, mas nenhum predador ou parasitoide de larvas foi documentado na América do Sul (Cabrera Walsh et al., 2020).

Danos e importância econômica

Em milho, as larvas destroem as raízes e reduzem a ancoragem, o que leva ao acamamento e ao encurvamento da base do colmo conhecido como "pescoço de ganso". Em plantas jovens, houve redução da massa seca de raízes e parte aérea e da altura desde as menores densidades testadas, e o nível de controle foi estimado abaixo de 40 larvas por planta (Marques et al., 1999). A perda real em lavouras ainda é pouco quantificada, inclusive porque o dano não se distingue do causado por Diabrotica viridula (Cabrera Walsh et al., 2020).

Em batata, larvas e adultos causam danos, e as perfurações depreciam os tubérculos; no Brasil, os produtores consideram a espécie a principal praga da cultura. Os adultos desfolham plântulas de soja, feijão, algodão, girassol, fumo e outras culturas e atacam também flores e frutos, como uva de mesa (Cabrera Walsh et al., 2020). Os adultos ainda atuam como vetores de comovírus, entre eles o vírus do mosaico rugoso do feijoeiro e o do mosaico severo do caupi (EPPO).

Manejo integrado

A ausência de diapausa nos ovos, as gerações contínuas e a polifagia das larvas reduzem a eficácia da rotação de culturas, ao contrário do que ocorre com Diabrotica virgifera virgifera. Nas regiões temperadas, a semeadura antecipada do milho pode fazer as primeiras gerações de larvas encontrarem plantas mais desenvolvidas e menos suscetíveis (Cabrera Walsh et al., 2013).

Milho com a proteína Cry3Bb1 está disponível no Brasil e na Argentina desde 2010 e, em campo, manteve o dano às raízes abaixo do nível econômico (Cabrera Walsh et al., 2020). Variedades crioulas de milho com antibiose ou tolerância às larvas, como Pérola, Palha Roxa e Azteca, são fontes para o melhoramento (Costa et al., 2018; Costa et al., 2021).

No Brasil, há grande número de inseticidas registrados para Diabrotica speciosa em milho, batata e feijão, e a lista atualizada deve ser consultada no Agrofit. Para larvas em milho, o tratamento de sementes foi relatado como pouco eficiente, e as aplicações líquidas no sulco de semeadura deram melhores resultados; em batata, destacam-se os neonicotinoides (Cabrera Walsh et al., 2020). O regulador de crescimento lufenuron reduziu a fecundidade e a viabilidade dos ovos de adultos alimentados com folhas tratadas (Ávila & Nakano, 1999). Não há registro publicado de resistência a inseticidas em diabroticíneos sul-americanos, possivelmente por falta de estudos.

No controle biológico, nematoides entomopatogênicos mataram até 94% das larvas de terceiro ínstar (Heterorhabditis sp. RSC01) e 84% (Steinernema glaseri) em laboratório, sem efeito sobre ovos (Santos et al., 2011). Isolados de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae mataram larvas de terceiro ínstar em laboratório (Consolo et al., 2003), e há produtos registrados no Brasil à base de Beauveria bassiana e de Heterorhabditis bacteriophora.

As cucurbitacinas estimulam a alimentação dos diabroticíneos e permitem o uso de iscas tóxicas com cucurbitáceas amargas e inseticida. Em campo, apenas os machos foram atraídos a distância (cerca de 20 m); para as fêmeas, as cucurbitacinas agiram só como arrestantes. O composto floral 1,2-dimetoxibenzeno também atraiu adultos, e há evidência de um feromônio sexual produzido pelas fêmeas, ainda não identificado (Cabrera Walsh et al., 2020). Armadilhas adesivas amarelas podem ser usadas no monitoramento, de preferência associadas a esses atrativos. Para feijoeiro e soja, há limiares de ação baseados na amostragem de adultos ou na desfolha.

Modelos de graus-dia de laboratório previram mal a ocorrência de adultos em condições de semicampo, embora a temperatura do solo tenha dado estimativas mais próximas que a do ar (Ávila et al., 2002). Com gerações contínuas, sua utilidade prática se restringe a antecipar a primeira geração após o inverno.

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