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Testamos a semeadora-adubadora Maestro Duo 36.50, da HORSCH

24/06/2022

Com possibilidade de espaçamentos de 45, 50 e 76 centímetros, a Maestro Duo, da HORSCH, é uma semeadora-adubadora de precisão, com grande autonomia e que facilita o deslocamento entre talhões com 3,10 metros de largura no modo transporte

Depois da excelente oportunidade de testar no campo a semeadora HORSCH, modelo Maestro Evolution 36.50 para a edição de maio de 2021 da Revista Cultivar Máquinas, em Barreiras (BA), agora foi a vez de conhecer e testar o modelo Maestro Duo 36.50, em Terenos, no Mato Grosso do Sul. Ao contrário do modelo Maestro Evolution, que deposita apenas sementes, o modelo Duo, como indica seu nome, é uma máquina que realiza simultaneamente a deposição de sementes e de fertilizantes.

A Maestro Duo é uma semeadora-adubadora produzida no Brasil desde 2020, quando foi lançada e apresentada ao público em versões de 24, 30 e 36 linhas. A versão de 24 linhas pode ser adquirida pelos clientes da HORSCH com espaçamentos entre linhas de 45cm, 50cm ou 76cm. A oferta no espaçamento de 76cm é recente, atendendo às necessidades dos produtores de algodão e milho. Já as versões 30 e 36 linhas somente são oferecidas aos produtores nos espaçamentos de 45cm e 50cm, comumente adotados nas culturas de soja e milho. Desta forma, no momento da aquisição o cliente deve informar o espaçamento desejado, não sendo mais possível realizar alterações na máquina.

Como prova da aceitação da máquina pelo mercado, são contabilizadas inúmeras unidades comercializadas e trabalhando em diferentes regiões do País. Além disso, por ser produto nacional conta com a possibilidade de financiamento oficial, pois tem código Finame.

O projeto inovador, com independência da barra de plantio em relação ao depósito central, lembra o sistema de barras de um pulverizador 

DEPÓSITOS E ESTRUTURA

Como a máquina que testamos é um equipamento de grandes dimensões, composta de 36 linhas com espaçamento de 50cm, totalizando uma largura de trabalho de 18 metros, o projeto previu um sistema de articulação das barras de semeadura e fertilização, tornando a máquina autotransportável, ou seja, permite deslocamentos em estradas ou transporte em caminhões. Isto demandou do fabricante o desenvolvimento de um complexo trabalho de engenharia, que possibilitou reduzir a largura da máquina para 3,10 metros, quando totalmente fechada.

O depósito é dimensionado para um volume total de 9.000 litros, sendo 7.000 litros para o fertilizante e 2.000 litros para sementes

Para manter maior autonomia de trabalho, o depósito é dimensionado para um volume total de nove mil litros, sendo sete mil litros para o fertilizante e dois mil litros para sementes. Para facilitar o acesso durante a operação de abastecimento, o depósito foi projetado de modo a receber o fertilizante na parte frontal e as sementes na parte posterior, separados por comportas independentes. Os reservatórios possuem duas tampas amplas que favorecem o abastecimento, sendo a dimensão do bocal de fertilizante maior quando comparado ao de sementes. As entradas contam com uma grade de proteção que impede a passagem de fertilizante empedrado ou contaminantes que possam vir juntamente com as sementes, evitando comprometer a integridade dos mecanismos internos da semeadora. As tampas possuem travas e amortecedores para auxiliar a abertura e o fechamento, assim como uma borracha de vedação que garante o correto funcionamento do sistema pneumático. No fundo do depósito há um mecanismo agitador de acionamento hidráulico, que se ativa durante a realização de manobras, movimentando o fertilizante para evitar a compactação e posterior empedramento.

A união da máquina com o trator é realizada por meio de um robusto cabeçalho, igual ao que equipa o modelo Evolution, destacando-se a corrente de segurança com gancho, que serve para proteção contra o desengate, prevenindo possíveis acidentes.

As linhas de plantio estão conectadas a uma barra dividida em quatro seções que articulam copiando o terreno

Devido à exigência de uma vazão de aproximadamente 190 litros por minuto do sistema hidráulico, são necessárias quatro válvulas de controle remoto (VCRs). Uma VCR para acionamento das funções, uma para acionamento da turbina a vácuo com controle da vazão, uma para acionamento do soprador (sementes) com controle da vazão, e uma VCR para acionamento do soprador (adubo) com controle da vazão, que permite o funcionamento dos dosadores de sementes por meio de pressão negativa. Deve-se destacar a importância de um retorno livre, porque o sistema é dependente de fluxo hidráulico e não somente de pressão. Além das conexões hidráulicas, são necessários dois cabos condutores de eletricidade para a alimentação do Extra-Power, para as linhas de semeadura, no qual possuem mecanismos acionados eletricamente, como descreveremos mais à frente.

A ligação das barras de plantio com a estrutura da máquina é denominada bock, que está apoiado ao chassis. A estrutura do chassis está acoplada à barra de tração do trator e apoiada em pneus radiais na especificação 520/85 R42, sendo que a bitola dos rodados pode variar de 3,10m a 3,70m. Já o acesso à plataforma da máquina é feito por uma escada com cinco degraus, com superfície antiderrapante, sendo o último móvel e com apoio de pega-mãos e corrimãos que facilitam a estabilização e garantem a segurança aos trabalhadores.

Dois pistões conectados ao quadro central articulam a barra de plantio da posição de trabalho para o transporte rapidamente, deixando a semeadora com largura total de 3,10 metros

BARRA DE FERTILIZAÇÃO E SEMEADURA

Este equipamento é realmente inovador, pois apresenta uma estrutura central, como descrito anteriormente, onde estão alocados os depósitos de semente e fertilizante, circuito hidráulico, rodados, dosadores, turbina, caixa de ferramentas, dentre outros mecanismos, tendo-se de forma quase independente uma barra de semeadura e fertilização, muito semelhante a um pulverizador. Devido ao grande comprimento de barra, torna-se necessário igualar a pressão de abertura do sulco, em toda a extensão da barra. Para que isso seja possível, foi projetado um sistema de transferência de peso da estrutura de chassis e reservatório através do bock para as barras, que é feito por dois pistões hidráulicos dispostos em ambos os lados, e o sistema de pressão das linhas, constituído por cilindros hidráulicos que aplicam uma força vertical, variando de 150kgf a 330kgf nas linhas de semeadura. Todo esse processo ocorre pela ação de mecanismos de transferência de peso e pela aplicação de força complementar por meio dos cilindros hidráulicos auxiliares e braços de alavanca conjugados e controlados eletronicamente, sendo as regulagens feitas pelo operador diretamente de dentro da cabine do trator, alterando a configuração no monitor da HORSCH.

As torres de distribuição de adubo, localizadas sobre a barra de plantio, garantem o envio uniforme em todas as linhas

A barra, fixada ao bock, possui uma estrutura pantográfica, que permite levantar e abaixar as linhas de semeadura e fertilização, mantendo um ângulo de ataque uniforme em toda a extensão da barra. Ademais, durante o trabalho a barra se articula em quatro seções, localizadas no meio e no quadro central, sendo que a porção central se articula em outras duas partes.

A barra, composta pelas linhas de semeadura e fertilização, está apoiada em pneus com dimensões 550/60-22,5 de alta flutuação, que ampliam a superfície de contato, acarretando diminuição da compactação e redução na formação de rastros. Cabe ressaltar, que cada uma das linhas é identificada com seu respectivo número, facilitando a identificação pelo operador quando o monitor indicar obstrução de fluxo em uma das linhas. Para o recolhimento da barra, para transporte ou deslocamento, os pistões hidráulicos do bock levantam o quadro e, por ação de dois cilindros hidráulicos auxiliares, executam o recolhimento das seções da barra para frente, em direção ao depósito.

DOSADORES E LINHAS DE FERTILIZAÇÃO E SEMEADURA

A dosagem de fertilizante ocorre por meio de um dosador central, do tipo rotor acanalado, posicionado no fundo do depósito e acionado eletricamente. O fluxo de massa oriundo do depósito, após a passagem pelo mecanismo dosador segue por fluxo de ar positivo para as torres maiores, dispostas uma em cada lado da barra principal.

Dosador elétrico de sementes. A Horsch é pioneira no projeto de dosadores elétricos, com o sistema SOD (seed on demmand), que significa sementes por demanda

Das torres maiores, o fertilizante passa pelos divisores que encaminham o fluxo individualmente para cada uma das linhas, especificamente para a haste distribuidora, constituída de um sulcador sem ponteira. Próximo à saída há um sensor que informa ao operador possíveis anormalidades no fluxo de fertilizante.

Já as sementes se deslocam do reservatório por corrente de ar positiva até o divisor de fluxo, e por meio de mangueiras são abastecidas as linhas de semeadura. O fluxo de ar produzido pela turbina SOD, acionada hidraulicamente, conduz as sementes até o dosador, marca HORSCH, que utiliza a eletricidade do extra power para acionamento. Cabe destacar que a HORSCH é pioneira no projeto de dosadores elétricos e adota o sistema SOD, sigla em inglês do termo seed on demand, que significa dosagem de sementes pela demanda. As sementes que chegam ao mecanismo dosador aderem-se ao disco vertical pneumático por ação do vácuo, prendendo-se ao orifício. O local onde está inserido o disco é dividido em três partes, sendo, primeiramente, a de entrada da semente e atuação do vácuo, aderindo as sementes; em sequência o singulador, que atua eliminando sementes duplas (singulação), e, por último, a seção de corte da corrente de ar com pressão negativa. O corte da pressão provoca a queda da semente no tubo condutor, encaminhando-a até o sulco. A quantidade de semente dentro do dosador deve ser ajustada pela abertura da comporta, podendo ser regulada em uma escala de 0 a 6.

Na máquina que testamos havia um opcional, que consiste em um dispositivo para colocação de sementes pequenas na linha. O acionamento do dosador é elétrico e as sementes oriundas de um depósito especial de 600 litros são encaminhadas por corrente de ar até torres pequenas, posicionadas sobre a barra de semeadura e fertilização. Essas torres são semelhantes às utilizadas para fertilizante, porém de tamanho menor, e por meio de tubulações, as sementes chegam até as linhas de saída em cobertura. Além de sementes miúdas, o cliente ainda pode utilizar esse subsistema mecânico para outros produtos granulados, caso necessite depositar próximo à superfície.

Fixados à barra por meio de um paralelogramo e de forma alinhada estão os mecanismos de abertura, condicionamento do sulco, deposição de fertilizante e semente. Individualmente, cada linha de fertilização e semeadura é formada por uma sequência de componentes com diferentes funções. Primeiramente, temos o disco de corte de palha com diâmetro de 20 polegadas, responsável pelo corte e separação da palha, diminuindo o risco de acúmulo e embuchamento nos demais componentes. Conforme escolha do cliente, esse disco pode ser liso ou corrugado. Não poderíamos esquecer um importante diferencial dessa máquina, que é o dispositivo mecânico de ajuste do ângulo de ataque disco de corte, por meio de um pistão hidráulico conectado à estrutura, acionado diretamente no monitor de dentro da cabine. Sequencialmente, na parte posterior do disco de corte temos a haste distribuidora de fertilizante, equipada com um defletor, que evita a deposição de solo nos demais componentes, quando a semeadura é realizada condições de maior umidade, principalmente em solos mais argilosos.

Sistema de ajuste da profundidade de deposição de semente

O mecanismo que realiza a abertura do sulco para a colocação das sementes é do tipo disco duplo, com diâmetro de 16 polegadas. Nas laterais dos discos estão localizadas duas rodas de controle da profundidade, dispostas uma de cada lado, proporcionando ajuste centimétrico da profundidade de semeadura, sendo a regulagem realizada por meio de posicionamento de um pino em orifícios equidistantes. Cada posição combinada do pino e o orifício representa a variação de 0,6cm na profundidade. O pino no furo 1 parte de uma profundidade de 1,5cm e variando cada furo de 0,6 em 0,6cm. Em sequência, entram em ação as rodas compactadoras com ajuste de ângulo de trabalho, as quais exercem pressão de forma dirigida nas laterais do sulco, garantindo maior contato da semente com o solo, evitando-se a formação de bolsas de ar e perda de umidade, o que interfere diretamente na velocidade de germinação e emergência.

Outro diferencial que merece destaque nessa máquina é a diminuição de pontos de lubrificação, contando com apenas quatro, bem como a utilização de rolamentos blindados.

TESTE

Para o teste de campo com a HORSCH, modelo Maestro Duo 36.50, a equipe da Revista Cultivar e do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas foi até a Fazenda Jaraguá, município de Terenos, no estado do Mato Grosso do Sul. A Fazenda e suas operações pertencem ao Grupo WDuch, do senhor Walter Duch, que administra uma das áreas do Grupo Duch. Nessa fazenda, a área é de 6.500 hectares, cultivados com soja, milho e sorgo, intercalados com milheto e braquiária utilizados como plantas de cobertura em sistema de rotação. Tradicionalmente, é uma região de pecuária, mas atualmente não se pratica essa atividade na fazenda. A máquina, de propriedade do cliente, estava em perfeito estado, pois havia iniciado o trabalho recentemente na safrinha de milho, que ainda está por colher.

O teste foi realizado sobre uma cobertura de braquiária, após a passagem do rolo faca, constituindo uma grande massa verde que foi facilmente transpassada pelo sistema de corte da semeadora

Tivemos o apoio do senhor Benhardt Seitz, que é o operador de máquinas, encarregado de trabalhar na semeadura, e também do gerente-geral, Fernando Oliveira, que nos acompanharam durante todo o tempo e nos deram suporte para o teste de campo.

Trabalhamos sobre uma cobertura de braquiária rolada, que irá receber soja no próximo cultivo. Embora a safra do verão passado tenha sido seriamente afetada pela falta de chuvas na primeira metade do ciclo vegetativo, alguns talhões chegaram a produzir até 90 sacos de soja por hectare. O solo muito fértil é de textura bastante favorável, o que facilita também o processo de mecanização.

Durante a operação de semeadura e fertilização operamos a uma velocidade média de 7km/h com força vertical média das linhas a 180kgf. A todo momento era possível visualizar no monitor HORSCH, o comportamento do fluxo por linha e sermos avisados em caso de interrupção do fluxo.

O modelo testado, Maestro Duo 36.50, é composto de 36 linhas com espaçamento de 50cm, totalizando uma largura de trabalho de 18 metros 

Por parte do fabricante, mais uma vez tivemos o apoio do engenheiro agrônomo Samuel Barros, que é especialista em Marketing de Produto da marca e que, de maneira muito eficiente, nos explicou detalhadamente o funcionamento e nos proporcionou toda a estrutura e logística para o teste.

Tracionamos a semeadora HORSCH com um trator Fendt, modelo 1046 Vario, do cliente. Este trator tem um motor de seis cilindros, 476cv de potência máxima e transmissão CVT. O sistema hidráulico utiliza até duas bombas de vazão variável, podendo chegar a 410 litros por minuto e até seis válvulas de controle remoto. Na cabine do trator tínhamos dois monitores, o primeiro referente ao comportamento operacional do trator e o segundo dedicado à informação do desempenho da máquina, ambos posicionados no console lateral direito da cabine do trator.

DESTAQUES

Destacamos alguns pontos importantes, que visualizamos e apreciamos durante o conhecimento e o teste de campo com a máquina. Em primeiro lugar, evidenciar algo que já havíamos visto em outras duas máquinas da marca que submetemos aos tests drives, que é a qualidade industrial do produto, ressaltada em vários pontos, como o uso de materiais nobres, como o alumínio e o aço inoxidável, o processo de soldagem e pintura, a qualidade e colocação dos chicotes das linhas elétrica e hidráulica.

No monitor HORSCH Touch 800 é possível visualizar todas as informações das linhas de plantio, desde o número de sementes até mesmo a pressão das linhas sobre o solo

Durante o teste foi marcante a visualização da capacidade de articulação das linhas, em decorrência da irregularidade do terreno e a possibilidade de alterar a pressão das seções da barra, de dentro da cabine através do monitor padrão Isobus, on touch. Por sinal, é muito importante destacar que o monitor HORSCH Touch 800 é totalmente padronizado Isobus. Bastante interativo, oferece muita informação que pode ser configurada pelo cliente, de acordo com suas necessidades. É importante mencionar também que a HORSCH abre a possibilidade de que o cliente possa usar o monitor da marca do trator, informando este detalhe no momento da aquisição, apenas adquirindo a ativação. Isso proporciona a diminuição da quantidade de monitores dentro do ambiente de operação.

O Test Drive foi realizado no município de Terenos (MS), com o apoio do pessoal da Fazenda Jaraguá e da HORSCH

Já visto na Maestro Evolution, o modelo Duo também vem equipado com o simulador de semeadura, que proporciona realizar uma simulação da semeadura e fertilização com a máquina parada, através da simples configuração da velocidade operacional. Isto permite que se verifique a vazão de semente e fertilizante, sendo requisitos determinantes no estabelecimento da densidade de semeadura e na dose de fertilizante aplicada.

José Fernando Schlosser e
Daniela Herzog,
Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas – UFSM
Alexandre Russini,
Universidade Federal do Pampa - Unipampa

Revista Cultivar

 

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