Por que a tecnologia é importante para o avanço da agricultura regenerativa?
Por Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson
Com ameaça de chuva, mas sempre com a curiosidade de conhecer uma máquina nova em um ambiente diverso do normal para a equipe do Laboratório de Agrotecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), acompanhamos a equipe da Cultivar Máquinas ao município de Santa Cruz do Sul (RS) para o teste de campo do trator modelo OJA 3140 da Mahindra.
Este modelo, lançado na Agrishow de 2025, é fabricado e montado na Índia e trazido por importação direta para o Brasil. Sua efetiva comercialização se iniciou no segundo semestre do ano passado e a empresa vê um ótimo cenário de aceitação no país.
A linha OJA é mundial e na Índia tem sete modelos, com potência de motor que vão de 21 cv a 50 cv. Para o Brasil, foi trasido, inicialmente, o OJA 3140 de 40 cv. O nome da linha, OJA, deriva da palavra OJAS, que em sânscrito significa energia. Na Índia e no enorme mercado exterior da Mahindra, têm diferentes graus de pacotes tecnológicos formando os modelos PROJA, MYOJA e ROBOJA. Cada um destes modelos tem pacotes que incrementam o nível tecnológico.
Este modelo entra no portfólio da Mahindra como uma solução para pequenas propriedades, como um trator multiuso, preparado para equipamentos de transporte, enxada rotativa, pulverizadores e cultivadores, além de roçadora, mas também promete atender cultivos especiais, como o da fruticultura em pequenas áreas e da olericultura, além do manejo de material em aviários.
Para este tipo e tamanho de equipamento, é um trator moderno com detalhes que o destacam entre os concorrentes, como iluminação em LED, eixo dianteiro motriz, acesso à manutenção, reversor de fábrica, entre outros.
Durante o teste, tivemos o apoio da Concessionária Techmaq, que cedeu o trator em demonstração para o cliente. A Techmaq pertence a um grupo empresarial formado por dois sócios que montaram a loja matriz em Camaquã, há aproximadamente cinco anos, e recentemente fizeram ampliações, formando as lojas de Santa Cruz do Sul e de Santa Maria, todas no Rio Grande do Sul.
As lojas são concessionárias exclusivas da Mahindra para tratores e comercializam implementos de diferentes marcas, já dimensionados e recomendados para cada modelo da Mahindra. Estiveram nos apoiando durante o teste os senhores Michael Ritter, gerente comercial, e Fernando Weiss, do setor de vendas. Pela Mahindra, tivemos apoio de Josué Beutler, que é especialista em pós-venda da empresa e nos contou que, na importação deste modelo, o setor de pós-venda se organizou para que os concessionários possam atender todo o fornecimento de componentes de uso frequente e as peças de reposição estão sendo fornecidas pela Mahindra do Brasil em tempo recorde.
A proposta da empresa ao trazer este trator ao país é oferecer um modelo com as características já conhecidas da Mahindra, como robustez, economia, durabilidade e um pós-venda confiável.
A opção pelo OJA levou em conta o custo/benefício entre valor de aquisição e tecnologia aplicada no mercado-alvo. A empresa entende que a linha OJA tem a tecnologia apropriada para o mercado nacional. Para o mercado norte-americano, por exemplo, ela seria intermediária em relação aos modelos completos vendidos no exterior.
O OJA 3140 é equipado com um motor Mahindra 3 DI - I series, de três cilindros, com potência máxima de motor de 40 cv a uma rotação de 2.500 rpm. O torque máximo é de 133 Nm obtido a 1.650 rpm. É o primeiro trator da Mahindra no Brasil com três cilindros, produzindo uma potência específica de 13,3 cv por cilindro, com aspiração natural. A injeção é mecânica, utilizando uma bomba injetora em linha.
Uma das vantagens explicadas é que o conjunto motor/transmissão é projetado e fabricado pela própria Mahindra. A filtragem do ar que entra para o motor é do tipo seca, com duplo filtro, colocado à frente do motor e em lugar de fácil acesso.
Uma novidade é que o projeto previu uma grade de proteção ao radiador removível. Além de proteger o radiador de fechamento por material, como folhas e palhas, protege também contra material proveniente das culturas. O acesso para a retirada é fácil, saindo pela lateral direita do trator.
Em tratores pequenos e que são utilizados em atividade de fruticultura, o tubo de escape não pode ser direcionado para cima. A solução, portanto, é retirar os gases pela parte de baixo, o que, às vezes, provoca aquecimento da plataforma e, por isso, dos pés do operador. Neste modelo, o escapamento inteligentemente foi posicionado na frente, na lateral direita do trator, bastante fora do alcance do operador.
A transmissão de potência às rodas é feita por meio de uma caixa de velocidades sincronizada com três grupos e quatro marchas, com reversor Synchroshutle que proporciona 12 marchas à frente e 12 à ré. O reversor de sentidos tem posições à frente, à ré e uma posição neutra.
O primeiro dos três grupos é creeper, permitindo velocidades reduzidas, iniciando em 300 m/h. O acionamento dos demais grupos, L e H, é mecânico, por uma alavanca controlada pela mão esquerda do operador, podendo chegar no grupo de alta a uma velocidade de 22,43 km/h. Desta maneira, o creeper é um grupo de linha não opcional. Na sequência, o diferencial é uma redução final próxima a ele. Os rodados standard são 8.00-16 R1 no eixo dianteiro e 12.4-24 R1 no eixo traseiro. Como dissemos, outras especificações de rodados são opcionais.
A Mahindra produz seu próprio eixo dianteiro de tração, com formato pórtico que aumenta o vão livre e reduz o raio de giro para 2,5 m, pelo ângulo de esterçamento de 65°. Para proteger os braços da direção, foi prevista uma proteção metálica, colocada à frente deles.
O motor também aciona outros componentes, como a tomada de potência (TDP), independente, que tem acionamento eletro-hidráulico e dois regimes de funcionamento: de 540 rpm (normal) a uma rotação de 2.258 rpm no motor e de 540E (econômica) a 1.650 rpm. O eixo ranhurado tem uma proteção e o acionamento da TDP é feito por um interruptor eletro-hidráulico colocado à direita do posto do operador.
O sistema hidráulico de três pontos do OJA 3140 é categorias 1 e 2, com controle de posição e profundidade, e alcança uma capacidade de levante de 950 kg nas rótulas dos braços inferiores. A pressão máxima do sistema hidráulico é de 178 kgf/cm² e a vazão máxima de 27,2 L/min. O óleo utilizado pelo sistema hidráulico é o mesmo da transmissão.
De fábrica, este modelo da Mahindra utiliza uma distribuição de peso estática de 45% sobre o eixo dianteiro e 55% no eixo traseiro, para um peso do trator de embarque de 1.365 kg. O fabricante entende que esta é a melhor solução para a maioria das operações para as quais este trator será utilizado. Para adaptá-lo a condições especiais, são oferecidos pesos frontais de 25 kg que poderão ser colocados em um suporte que também pesa 25 kg. Assim, colocando seis pesos ao suporte, o peso dianteiro poderá ser aumentado em até 175 kg. No rodado traseiro, há a possibilidade de colocação de quatro massas de 28 kg, duas de cada lado, totalizando um peso suplementar de 112 kg.
Outros dados interessantes que podemos destacar, são o excelente vão livre de 370 mm para um trator deste porte e a distância entre eixos de 1.660 mm. Outra informação que destacamos, é a capacidade do depósito de combustível de 33 L, o que, com o consumo volumétrico baixo do motor, pode gerar uma autonomia bastante grande, em horas de trabalho.
O local dos nossos testes foi na propriedade do senhor Lorimar Müller, na localidade Linha João Alves, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Pequeno produtor rural, o senhor Lorimar é cliente da Mahindra há dois anos, tendo adquirido, naquela época, um trator menor, que está com 70 horas de uso e diversos equipamentos. A área total da propriedade adquirida há aproximadamente dez anos é de 4 ha. O solo é bastante úmido e o terreno é em parte declivoso. A atividade principal desenvolvida é a produção de cultivos para temperos, como o alecrim, a lavanda, o manjericão comum e roxo, o poejo, a hortelã, a melissa, o alho, a salsinha e a manjerona. Também explora comercialmente 400 pés de citrus, principalmente diferentes variedades de limão.
O trabalho é intenso em determinadas épocas, principalmente na formação de canteiros, no plantio e na colheita (movimentação de caixas), mas também a limpeza com a roçadora demanda bastante trabalho. Nestas operações, o trator é fundamental, pois basicamente o trabalho é familiar entre o proprietário e sua esposa. Esporadicamente, em fins de semana, um trabalhador é contratado para a colheita do limão e a formação de canteiros. A produção é comercializada para o mercado local, com entregas semanais dos produtos já embalados em bandejas.
Para o teste de campo, escolhemos uma atividade que realmente exigiria do OJA 3140. Utilizamos, então, um encanteirador de 1,20 m da Lavrale. Este equipamento compõe-se de uma enxada rotativa com um conformador de canteiro.
Escolhemos a velocidade de deslocamento proporcionada pela marcha do grupo creeper em terceira e quarta marcha, com rotação de motor em torno de 2.250 rpm. Para o acionamento da enxada rotativa do encanteirador, utilizamos a TDP 540 rpm em modo normal.
Formamos três canteiros de 1,20 m de largura, verificando que a profundidade de revolvimento foi de 20 cm a 25 cm com uma ótima mobilização do solo. Duas passadas do equipamento sobre a superfície de um antigo canteiro já foi suficiente para deixá-lo em condições de colocação das mudas.
Analisando o desempenho do trator, verificamos que em nenhum momento houve queda substancial da rotação do motor e ele se mostrou bastante estável para a atividade e as condições da operação. O engate da reversão nas manobras foi bastante fácil e o pequeno raio de giro nos permitiu manobrar em pequeno espaço. Neste tipo de atividade, o espaço de manobras é reduzido e é importante uma facilidade de controle de comandos. Destacamos, durante a operação, a enorme facilidade em desativar a tomada de potência. O dispositivo de acionamento por duplo comando, girar e apertar, e o de desligamento, apenas com uma pequena pressão sobre o interruptor, além de facilitar a agilidade no desligamento da TDP, traz uma segurança de desligamento rápido em caso de necessidade.
É importante informar que em uma pequena propriedade, onde o único trator faz uma série de operações e trabalha com diferentes equipamentos, a variação da bitola é uma necessidade. O OJA 3140 permite uma variação em quatro diferentes combinações de bitolas, alterando a posição do aro em relação à flange da roda e o lado da roda.
Em um trator como este, com tamanho reduzido, é importante analisar o posto de operação, verificando as soluções utilizadas pelos projetistas, para acomodar o assento, os comandos e instrumentos e, ainda, os acessos e saídas.
Neste trator, o posto é do tipo aberto com uma plataforma, dotada de um piso antiderrapante. O único assento é o do operador, com regulagem de aproximação e altura e o ajuste vertical pode ser realizado conforme o peso do operador, por meio de uma mola acionada por uma borboleta. Como referência, o fabricante colocou uma escala numérica com o peso e a posição que deve ficar o dispositivo que dá pré-carga na mola. O cinto de segurança é retrátil.
O volante do trator tem posição fixa, sem regulagem, porém a distribuição das alavancas e comandos é bem definida em cada lado. A alavanca de mudança de grupo é posicionada no lado esquerdo do assento, assim como a seleção do regime da TDP e do acionamento da tração dianteira. No lado direito, está a alavanca de seleção de marchas e do acionamento e desligamento da TDP, da regulagem de profundidade do hidráulico e subida e descida do implemento e, quando houver como opcional, do comando duplo das válvulas de controle remoto. Por sinal, destacamos como muito positivo o mecanismo de acionamento e parada da TDP que é muito fácil de utilizar e muito bom para a segurança do equipamento. Para ligar, um giro e pressão; para desligar, um leve toque interrompe o funcionamento.
O reversor de sentido está colocado na coluna da direção, no lado esquerdo, e o acelerador no lado direito. O painel de instrumentos e informação é bem moderno, com display digital, e os espelhos retrovisores estão em posição muito favorável para a observação.
Para o acesso e a saída do posto de operação, uma escada de um degrau condiciona a entrada e a saída somente pelo lado esquerdo, como é padrão. Já no posto de operação, dois pega-mãos, um de cada lado, auxiliam na estabilidade do operador.
Como elementos de qualificação aos novos tempos que vivemos, este modelo da Mahindra traz um local para colocação de objetos e, à frente dele, uma tomada de carregamento USB com a conexão convencional e a tipo C, mais moderna. No lado direito, sobre o para-lama traseiro há uma tomada elétrica tipo engate de seis pinos, para chicote elétrico de reboque.
Este trator atende à obrigatoriedade de arco de proteção para tratores estreitos com um ROPS rebatível, típico de pequenos tratores, principalmente aqueles que se destinam para aplicação em frutíferas, que necessitam de espaço vertical para o trabalho. Com um fácil desbloqueio se destrava a articulação e permite-se reduzir a altura do trator.
Também para a segurança e melhor utilização, o fabricante distribuiu adesivos de advertência e informação em vários pontos pelo trator. Por dentro do capô dianteiro, em especial, há um que orienta a troca do óleo lubrificante do motor.
Com respeito ao incentivo para a manutenção, ao articular o capô para trás, abre-se um enorme espaço para a manutenção e, com a retirada das laterais que cobrem os lados do motor, o acesso é completo. Para completar, uma caixa de ferramentas completa vem de fábrica.
José Fernando Schlosser,
Alexandre Russini,
Natália do Nascimento Garcez,
Bernardo Alvino Hintz Eick,
Nema - UFSM
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A nova Série M5 da Valtra, que traz os modelos M165, M185 e M205, mantém a ideia de trator multiuso pesado, com foco em potência, tração, transmissão e sistema hidráulico dimensionados para suportar grandes implementos em longos períodos de trabalho