Método para diagnosticar a meleira do mamoeiro
Por Tuffi Cerqueira Habibe e Antonio Souza do Nascimento (Embrapa Mandioca e Fruticultura)
O bicho-furão dos citros, cientificamente conhecido como
, é uma mariposa marrom, mimética com a casca dos ramos dos pés de laranja e que coloca os ovos em frutos maduros, nas infestações menores, e em frutos verdes e maduros em altas infestações. Tais ovos darão origem a lagartas que, em média, 4 horas após a eclosão, penetram nos frutos, provocando seu apodrecimento e queda, inutilizando-os para a indústria e comércio.
Estima-se que para o estado de São Paulo, maior produtor de Citrus no Brasil, esta praga cause perdas da ordem de 50 milhões de dólares anuais, chegando, em altas infestações, a provocar perdas de 0,5 a 1,5 caixa de frutos por árvore atacada.
O ciclo desta praga é de 32 a 60 dias, dependendo da temperatura, sendo que grande parte da pupação ocorre no solo.
Muitos agricultores confundem o ataque de bicho-furão com o de moscas-das-frutas. Tal diferenciação é muito simples. No caso do bicho-furão ficam, externamente, secreções duras, decorrentes de excrementos e restos de alimento das lagartas. No caso das moscas-das-frutas, o local lesionado fica mole e apodrecido .
A praga é mais importante de novembro a março para o estado de São Paulo.
A partir do final da década de 80, a praga aumentou sua importância, principalmente devido a desequilíbrios biológicos, resultantes da aplicação incorreta de produtos químicos para controlar outras pragas. Outro fator que contribui para o aumento da população do bicho-furão tem sido a oscilação de preços da laranja, pois nos anos de preços menores, o agricultor não realiza pulverizações ou mesmo deixa os pomares sem colher, o que contribui para o aumento da população da praga.
Na metade da década de 90, devido à importância assumida pela praga, e, devido ao desconhecimento da sua bioecologia para controlá-la racionalmente, o Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ, começou a estudá-la nos seus diferentes aspectos.
Após tais estudos, chegou-se à conclusão de que a praga é afetada, principalmente, pelos seguintes fatores:
• Temperatura: o inseto é mais importante em locais mais quentes, por ter o seu ciclo biológico encurtado. Em São Paulo pode dar de 7,1 (Limeira) a 8,3 gerações por ano (Barretos).
• Umidade Relativa do Ar: os insetos vivem mais e colocam mais ovos em umidades mais elevadas.
• Umidade do Solo: os adultos emergem em maior quantidade de pupas mantidas em solos com umidades intermediárias. Solos encharcados (principalmente) e muito seco dificultam a emergência.
• Inseticidas x Inimigos Naturais: os inseticidas podem matar os inimigos naturais, principalmente o parasitóide larval Hymenochaonia sp.
• Variedade e Estágio de Maturação: Existem variedades como a Natal, Pêra e Hamlin, que são as mais atacadas pela praga. Em frutos maduros, há um encurtamento do ciclo da praga e menor mortalidade.
De um modo geral, o ataque da praga começa nas proximidades de matas, sendo que, na planta, tem preferência por atacar frutos localizados a uma altura de 1 a 2 metros do solo. Provavelmente, a fêmea, que coloca cerca de 200 ovos, marca o local da postura, pois é comum encontrar-se apenas 1 ovo por fruto. Os adultos do bicho-furão dificilmente são vistos durante o dia, pois ficam em repouso no interior da planta e sua coloração faz com que sejam confundidos com a casca da planta. No crepúsculo, dá-se o acasalamento, que sempre ocorre na parte alta da planta independente da idade ou altura dela. Neste mesmo horário, as fêmeas colocam os ovos.
Depois de todos os estudos, chegou-se a conclusão de que a melhor forma de amostrar a praga é através de adultos.
Assim, em pesquisa conjunta envolvendo ESALQ/USP, UFV, Fuji Flavor e o National Institute of Sericultural and Entomology em Tsukuba, no Japão, com o suporte financeiro do Fundecitrus, iniciaram-se os estudos visando à obtenção do feromônio sexual do bicho-furão.
“O feromônio sexual é uma substância química produzida pelas fêmeas e que atrai os machos para o acasalamento”. Cada espécie tem seu próprio e exclusivo feromônio sexual.
No presente trabalho, tal estudo foi facilitado por ter sido desenvolvida uma dieta artificial para o bicho-furão, o que possibilita o estudo contínuo da praga em laboratório. Descoberto o feromônio sexual, ele foi sintetizado pela Fuji Flavor Company do Japão. Após o seu registro, no Ministério da Agricultura, obtido em agosto de 2001, o produto está sendo comercializado pela Coopercitrus com o nome de Ferocitrus Furão.
O produto comercial é composto de uma pastilha que contém o feromônio sexual do bicho-furão e uma armadilha (tipo delta) com paredes contendo cola para prender os insetos. A montagem da armadilha é muito simples e, no monitoramento, deve ser registrado, em fichas, o número de adultos coletado semanalmente.
Existem 5 etapas para utilização desta armadilha:
1. Instalar a armadilha no terço superior da planta;
2. Contagem semanal de insetos (removendo-os da armadilha). O momento para iniciar o controle (nível de controle) é de 6 ou mais machos/semana.
3. Identificação correta de machos do bicho-furão
4. Troca da pastilha a cada 30 dias
5. Cada armadilha cobre uma área de 10 ha (3.000 a 3.500 plantas), ou seja, deve-se colocar uma armadilha a cada 350 m.
As armadilhas deverão ser colocadas próximas a matas para se detectar o início do ataque. Outras medidas culturais, como coleta e eliminação de frutos atacados pelo bicho-furão no chão e na planta e a realização de colheita, o mais rápido possível, poderão auxiliar no controle da praga.
A utilização de armadilhas de feromônio sexual não apenas racionalizará o controle da praga, pois somente será aplicado inseticida no momento certo, fundamental para se ter sucesso com este tipo de praga (início de ataque), reduzindo-se a quantidade de inseticidas aplicados, mas, principalmente, permitindo a utilização de produtos biológicos, cuja eficiência é maior quando empregados no momento em que a praga é de reduzido tamanho.
O custo do feromônio é bastante baixo e deverá ficar em torno de R$ 2,00/mês/ha (300 a 350 plantas).
ESALQ-USP
ESALQ-USP
UFV
Department of Entomology,
University of California
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura