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A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) amplia sua área de invasão, acumula casos de resistência a inseticidas e pressiona sistemas produtivos em quatro continentes. Diante desse quadro, cientistas defendem programas de manejo integrado de pragas com maior peso para controle biológico, armadilhas com feromônio sexual e práticas culturais.
Pesquisadores analisaram estudos publicados entre 2000 e 20 de março de 2026. Na triagem, partiram de 2.131 registros e usaram 248 estudos na revisão final. Entre os temas recorrentes apareceram manejo integrado, controle biológico, resistência a inseticidas e ferramentas como CRISPR/Cas9 e RNAi. Mais da metade dos artigos selecionados saiu entre 2020 e 2026, o que sugere avanço recente da pesquisa sobre a praga.
Nativa da América do Sul, Tuta absoluta atingiu Europa, África e Ásia. Em nove anos após a entrada na Europa, a área invadida cresceu 600 quilômetros por ano. O inseto também segue em expansão na China. Segundo a revisão, essa dispersão resulta da combinação entre comércio de material infestado, adaptação climática e disponibilidade de hospedeiros cultivados e silvestres.
O impacto econômico segue alto. Em cultivos protegidos e em campo aberto, infestações sem controle podem derrubar a produtividade entre 80% e 100%. Em tomate, as larvas abrem minas nas folhas, reduzem a fotossíntese e comprometem o desenvolvimento da planta. Nos frutos, as galerias facilitam a entrada de patógenos secundários e favorecem podridões.
A revisão também chama atenção para a plasticidade biológica da espécie. Em regiões mais quentes do Egito, por exemplo, a projeção chega a 9,52 gerações por ano. Em áreas mais frias, o valor cai, mas ainda permanece elevado. Esse ciclo rápido acelera a pressão de seleção e dificulta a contenção quando o manejo depende de poucas ferramentas.
No eixo da resistência, os cientistas descrevem mutações associadas a organofosforados, piretroides e diamidas, além de mecanismos metabólicos com participação de esterases, glutationa S-transferases e citocromos P450. Casos aparecem em países como Brasil, China, Grécia, Espanha, Irã, Itália, Quênia e outros. Em algumas populações, a resistência a certos ingredientes ativos alcança patamares altos.
Na China, sete populações avaliadas mostraram maior resistência a clorpirifós e clorantraniliprole em algumas regiões, enquanto Bacillus thuringiensis, emamectina benzoato, indoxacarbe e espinosade ainda apresentaram resistência baixa na maior parte das populações testadas. Em outro conjunto de estudos reunidos na revisão, inibidores da síntese de quitina exibiram níveis altos de resistência em campo.
Para os cientistas, esse cenário reforça a necessidade de rotação de mecanismos de ação, monitoramento contínuo de suscetibilidade e integração com táticas não químicas. Eles afirmam que controle biológico, armadilhas de feromônio sexual e manejo cultural figuram hoje entre as abordagens mais promissoras para enfrentar a resistência associada às falhas do controle químico.
No campo do monitoramento e da supressão, os feromônios recebem destaque. A fêmea libera o composto reconhecido pelos machos por meio de um sistema olfativo refinado. Proteínas ligadoras de feromônio atuam no reconhecimento e na atração. A expressão de uma dessas proteínas atinge pico durante o cortejo, por volta das 6h. Em ensaios citados pela revisão, iscas “superdosadas” com 0,8 mg de feromônio sintético atraíram mais machos do que formulações padrão com 0,5 mg em áreas com alta infestação. Outro estudo apontou melhor desempenho de armadilhas delta com septo de borracha e placas adesivas pretas.
A base ecológica do problema amplia a dificuldade de manejo. A praga encontra no tomate seu hospedeiro principal e mais adequado, mas também infesta batata, berinjela, pepino-doce e outras solanáceas. Em plantas menos favoráveis, como tabaco, as larvas podem secretar proteínas que ajudam a neutralizar defesas da planta. A disponibilidade de hospedeiros silvestres em algumas regiões também favorece dispersão e permanência no ambiente.
Os cientistas apontam espaço para novas tecnologias. RNAi mediado pela planta aparece como alternativa promissora, embora enfrente obstáculos de aplicação. CRISPR/Cas9 surge como ferramenta com potencial para interferir em genes ligados à percepção de feromônios e a outros processos biológicos da praga. Ao mesmo tempo, os pesquisadores registram limitações técnicas, custos, exigências regulatórias e necessidade de avaliação de biossegurança antes de qualquer uso amplo em campo.
Outro ponto importante envolve os endossimbiontes. Bactérias associadas à praga podem ampliar adaptação a hospedeiros e ajudar na detoxificação de compostos vegetais e inseticidas. Esse componente microbiológico acrescenta complexidade ao manejo e pode influenciar desempenho do inseto diante de estresses ambientais e táticas de controle.
Conforme os cientistas, o caminho mais consistente para o menejo da praga passa por programas integrados e ajustados à realidade local. Isso inclui detecção precoce, acompanhamento da dinâmica populacional, uso racional de inseticidas, preservação de inimigos naturais, armadilhas com feromônio e práticas culturais para manter a infestação abaixo do nível de dano econômico.
Mais informações em doi.org/10.3390/insects17040441
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