Safra de tabaco expõe desafios na comercialização

Produtores relatam falhas na separação e pedem valorização do produto

22.04.2026 | 16:23 (UTC -3)
Marcos A. Bedin, edição Revista Cultivar

Representantes de entidades do setor produtivo realizaram, entre os dias 7 e 9 de abril, uma série de visitas a empresas fumageiras nos três estados do Sul para avaliar a comercialização da safra 2025/2026 de tabaco. A agenda reuniu lideranças de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com foco na análise dos preços pagos, da qualidade do produto e dos critérios de classificação adotados pela indústria.

A iniciativa contou com a participação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina, da Associação dos Fumicultores do Brasil e de federações da agricultura e dos trabalhadores rurais da região. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Irineópolis, Francisco Eraldo Konkol, representou a Faesc durante a programação.

De acordo com as entidades, a safra atual apresenta boa qualidade, mas ainda não se traduz em remuneração satisfatória ao produtor. Uma das principais demandas é o reconhecimento financeiro adequado para aqueles que realizam corretamente a separação do tabaco, etapa considerada essencial para a valorização do produto.

A dinâmica de avaliação variou entre os estados. No Rio Grande do Sul, onde a classificação ocorre nas propriedades, a análise concentrou-se na qualidade e nos preços médios praticados. Já em Santa Catarina e no Paraná, as visitas foram realizadas em unidades de compra, com relatos de produtores sobre o processo de classificação.

Durante o roteiro, foi identificado um problema recorrente que impacta diretamente a renda no campo: falhas na separação do tabaco. A mistura de classes e a presença de impurezas nos fardos estão entre os principais fatores que reduzem o valor pago ao produtor.

Diante desse cenário, as entidades reforçam a necessidade de maior rigor no preparo do produto. Segundo os representantes, mesmo em uma safra de boa qualidade, erros na classificação podem comprometer significativamente a rentabilidade da atividade.

Outro ponto de atenção envolve o planejamento da próxima temporada. A recomendação do setor é de redução da área plantada, como forma de equilibrar a oferta e sustentar os preços, especialmente diante da concorrência internacional.

Para a Faesc, ações conjuntas como essa são fundamentais para ampliar a transparência na comercialização, fortalecer o diálogo entre produtores e indústria e buscar condições mais justas de remuneração ao longo da cadeia produtiva.

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