Mercado Agrícola - 9.jun.2026
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Isolados locais de Trichoderma longibrachiatum e Trichoderma asperellum reduziram lesões causadas por Alternaria alternata e Curvularia spicifera em tomate após a colheita. O estudo avaliou três espécies do fungo antagonista em ensaios in vitro e in vivo. Os resultados indicam potencial para uso em estratégias de controle biológico de doenças pós-colheita da cultura.
A pesquisa analisou Trichoderma longibrachiatum, Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum. Os isolados vieram da rizosfera de tomateiros e pertencem ao acervo do Laboratório de Proteção de Plantas e Ciências Biológicas do Centro Regional de Pesquisa Agrícola de Sidi Bouzid, na Tunísia. Os patógenos Alternaria alternata e Curvularia spicifera foram obtidos de frutos de tomate da cultivar Firenze com sintomas naturais de pinta-preta e podridão.
Nos testes em frutos, Trichoderma longibrachiatum reduziu o diâmetro das lesões de Alternaria alternata em 53,60% frente ao controle infectado. Trichoderma asperellum reduziu as lesões do mesmo patógeno em 48,71%. Contra Curvularia spicifera, Trichoderma longibrachiatum reduziu as lesões em 55,58%. Trichoderma asperellum alcançou redução de 56,19%.
Os frutos receberam ferimentos padronizados de cinco milímetros de profundidade. Depois, os pesquisadores aplicaram 20 microlitros de filtrado de cultura de cada espécie de Trichoderma, com concentração de 10⁶ esporos por mililitro. Após duas horas, os frutos receberam 20 microlitros da suspensão do patógeno, também com 10⁶ esporos por mililitro. A incubação durou sete dias, a 21 graus Celsius, sob umidade superior a 90%.
O controle infectado apresentou lesões maiores. Em frutos inoculados com Alternaria alternata, o diâmetro chegou a 7,37 centímetros. O tratamento com Trichoderma longibrachiatum reduziu o valor para 3,42 centímetros. Trichoderma asperellum resultou em 3,78 centímetros. O ácido salicílico apresentou 3,97 centímetros.
Em frutos inoculados com Curvularia spicifera, o controle infectado apresentou 8,15 centímetros de podridão. Trichoderma asperellum apresentou o menor diâmetro, com 3,57 centímetros. Trichoderma longibrachiatum apresentou 3,62 centímetros. Trichoderma harzianum alcançou 3,88 centímetros. O ácido salicílico resultou em 3,68 centímetros.
Os ensaios in vitro também indicaram antagonismo. Trichoderma longibrachiatum reduziu o crescimento micelial de Curvularia spicifera para 2,58 centímetros no sétimo dia, com 51,7% de inibição. Para Alternaria alternata, o crescimento caiu para 2,32 centímetros, com 51,8% de inibição. Os controles infectados chegaram a 5,34 centímetros e 4,81 centímetros, respectivamente.
A análise da área abaixo da curva de progresso da doença confirmou a maior eficiência de Trichoderma longibrachiatum. O isolado registrou 10,2 centímetros-dia para Curvularia spicifera e 8,9 centímetros-dia para Alternaria alternata. Os controles registraram 18,7 e 16,3 centímetros-dia.
As três espécies produziram catalase em ensaio in vitro. Nenhuma produziu pectinase, protease, amilase ou beta-1,3-glucanase em níveis detectáveis. Trichoderma longibrachiatum e Trichoderma asperellum produziram ácido indol-3-acético, ácido cianídrico e solubilizaram fosfato. Trichoderma harzianum produziu ácido cianídrico e solubilizou fosfato. Nenhuma espécie fixou nitrogênio atmosférico.
O crescimento micelial dos antagonistas apresentou melhor desempenho a 30 graus Celsius. A 19 graus Celsius, o crescimento ocorreu de forma mais lenta. A 45 graus Celsius, os três isolados sofreram forte inibição. O estudo também observou maior crescimento em meios com pH 7 e pH 9. O pH 11 limitou o crescimento, principalmente nos estágios iniciais.
Os filtrados de cultura também estimularam plântulas de tomate. A diluição de um para dez apresentou os melhores resultados para Trichoderma longibrachiatum e Trichoderma harzianum. Para Trichoderma asperellum, o filtrado não diluído gerou o maior crescimento. Os pesquisadores interpretaram a resposta como dependente da dose.
Os tratamentos alteraram parâmetros de qualidade dos frutos. Em geral, os frutos tratados com Trichoderma mantiveram maior firmeza em comparação com os controles infectados. Também apresentaram mudanças em pH, condutividade elétrica, teor de açúcares, acidez titulável e nitrato. O controle infectado apresentou a pior qualidade geral nos ensaios com Curvularia spicifera, com menor firmeza e menor condutividade elétrica.
As análises bioquímicas indicaram redução de estresse oxidativo. Em frutos inoculados com Alternaria alternata, Trichoderma asperellum apresentou o menor teor de malondialdeído, com 1,38 micromol por grama. Em frutos inoculados com Curvularia spicifera, Trichoderma longibrachiatum apresentou o menor valor, com 1,86 micromol por grama. O malondialdeído funciona como indicador de peroxidação lipídica.
O estudo concluiu com indicação de Trichoderma longibrachiatum e Trichoderma asperellum como agentes promissores para o controle biológico de Alternaria alternata e Curvularia spicifera em tomate pós-colheita. Os pesquisadores destacaram, porém, uma limitação: os ensaios ocorreram em condições de laboratório e podem não refletir integralmente ambientes comerciais de armazenamento.
Outras informações em doi.org/10.3390/jof12060421
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