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Três genes de carboxilesterases participam da resistência de Frankliniella occidentalis ao espinosade. O silenciamento de FoB1, FoB1L e FoFE4 elevou a suscetibilidade do inseto ao produto. Entre eles, FoB1 apresentou maior resposta à exposição, maior afinidade molecular e capacidade direta de metabolizar o inseticida. Os resultados constam em estudo de pesquisadores chineses e indicam possíveis alvos para monitoramento da resistência e manejo integrado da praga (DOI 10.1016/j.pestbp.2026.107280).
O estudo comparou a linhagem suscetível Ivf03 com a linhagem resistente NIL-R. A atividade de carboxilesterases permaneceu acima dos valores da população suscetível em todas as fases e sexos avaliados. A maior diferença ocorreu em fêmeas adultas. Nesse grupo, a atividade enzimática da linhagem resistente alcançou valor 1,62 vez superior.
A exposição ao espinosade também estimulou a atividade das enzimas. Na linhagem suscetível, a concentração de 0,02 miligrama por litro elevou a atividade em 1,42 vez. Na linhagem resistente, 80 miligramas por litro promoveram aumento de 2,19 vezes.
Os pesquisadores testaram o fosfato de trifenila, composto usado como inibidor de esterases. A aplicação conjunta com espinosade aumentou a toxicidade na linhagem NIL-R. O índice de sinergismo chegou a 2,995. A mesma combinação não provocou alteração significativa na linhagem suscetível. O resultado reforça a participação das carboxilesterases no mecanismo de resistência.
A análise de expressão identificou cinco genes candidatos: FoB1, FoB1L, FoFE4, FoFE4L e FoJHE. Em adultos resistentes, FoB1 apresentou expressão 2,21 vezes maior em comparação com adultos suscetíveis. FoB1L registrou aumento de 1,56 vez. FoFE4 alcançou 1,46 vez. FoJHE apresentou valor 1,50 vez superior. FoFE4L não mostrou diferença significativa entre as linhagens.
O espinosade induziu a expressão dos cinco genes em adultos da linhagem resistente. FoB1 respondeu em todas as concentrações avaliadas, de 50 a 400 miligramas por litro. A expressão aumentou entre 6,26 e 9,24 vezes. FoB1L e FoFE4 exigiram concentrações a partir de 100 miligramas por litro para apresentar indução significativa.
O RNA de dupla fita reduziu a expressão dos genes candidatos em cerca de 60%. Após o silenciamento de FoB1, a mortalidade sob 50 miligramas por litro de espinosade passou de 17,87% para 47,39%. Sob 100 miligramas por litro, subiu de 32,54% para 61,35%. Na concentração de 200 miligramas por litro, avançou de 43,77% para 76,67%. Sob 400 miligramas por litro, aumentou de 71,33% para 92,44%.
O silenciamento de FoB1 também reduziu a concentração letal média de 229,188 para 100,517 miligramas por litro. O índice de sinergismo atingiu 2,280. A supressão de FoB1L reduziu a concentração letal média para 155,825 miligramas por litro. O silenciamento de FoFE4 levou o valor a 152,037 miligramas por litro. A redução de FoFE4L e FoJHE não alterou a suscetibilidade de forma significativa.
FoB1 concentrou sua expressão no abdome. O nível superou em 2,68 vezes o registrado na cabeça e em 2,98 vezes o observado no tórax. No intestino médio, a expressão de FoB1 alcançou valores 1,92 vez superiores aos de FoB1L e 2,69 vezes superiores aos de FoFE4.
As simulações moleculares apontaram maior afinidade do espinosade pelas regiões catalíticas de FoB1. A energia prevista de ligação chegou a menos 11,0 quilocalorias por mol para espinosade A e menos 11,9 quilocalorias por mol para espinosade D. FoB1L e FoFE4 apresentaram interações mais fracas.
Ensaios com proteína recombinante confirmaram a metabolização direta do inseticida. FoB1 reduziu a concentração de espinosade A de 0,632 para 0,341 micrograma por mililitro. A concentração de espinosade D caiu de 0,088 para 0,048 micrograma por mililitro. A proteína metabolizou cerca de 47% do espinosade presente no sistema experimental.
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