Syngenta fecha 2025 com ganho de margem

EBITDA cresce e receita recua, com impacto de ajustes e cenário externo

31.03.2026 | 10:28 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Syngenta

O Syngenta Group divulgou hoje (31/3) os seus resultados financeiros de 2025 com avanço nos principais indicadores operacionais. A receita anual atingiu US$ 28,4 bilhões, leve queda de 1% na comparação anual, enquanto o EBITDA somou US$ 4,4 bilhões, alta de 13%.

O desempenho foi sustentado pela expansão das margens, que chegaram a 15,4%, impulsionadas por um portfólio de maior valor agregado, controle de custos e ganhos de eficiência operacional. Segundo a companhia, a estratégia de reduzir operações de menor margem, como o trading de grãos, também contribuiu para o fortalecimento do perfil financeiro.

Proteção de cultivos cresce em volume e receita

Na divisão de proteção de cultivos, a empresa registrou receita de US$ 13,7 bilhões, avanço de 4%, com destaque para o crescimento de volumes e a demanda por produtos inovadores. O desempenho foi puxado principalmente pela América do Norte, com alta de 10%, enquanto mercados como Brasil e América Latina enfrentaram pressão de preços, sobretudo pela concorrência de genéricos e efeitos cambiais.

Ao longo do ano, a companhia lançou cerca de 1.800 novos produtos globalmente, reforçando a estratégia de inovação. Entre os destaques estão tecnologias voltadas ao controle de pragas, doenças e plantas daninhas, ampliando o portfólio em diferentes regiões.

Brasil em destaque no segmento de sementes

No segmento de sementes, a receita chegou a US$ 4,8 bilhões, crescimento de 2%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Hemisfério Sul, com destaque para o Brasil, onde as vendas avançaram 17%, refletindo ganhos de participação de mercado e lançamento de novas variedades de milho e soja. A América do Norte, por outro lado, registrou queda de 12% em função de reestruturações.

Operação na China registra queda na receita

A operação do Syngenta Group na China registrou receita de US$ 8,3 bilhões em 2025, queda de 10% na comparação anual, impactada principalmente pela redução planejada no negócio de trading de grãos. Apesar disso, a companhia destacou resiliência operacional, com crescimento em segmentos como sementes (7%) e formulações de marca (5%). A unidade Yangnong Chemical avançou 13%, enquanto o trading de grãos recuou 68% dentro da estratégia de reduzir operações de menor margem. A empresa também informou a cisão da Sinofert Holdings, que deixará de ser consolidada a partir de 2026.

Receita da Adama registra recuo

A unidade Adama, focada em defensivos pós-patente, teve receita de US$ 4,1 bilhões, recuo de 2%, em um ambiente ainda desafiador. Apesar disso, a empresa destacou melhora consistente de margens e crescimento do EBITDA ao longo do ano, resultado de um plano estratégico voltado à eficiência operacional e à priorização de mercados-chave.

Segmento de biológicos mostra avanço

Outro destaque foi o avanço no segmento de biológicos, que registrou crescimento de dois dígitos em 2025, acompanhando a demanda crescente por soluções sustentáveis, como biocontrole e bioestimulantes. A expansão da capacidade produtiva global, com novas unidades e investimentos, reforça essa estratégia.

A empresa também ampliou o uso de inteligência artificial em projetos estratégicos, com foco em geração de valor e ganho de eficiência. Segundo o grupo, as iniciativas já apresentam impactos financeiros mensuráveis e devem acelerar a transformação digital do negócio.

EBITDA recua no quarto trimestre

No quarto trimestre, a receita foi de US$ 7,6 bilhões, alta de 2% na comparação anual. O EBITDA, no entanto, recuou 16%, pressionado por custos relacionados à reestruturação, provisões de crédito — especialmente no Brasil — e uma base de comparação elevada no mesmo período de 2024.

Mudanças na governança corporativa

Como parte das mudanças na governança, a companhia anunciou a nomeação de Nelson Jiang como novo diretor financeiro (CFO), a partir de março de 2026. Simultaneamente, Hengde Qin assume o cargo recém-criado de diretor de operações, onde liderará a execução da estratégia do grupo e supervisionará as funções corporativas.

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