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Uso combinado de Phytoseiulus persimilis e Amblyseius swirskii amplia controle em morangueiro
O sorgo tem ampliado sua presença no campo brasileiro e se consolidado como alternativa estratégica em regiões com maior risco climático. Segundo o relatório Radar Agro, do Itaú BBA, a produção nacional deve alcançar 6,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, mais que o dobro do volume registrado há cinco anos.
O avanço da cultura é impulsionado por características agronômicas que favorecem sua adaptação a ambientes mais desafiadores. Entre os principais fatores estão a maior eficiência no uso da água, com exigência de cerca de 350 mm ao longo do ciclo, ante aproximadamente 600 mm do milho, a tolerância ao déficit hídrico e o manejo viável de doenças. Além disso, o sorgo apresenta elevada adaptabilidade e consegue manter níveis de produtividade mesmo sob condições adversas.
Na comparação direta com o milho, principal concorrente em área na segunda safra, o sorgo se destaca pelo sistema radicular mais agressivo, que amplia a capacidade de exploração de água e nutrientes no solo. Essa característica reforça seu uso em áreas com limitações hídricas ou menor fertilidade.
Tradicionalmente voltado à produção de ração animal, o sorgo também vem diversificando suas aplicações. Dependendo da variedade, pode ser utilizado na produção de grãos, forragem, silagem, cobertura do solo, além de biomassa, álcool e até vassouras. Entre os segmentos, o sorgo granífero é o que apresenta maior crescimento recente.
No comércio internacional, o Brasil ainda exporta volumes modestos de sorgo, restritos a janelas sazonais. Em 2024, a África do Sul concentrou praticamente toda a demanda externa. Já em 2025, um acordo firmado com a China simplificou o processo de exportação, ao eliminar a necessidade de inspeção prévia pelas autoridades chinesas, exigindo apenas a habilitação do produto pelo Ministério da Agricultura.
A expectativa da Associação Brasileira de Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) é de que parte da produção da safra 2024/25 já seja direcionada ao mercado chinês. O cenário internacional também abre espaço para o Brasil, especialmente diante das tensões comerciais entre China e Estados Unidos — principal fornecedor global, que destina cerca de 80% de sua produção ao país asiático.
Os preços do sorgo mantêm forte correlação com o milho, superior a 98% nas principais regiões produtoras, já que ambos são substitutos diretos na formulação de ração. Apesar disso, o cereal não é negociado em bolsas, o que limita instrumentos de proteção de preços, sendo o hedge via milho a principal alternativa.
Do ponto de vista econômico, o sorgo apresenta vantagem em termos de custo. Em Goiás, por exemplo, o custo de produção é estimado em R$ 2.205 por hectare, contra R$ 3.650/ha do milho — uma diferença de 65%. O ponto de equilíbrio também é menor: 47 sacas por hectare, frente a 59 sacas no milho.
Essa diferença torna o sorgo uma opção mais defensiva em cenários de maior risco climático. Pelas estimativas do Itaú BBA, caso a produtividade do milho fique abaixo de 77 sacas por hectare, a rentabilidade das duas culturas tende a se igualar. Abaixo desse patamar, o sorgo passa a oferecer melhor relação entre risco e retorno.
A tendência para os próximos anos é de crescimento gradual da cultura, sustentado por fatores estruturais. O sorgo deve ganhar espaço como ferramenta de gestão de risco nas propriedades, em um contexto de maior irregularidade climática e necessidade de diversificação produtiva.
O aumento da demanda por parte de usinas de etanol, especialmente no Centro-Norte e na região do Matopiba, também reforça o potencial de expansão ao criar um mercado mais estável e menos dependente do consumo de ração.
No campo, o desenvolvimento de novos híbridos mais produtivos e responsivos à adubação deve ampliar a competitividade do cereal, permitindo sua inserção em sistemas mais tecnificados. Além disso, o avanço da agricultura de baixo carbono e de práticas sustentáveis tende a favorecer o sorgo, que contribui para a cobertura do solo e a recuperação de áreas degradadas.
Nesse cenário, o cereal deixa de ser apenas uma alternativa pontual e passa a ocupar um papel complementar ao milho, especialmente em áreas onde o cultivo tradicional enfrenta limitações econômicas ou climáticas. A expectativa do Itaú BBA é que, ao longo dos próximos anos, o sorgo amplie sua participação na renda das propriedades e ganhe relevância no sistema produtivo brasileiro.
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