Setor privado está alavancando medidas em favor da economia de baixo carbono

06.09.2011 | 20:59 (UTC -3)

Transitar para uma economia de baixo carbono, atenta a questões referentes a custos e produtividade, a melhor distribuição de renda, preservação ambiental e qualidade de vida da população nacional é uma questão complexa demais para ficar apenas nas mãos de governos. A avaliação é do ex-presidente da Costa Rica, José Maria Figueres Olsen, especialista em sustentabilidade, que participou, nesta terça-feira (6), da mesa-redonda ‘Acordos Climáticos e Competitividade’, que integrou a programação do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima – FEED 2011, no Centro de Convenções da FECOMERCIO, em São Paulo.

Figueres revelou-se pouco otimista com relação aos acordos multilaterais envolvendo 193 países, que vêm sendo discutidos em Conferências do Clima, promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), como a COP 15, de Copenhague, em 2009, a COP 16, de Cancun, México, em 2010, e a prevista para novembro/dezembro deste ano, em Durban, África do Sul. Em compensação, tem boas expectativas a respeito de iniciativas do setor privado, tanto por parte de grandes empresas, isoladamente, como de entidades, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), promotora do FEED 2011, que reuniu durante dois dias em São Paulo especialistas brasileiros e estrangeiros para debater o futuro do setor no contexto de uma economia de baixo carbono.

Soluções que mudarão o mundo para melhor, que erradicarão a pobreza e a fome, serão construídas, certamente, a partir de encontros como este promovido pela CNA, ressaltou Figueres. Ele informou que, quando presidente da Costa Rica (1994-1998), conseguiu aprovar marcos regulatórios que permitiram que produtores de arroz prejudicados pela baixa produtividade passassem a ser melhor remunerados se optassem pelo reflorestamento.

Figueres ressaltou a importância de fundos que compensem produtores que queiram optar pela preservação de florestas em sua propriedade ou pelo reflorestamento. “É uma loucura, a continuidade de subsídios que chegam a US 2 bilhões/dia, em todo o mundo, à exploração e consumo de combustível fóssil (petróleo)”, disse. Ele foi muito aplaudido quando ponderou que os Estados Unidos, na questão energética, podem ser considerados um país subdesenvolvido, enquanto o Brasil, que aposta no etanol a partir da cana-de-açúcar, sem prejuízo da produção de alimento, pode ser avaliado, nessa área, como desenvolvido.

Também participaram da mesa-redonda sobre Acordos Climáticos o representante do Ministério das Relações Exteriores, Ciro Marques Russo, e o diretor-geral do Instituto de Estudo de Comércio e negociações Internacionais – Ícone, Rede Agro. Russo ressaltou que a expectativa do governo brasileiro é que os acordos internacionais na área da agricultura levem em conta a redução das emissões de carbono e atentem para a questão da necessidade de aumentar a produção de forma a se assegurar a segurança alimentar da população dos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos.

“Temos esperanças em marcos de cooperação que resultem em efetiva transferência de tecnologia por parte dos países mais desenvolvidos. Também é importante se evitar que ações na área da agricultura não se tornem, na prática, medidas comerciais restritivas”, acrescentou.

Para Nassar, o importante é que o setor agropecuário transforme questões ambientais em uma agenda positiva em favor de uma produção mais eficiente, de maior qualidade e com menos impacto na ampliação das fronteiras agrícolas. Também ressaltou que os produtores devem encarar como oportunidades de negócios a recuperação de áreas de proteção ambiental. “A parir da aprovação do Código Florestal pode ser construída uma base legal para a devida remuneração desses produtores”, concluiu.

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