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A continuidade dos avanços necessários à migração para uma economia de baixo carbono vai depender muito mais, nos próximos anos, do engajamento do setor privado do que da formalização de grandes acordos entre países desenvolvidos, em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Para o ex-presidente da Costa Rica, Figueres Olsen, especialista em Sustentabilidade, não se deve esperar muito da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 17, que se realizará de 28 de novembro a 9 de dezembro na cidade de Durban, na África do Sul.
Olsen é um dos principais palestrantes internacionais convidados do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (FEED 2011), organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ele fará palestra hoje (06/09), no centro de Convenções da FECOMERCIO, em São Paulo. Ele participará, a partir das 9 horas, da mesa redonda 'Acordo Climáticos e Competitividade', que terá também a participação de Luiz Alberto Figueiredo Machado da Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, e de André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudo de Comércio e Negociações Internacionais - Icone/rede Agro.
“Sem os Estados Unidos, nada é viável, e o país estará envolvido com a superação de sua grave crise financeira e também com as eleições presidenciais de 2012. Em tal contexto, os EUA não terão condições de se comprometer com nada em Durban”, ressalta Figueres Olsen. Governos dos países desenvolvidos têm dificuldades em se comprometer com a formação de fundos compensatórios em benefício dos países mais pobres que pretendem se engajar nas metas de redução de emissão de carbono. Enquanto isso, a iniciativa privada já trabalha na ampliação de projetos de reflorestamento, de recuperação de áreas degradadas e de disseminação de tecnologias economicamente mais acessíveis de energia alternativa.
Grandes empresas de atuação mundial na área varejista, como também nos setores produtivos e de prestação de serviços estão no caminho da sustentabilidade. “O setor privado está vendo a economia de baixo carbono como oportunidade”, afirma. E não é a primeira vez que isso acontece. Na primeira metade da década de 80, quando se discutia a questão da camada de ozônio, a iniciativa privada empurrou a construção dos marcos regulatórios explicitados no Protocolo de Montreal.
Para Olsen, a economia de baixo carbono tem a ver com competitividade, com maior eficiência na produção de bens e serviços, com a geração de mais postos de trabalhos e fortalecimento do empreendedorismo. É um processo que convém a todos os países, independentemente de seu grau de desenvolvimento. Hoje, enfatizou, nossa realidade é o superpovoamento e a escassez de recursos. São necessárias, então, formas de produção mais eficientes para que todo o mundo viva melhor. E, para que essa migração tenha sucesso e avance rapidamente é preciso de efetiva parceria entre o setor público e setor privado.
“Governos precisam emitir sinais concretos de que apostam na maior competitividade, na maior eficiência da economia como forma de promover e dar maior abrangência ao bem-estar social. Já os empresários precisam apostar rapidamente em janelas de oportunidades abertas pela nova economia. É preciso avanços nos marcos regulatórios. Cada país, cada região pode optar pelo caminho mais conveniente a seguir. Os mecanismos são múltiplos para se conseguir uma economia de baixo carbono. O Brasil já deu lições ao mundo com o combustível a partir da cana-de-açúcar, o etanol, na construção de fontes energéticas alternativas”, concluiu.
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