Semeadura direta e robôs avançam na beterraba-açucareira

SugarBeet Expo 2026 mostrará manejo, máquinas e tecnologias para solo, plantas daninhas e eficiência no campo

07.07.2026 | 10:43 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Malene Conlong
Foto: DLG
Foto: DLG

A semeadura direta e os robôs de capina ganham espaço no debate técnico sobre a produção profissional de beterraba-açucareira (Beta vulgaris). Os temas integram a programação da SugarBeet Expo 2026, feira internacional organizada pela DLG, Sociedade Agrícola Alemã. O evento ocorre dias 9 e 10 de setembro de 2026, em Rittergut Gestorf, perto de Hanover, na Alemanha. A exposição acompanha a PotatoEurope e prevê demonstrações de máquinas no campo.

A feira concentra foco em soluções práticas, máquinas, digitalização e sustentabilidade. O programa técnico aborda desafios e oportunidades da semeadura direta. Também trata de robótica, tendências tecnológicas e pesquisas aplicadas à cultura. Produtores poderão observar tecnologias modernas em condições reais de campo.

A semeadura direta chama atenção pela menor mobilização do solo. O sistema preserva capilares do solo e galerias de minhocas. Essa condição melhora a infiltração e o movimento da água. Também amplia a capacidade de suporte do solo e reduz o risco de erosão. Essa vantagem ganha importância em áreas vulneráveis.

Cobertura do solo

O sistema também mantém cobertura do solo durante quase todo o ano. Ele usa plantas de cobertura, resíduos culturais e material orgânico sobre a superfície. Essa proteção reduz o ressecamento do solo, limita perdas por evaporação e favorece a atividade biológica. A matéria orgânica se acumula na camada superficial e alcança camadas mais profundas pela ação de organismos do solo.

A cobertura permanente ajuda o solo a reter umidade por mais tempo em períodos secos. Essa condição cria uma base importante para a estabilidade produtiva da beterraba-açucareira. A semeadura direta também reduz a pressão de plantas daninhas em muitos sistemas, pois a menor perturbação do solo estimula menos sementes a germinar.

A integração com tecnologias de precisão amplia o potencial do sistema. A pulverização localizada permite aplicar defensivos com maior eficiência e menor uso de recursos. O documento também indica possibilidade de redução em aplicações de fungicidas e inseticidas, com estandes mais resilientes e rotações de culturas bem planejadas.

Semeadura direta

A adoção da semeadura direta exige atenção. O solo aquece mais devagar na primavera europeia. Isso pode atrasar o desenvolvimento inicial da cultura. Lesmas e roedores também podem aumentar em algumas situações, pois seus habitats sofrem menor perturbação. A emergência das plantas pode apresentar menor uniformidade em determinados casos. Por isso, taxas maiores de semeadura podem se tornar necessárias.

Informações da DLG apontam reduções de produtividade de cerca de quatro a oito por cento em beterraba-açucareira. O sucesso do sistema depende de alto nível de manejo, experiência e equipamentos especializados. A deposição precisa de sementes, o manejo da cultura e a proteção fitossanitária concentram parte das exigências técnicas. Mesmo assim, a fonte considera o sistema economicamente atrativo com implantação consistente.

Robótica e mudança

A robótica surge como outra frente de mudança no cultivo da beterraba-açucareira. O documento sobre a SugarBeet Expo 2026 aponta desafios ligados à viabilidade econômica, a doenças e pragas, como o complexo SBR/Stolbur e a cercosporiose, além do controle de plantas daninhas. A redução no número de produtos fitossanitários aprovados, o aumento do custo da mão de obra e a menor disponibilidade de trabalhadores pressionam os produtores, em especial na produção orgânica.

A fazenda experimental Kirschgartshausen, da Südzucker Landwirtschaft, ao norte de Mannheim, testa métodos alternativos de controle de plantas daninhas. Os ensaios incluem sistemas de capina entre linhas acoplados a tratores, capina mecânica convencional com pulverização em faixa, pulverização localizada, controle elétrico e robôs autônomos. Entre os sistemas avaliados aparecem Farmdroid, da Dinamarca, Farming Revolution, da Alemanha, e Naïo Technologies, da França.

Dois sistemas autônomos receberam testes intensivos nos últimos anos. O Farmdroid FD20 usa GPS e atua como sistema especializado para semeadura e capina da beterraba-açucareira. Ele precisa semear a área para posicionar as sementes com alta precisão. O farming GT, da Farming Revolution, usa câmeras e inteligência artificial para distinguir plantas daninhas da cultura. Ele opera em mais de cem culturas e permite a semeadura com equipamentos convencionais.

Os dois sistemas conseguem capinar dentro da linha e trabalhar perto da planta cultivada, com baixo dano. Há combinação de robôs de capina precisa com tecnologia de aplicação localizada. Nessa estratégia, defensivos ou nutrientes líquidos recebem aplicação direcionada. Em comparação com aplicações em área total, os volumes de insumos podem cair mais de noventa por cento.

Os ensaios em Kirschgartshausen exigiram desenho experimental maior do que parcelas convencionais. As parcelas mediram cinquenta metros de comprimento e doze linhas de largura. O arranjo seguiu delineamento em blocos casualizados, com quatro repetições. Cada parcela somou duzentos e setenta metros quadrados. As avaliações mediram infestação de plantas daninhas e densidade de plantas após cada tratamento.

A Südzucker Landwirtschaft acumula resultados de ensaios com robôs de campo desde 2020. Nos três últimos anos avaliados, os robôs reduziram plantas daninhas de forma significativa sob pressões distintas. A eficácia de controle variou de noventa por cento a quase noventa e oito por cento. Em dois dos três anos, os sistemas autônomos alcançaram resultados comparáveis a três aplicações herbicidas padrão em pós-emergência. Em 2025, sob alta pressão de plantas daninhas, os robôs não eliminaram todas as plantas das parcelas.

Os resultados de perdas de plantas também favoreceram os robôs. Eles operaram com maior cuidado do que o cultivo mecânico convencional com enxadas e grades, método associado a danos significativos nas plantas de beterraba-açucareira. No Farmdroid, as perdas não diferiram de forma significativa da testemunha sem tratamento em nenhum dos três anos. O farming GT apresentou desempenho semelhante, mas causou perdas maiores sob alta pressão de plantas daninhas em 2025. Mesmo assim, a densidade superior a noventa mil plantas por hectare obtida com o farming GT não deve prejudicar a produtividade, conforme o documento.

Os testes indicam potencial para reduzir horas de capina manual na produção orgânica. A adoção prática, porém, exige análise por propriedade. A capacidade operacional sofre limite da largura de trabalho e da velocidade. Os sistemas funcionam melhor em áreas grandes, planas e com poucas manobras. O uso em encostas laterais, áreas pedregosas ou superfícies com cobertura morta não recebe recomendação no material técnico.

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