Entregas de fertilizantes registram queda de 10,4% de janeiro a agosto
Cenário reflete as adversidades geopolíticas globais e as dificuldades dos produtores, como escassez de crédito e riscos climáticos
As condições climáticas têm dificultado o avanço do plantio da soja em Santa Catarina. Em 24 de outubro, 20,2% da área prevista para a safra 2026/27 havia sido semeada, ante 22,1% no mesmo período do ciclo anterior, uma diferença de quase 2%. O ritmo mais lento é observado em Canoinhas, Chapecó e Xanxerê, enquanto Curitibanos e Campos de Lages apresentam avanço em relação à safra passada, conforme dados da Epagri/Cepa.
Chuvas frequentes, excesso de umidade no solo e temperaturas mais baixas dificultaram a entrada das máquinas e o estabelecimento das lavouras. Em algumas áreas, houve relatos de falhas na emergência das plantas e necessidade de replantio. Em Chapecó e Xanxerê, o atraso na colheita do trigo também limitou a liberação de áreas destinadas à soja.
Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Henrique Oldoni, os dados mostram que o ritmo da semeadura depende da melhora das condições de campo. “Períodos mais secos e ensolarados podem permitir a entrada das máquinas e favorecer o desenvolvimento das lavouras, mas o avanço segue desigual entre as regiões.”
As informações do agro catarinense fornecidas pela Epagri/Cepa são atualizados semanalmente. Segundo Oldoni, a diferença no ritmo do plantio em relação à safra passada pode aumentar ou diminuir, conforme as condições climáticas. A expectativa é de redução do atraso, favorecida pelos baixos volumes de chuva registrados em algumas regiões do estado na última semana de outubro.
Em 24 de outubro, Canoinhas tinha 22% da área semeada, ante 32% na safra passada. Chapecó registrava 37%, contra 40%, e Xanxerê, 30%, frente a 35%. Já Curitibanos alcançava 20%, acima dos 16% do ciclo anterior. Em Campos de Lages, o plantio chegou a 8%, enquanto na safra passada ainda não havia começado.
Em Canoinhas, chuvas intensas e temperaturas mais baixas interromperam as operações. Os acumulados superaram 120 milímetros em alguns municípios, com relatos de falhas de germinação. Em Chapecó e Xanxerê, os 115 milímetros de chuva entre 18 e 24 de outubro dificultaram a entrada das máquinas. O avanço variava de 20% em Abelardo Luz e Planalto Alegre a 50% em Campo Erê.
Em Curitibanos, a chuva limitou os trabalhos na semana de 11 a 17 de outubro, mas uma trégua permitiu a retomada do plantio. Em Campos de Lages, a semeadura começou no mesmo período e prosseguiu na semana seguinte. Os relatos indicam que períodos mais secos e ensolarados são fundamentais para ampliar o avanço das operações.
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