RS Safra 2026/27: plantio de soja segue limitado pelas chuvas

Excesso de umidade dificulta a semeadura de culturas de verão e compromete a colheita e a qualidade dos grãos de inverno

15.10.2026 | 17:33 (UTC -3)
Adriane Bertoglio Rodrigues, edição Revista Cultivar
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A semeadura de soja da safra 2026/27 no Rio Grande do Sul segue limitada pelas chuvas frequentes, pela elevada umidade do solo e pelo acesso reduzido de máquinas. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado hoje (15/10) pela Emater/RS, as atividades se concentram nos locais com autorização para a semeadura antecipada ou que não estão sujeitos às restrições de financiamentos referentes às normas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). 

Na maior parte do estado, os produtores têm priorizado a dessecação de plantas de cobertura e a preparação das áreas, enquanto aguardam condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar a implantação das lavouras. Conforme a Emater/RS, essa cautela também está relacionada ao risco de necessidade de ressemeadura após as precipitações intensas, considerando os custos envolvidos no estabelecimento da cultura. 

Na Região de Santa Rosa, cerca de 6% da área projetada, de 786.234 hectares, foi semeada. Na região de Pelotas, as primeiras lavouras foram implantadas em Herval, Canguçu e Piratini. Já na região de Soledade, a semeadura avançou em ritmo reduzido. 

A Emater/RS estima o plantio de 6.645.384 hectares no estado e produtividade de 3.183 kg/ha.

Semeadura do milho chega a 76%

A Emater/RS destaca que a semeadura do milho alcançou 76% da área projetada para a safra no estado, que é de 896.401 hectares. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm restringido o acesso das máquinas e retardado o desenvolvimento inicial das lavouras. 

Além disso, a baixa disponibilidade de radiação solar limitou o crescimento das plantas, e os elevados volumes de precipitação podem favorecer a lixiviação de nutrientes. Temporais com granizo e ventos fortes também provocaram danos em lavouras estabelecidas, comprometendo o estande no noroeste do Rio Grande do Sul. Ainda assim, parte das lavouras apresenta recuperação satisfatória após os danos iniciais. 

No milho silagem, a semeadura evoluiu apenas 3% nos últimos dias, alcançando 53% da área prevista para o estado, que é de 369.389 hectares. As condições climáticas também afetaram a cultura. Nas lavouras estabelecidas, predominam os estágios vegetativos, que correspondem a 99% da área implantada, e menos de 1% iniciou a floração. A produtividade média do milho silagem está estimada em 38.392 kg/ha. 

Excesso de chuva afeta arroz

A semeadura de arroz irrigado segue com ritmo distintos entre as regiões produtoras, sendo mais expressiva na fronteira oeste e no sul. Na região central e no litoral, as chuvas volumosas das últimas semanas restringiram o preparo do solo e a implantação das lavouras. 

Conforme o informativo, aproximadamente um terço da área fio semeada no estado. O excesso hídrico dificultou as operações e provocou alagamentos, danos em taipas e problemas no estabelecimento inicial dos talhões já semeados. Em áreas de várzea próximas a cursos d’água, as inundações elevam a preocupação com a continuidade do plantio e com a manutenção da área cultivada prevista para a safra. 

A área projetada de cultivo pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) para a Safra 2026/2027 alcança 861.779 hectares, e a produtividade inicial estimada pela Emater/RS é de 8.741 kg/ha.

Umidade e condições de acesso dificultam o avanço do feijão

A semeadura de feijão da 1ª safra avançou pouco, condicionada pela elevada umidade do solo e pelas condições de acesso às áreas. Estima-se que aproximados 20% da área prevista, que é de 24.587 hectares, foram semeados. 

O estabelecimento da cultura ocorre de forma satisfatória, mas há registro de redução das áreas comerciais em algumas regiões. Nas lavouras mais precoces, estão em andamento as operações de adubação em cobertura.

Chuvas prejudicam colheita das culturas de inverno

A colheita do trigo avançou para 9% da área cultivada no Rio Grande do Sul, mas segue irregular devido às chuvas. A dessecação tem sido utilizada para uniformizar a maturação e antecipar a retirada das lavouras, embora a maior umidade dos grãos eleve os custos de secagem. As estimativas regionais indicam redução de produtividade em diversas áreas, enquanto lavouras menos afetadas por eventos climáticos mantêm potencial satisfatório.

O excesso de umidade e a baixa radiação solar prejudicam o enchimento dos grãos e podem comprometer o peso hectolítrico (PH) e outros parâmetros comerciais. Na região de Santa Rosa, 53% das lavouras estão maduras e 13% foram colhidas. Temporais com granizo e ventos fortes provocaram acamamento, quebra de espigas e debulha. Produtores acionaram o Proagro e seguros privados, e as vistorias para avaliação dos danos seguem em andamento.

A aveia-branca também se aproxima do fim do ciclo, com 30% da área em enchimento de grãos, 48% em maturação e 22% colhidos. Os resultados variam entre as regiões, com registros de acamamento, debulha e perdas de produtividade. Em algumas áreas, a baixa qualidade dos grãos tem limitado a comercialização para a indústria, levando à destinação para alimentação animal. A área cultivada está estimada em 387.697 hectares, com produtividade média de 2.322 kg/ha.

Na canola, o excesso de chuvas durante a maturação e a colheita aumenta os riscos de germinação dos grãos ainda nas síliquas e os custos de secagem. Enquanto algumas lavouras mantêm rendimentos próximos das expectativas iniciais, outras podem apresentar produtividade insuficiente para cobrir os custos de colheita. A área cultivada está estimada em 353.397 hectares, com produtividade média de 1.619 kg/ha.

A carinata está em enchimento de grãos e maturação, com colheita realizada em aproximadamente 5% da área. Temporais provocaram acamamento e queda de síliquas, comprometendo o rendimento, especialmente nas regiões mais atingidas. A área cultivada é estimada em 12.365 hectares.

Já a cevada apresenta 40% da área em enchimento de grãos e 22% em maturação, enquanto a colheita abrange menos de 2%. As chuvas frequentes elevam o risco de comprometimento da qualidade industrial, sobretudo da capacidade germinativa exigida pela indústria cervejeira. A área cultivada está estimada em 20.320 hectares, com produtividade média de 3.020 kg/ha.

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