RS Safra 2025/26: clima seco favorece colheitas

Soja chega a 85% da área colhida e milho alcança 93% no estado

07.05.2026 | 17:32 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Adriane Rodrigues
Foto: Vanessa Almeida de Moraes
Foto: Vanessa Almeida de Moraes

A colheita da soja no Rio Grande do Sul avançou para 85% da área cultivada na safra 2025/2026, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (7/5) pela Emater/RS. O levantamento aponta aceleração nos trabalhos de campo favorecida pelo tempo seco e pela baixa umidade relativa do ar, condições que ampliaram a capacidade operacional das máquinas e permitiram até a extensão das jornadas de trabalho.

A oleaginosa ocupa 6,62 milhões de hectares no estado. Ainda restam áreas tardias e cultivos de safrinha em maturação, que representam 14% das lavouras, além de 1% em fase final de enchimento de grãos. A produtividade média estadual está estimada em 2.871 quilos por hectare.

De acordo com a Emater/RS, a safra segue marcada pela forte variabilidade produtiva entre regiões e até mesmo entre propriedades vizinhas. O comportamento é reflexo da irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, alternando períodos de estiagem em fases críticas com precipitações favoráveis ao enchimento de grãos nas áreas semeadas mais tarde.

Milho

No milho, a colheita alcançou 93% dos 803 mil hectares cultivados no estado. O avanço mais lento está relacionado principalmente às áreas de safrinha, ainda em enchimento de grãos e maturação fisiológica. A priorização de culturas mais sensíveis às precipitações também reduziu o ritmo das operações.

Segundo a entidade, permanecem no campo principalmente áreas conduzidas em menor escala, com colheita manual ou mecanização de baixa capacidade. Mesmo assim, as lavouras de safrinha apresentam boas condições fitossanitárias. A produtividade média projetada é de 7.424 quilos por hectare.

Milho silagem

A colheita de milho para silagem atingiu 92% dos 345,2 mil hectares cultivados no Rio Grande do Sul. O avanço ocorre de forma gradual devido ao escalonamento das semeaduras e às chuvas recorrentes, que ainda provocam interrupções pontuais nas operações de corte, transporte e compactação da forragem.

As áreas remanescentes apresentam bom desenvolvimento vegetativo, formação adequada de espigas e elevado acúmulo de biomassa. Apesar de perdas localizadas causadas por restrições hídricas em fases críticas, a produtividade segue considerada satisfatória pela assistência técnica, com média estimada em 37.840 quilos por hectare.

Feijão

No feijão, a primeira safra já foi totalmente colhida, enquanto a segunda safra avança para maturação fisiológica. A área colhida supera 20%, mas o ritmo das operações ainda é limitado pela umidade dos grãos e pela predominância de lavouras em enchimento. A área cultivada está estimada em 11,69 mil hectares, com produtividade média de 1.401 quilos por hectare.

Arroz

A colheita do arroz também entra na reta final no estado e alcança 96% dos 891,9 mil hectares semeados, conforme projeção do Instituto Riograndense do Arroz. O desempenho produtivo é considerado elevado, favorecido pelas condições climáticas ao longo do ciclo.

A Emater/RS destaca que a qualidade industrial do cereal apresenta resultados superiores aos da safra passada, com elevados rendimentos de grãos inteiros e baixa incidência de defeitos. A produtividade média projetada é de 8.744 quilos por hectare.

Frutas

Entre as frutas, o morango segue em plena produção nas principais regiões produtoras do estado. Dias ensolarados favoreceram a sanidade das plantas, e as baixas temperaturas registradas no fim de abril não comprometeram florescimento, pegamento ou maturação dos frutos.

Na região de Caxias do Sul, a produção atual é proveniente principalmente de lavouras de um ano, enquanto começam a ser colhidos os primeiros frutos de mudas implantadas em fevereiro e março, importadas da Espanha. Em Pelotas, produtores estão implantando novas mudas e reformando estruturas de cultivo protegido.

A cultura também avança em Santa Maria e Santa Rosa, com transplantio de mudas oriundas do Chile, da Patagônia Argentina e da Espanha. Já em Soledade, chuvas e elevada nebulosidade prejudicaram o desenvolvimento inicial das plantas recém-transplantadas.

No caqui, a colheita está em fase final na região de Caxias do Sul, com boa produtividade e qualidade dos frutos. Geadas registradas no fim de abril causaram danos pontuais em áreas mais frias, mas sem impactos expressivos relacionados à antracnose. Em Soledade, também se aproxima o encerramento da colheita da cultivar Fuyu.

Em Pelotas, produtores de pêssego e ameixa concentram atividades no preparo de novas áreas para plantio, incluindo correção de solo e implantação de cobertura vegetal. Viveiristas relatam alta demanda por mudas das cultivares Jaspe e Eldorado.

Na viticultura, produtores da região de Erechim realizam manejo de cobertura do solo, controle de cochonilhas e limpeza de ramos afetados por doenças fúngicas.

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