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Culturas usadas na rotação da soja mantêm vivas por até 70 dias as bactérias causadoras da pústula bacteriana e da mancha bacteriana marrom. O efeito ocorre em folhas e raízes. Gramíneas e algumas dicotiledôneas funcionam como nichos ecológicos. O achado amplia o risco de inóculo residual entre safras.
O resultado vem de experimento de campo que avaliou a sobrevivência de Xanthomonas citri pv. glycines e Curtobacterium flaccumfaciens pv flaccumfaciens. O trabalho mediu período de persistência e área sob a curva populacional em onze espécies usadas na rotação da soja, em duas épocas agrícolas distintas.
Na filosfera, Xanthomonas persistiu até 70 dias em azevém e sorgo nas duas safras. Trigo, aveia-preta e aveia-branca também sustentaram longos períodos, com áreas sob a curva elevadas. Nabo forrageiro apresentou os menores valores. A soja manteve a bactéria por até 28 dias, com menor intensidade populacional.
Na rizosfera, Xanthomonas alcançou 70 dias em azevém, triticale, trigo e aveia-branca em pelo menos um experimento. O solo sem plantas reduziu a sobrevivência para no máximo 14 dias, o menor desempenho entre os tratamentos.
Para Curtobacterium, a persistência foi ainda mais ampla. Na filosfera, azevém, triticale, trigo, aveia-branca, aveia-preta e sorgo sustentaram a bactéria por 70 dias. Crotalária alcançou 70 dias em uma das safras. Girassol e milho exibiram redução na segunda safra. Na rizosfera, praticamente todas as gramíneas atingiram o limite máximo de avaliação. O nabo manteve os menores períodos.
A análise multivariada associou maior sobrevivência a precipitação e temperatura. O efeito foi mais forte na rizosfera. As gramíneas se agruparam com maiores períodos finais e maiores áreas sob a curva. Soja, milho e nabo se afastaram desses vetores.
O estudo aponta que a identidade da cultura pesa mais que o nicho avaliado. Folhas e raízes sustentaram padrões semelhantes dentro de cada espécie. As Poaceae destacaram-se de forma consistente. A explicação envolve características estruturais e exsudatos radiculares que favorecem a retenção e a atividade microbiana.
A conclusão prática é direta. A rotação com aveia-branca, aveia-preta, azevém, crotalária, milho, sorgo, trigo, triticale e girassol não é recomendada em áreas com histórico de pústula bacteriana e mancha bacteriana marrom. Essas espécies mantêm o inóculo ativo entre safras e elevam o risco na soja subsequente.
Os autores destacam que a gestão integrada depende da escolha de culturas que não favoreçam a sobrevivência dos patógenos. A eliminação de hospedeiros alternativos reduz a pressão de inóculo no sistema. A evidência foi gerada em condições naturais, com confirmação fenotípica e molecular das bactérias recuperadas.
O estudo foi conduzido por Luana Laurindo de Melo, Daniele Maria do Nascimento, Marcos Giovane Pedroza de Abreu, José Marcelo Soman e Tadeu Antônio Fernandes da Silva Júnior.
Outras informações em doi.org/10.1007/s40858-025-00787-0
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