Riscos externos elevam volatilidade para commodities agrícolas

Rabobank aponta alta do petróleo, incerteza cambial e desaceleração da economia brasileira em 2026

25.08.2026 | 17:57 (UTC -3)
Revista Cultivar

O aumento dos riscos externos voltou ao centro do cenário econômico e ampliou a volatilidade dos mercados de commodities. O RaboResearch, do Rabobank, destaca a tensão entre Estados Unidos e Irã, a alta do petróleo e as incertezas sobre juros internacionais. No Brasil, a desaceleração da atividade e a perspectiva de menor diferencial de juros também entram no radar. O banco projeta dólar a R$ 5,35 no fim de 2026.

O relatório semanal, divulgado hoje, cita uma nova ofensiva de “guerra econômica” dos Estados Unidos contra o Irã. O governo norte-americano sinalizou represálias a países e empresas com relações comerciais com Teerã. O documento avalia um ambiente externo marcado por incerteza geopolítica e comercial.

O petróleo Brent ganhou 6,1 por cento na semana encerrada em 21 de agosto e chegou a US$ 93,92 por barril. O RaboResearch considera a manutenção do Brent acima de US$ 90 por barril um fator adicional de incerteza para a convergência da inflação. O cenário também inclui incerteza tarifária no comércio global e maior probabilidade de El Niño no fim de 2026.

Commodities agrícolas

As commodities agrícolas apresentaram desempenho positivo em sua maioria. A soja avançou 4 por cento na semana. O milho subiu 5,2 por cento. O trigo ganhou 1,5 por cento. O café registrou alta de 2,7 por cento. O açúcar avançou 6,1 por cento. O algodão subiu 4,2 por cento e o suco de laranja também ganhou 4,2 por cento. O boi gordo recuou 0,4 por cento.

Na comparação anual, a soja acumulava alta de 15 por cento em 21 de agosto. O milho registrava avanço de 12 por cento e o trigo, de 17 por cento. O café apresentava ganho de 3 por cento. O açúcar acumulava alta de 4 por cento. O algodão registrava avanço de 28 por cento. O suco de laranja apresentava queda de 34 por cento. O boi gordo recuava 3 por cento.

O índice composto pelo Rabobank para produtos exportados pelo Brasil subiu 2,2 por cento na semana. O indicador apresentava avanço de 2 por cento no trimestre e de 3 por cento em 12 meses. O índice agrícola agregado avançou 4,3 por cento na semana, 11 por cento no trimestre e 12 por cento em um ano.

O câmbio também ganhou importância no cenário. O dólar encerrou 21 de agosto a R$ 5,1396. O real acumulou apreciação próxima de 1,6 por cento frente à moeda norte-americana na semana. O Rabobank projeta R$ 5,35 por dólar no encerramento de 2026 e R$ 5,30 no fim de 2027.

A projeção considera redução do diferencial entre juros brasileiros e externos ao longo de 2026. O banco também trabalha com eventual recuperação global do dólar. Entre os riscos externos, o documento cita menor espaço para cortes de juros nos Estados Unidos, dúvidas sobre a desaceleração das economias norte-americana e chinesa, tensões geopolíticas e possível alta dos juros no Japão. No ambiente doméstico, o relatório destaca dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal.

Atividade econômica

A atividade econômica brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, IBC-Br, recuou 0,64 por cento em junho frente a maio. Na comparação anual, o indicador avançou 2,4 por cento. O resultado deixou carregamento estatístico negativo de 0,4 por cento para o terceiro trimestre.

A agropecuária apresentou desempenho distinto dos demais setores em junho. A atividade do setor avançou 1 por cento frente ao mês anterior e 0,3 por cento na comparação anual. A indústria recuou 1,4 por cento no mês. Os serviços caíram 0,5 por cento. O carregamento estatístico da agropecuária para 2026 alcançou 2,9 por cento, segundo o relatório.

O Rabobank mantém projeção de crescimento de 1,8 por cento para o Produto Interno Bruto brasileiro em 2026. Para 2027, a instituição projeta expansão de 2,2 por cento. O banco avalia perda gradual de ritmo da economia ao longo do primeiro semestre, com perspectiva mais moderada para a segunda metade do ano.

A política monetária restritiva permanece como um dos fatores de contenção da atividade. O Rabobank projeta taxa Selic de 14 por cento ao ano no fim de 2026 e de 12,5 por cento ao ano em 2027. Para a inflação medida pelo IPCA, a projeção chega a 5,1 por cento em 2026 e a 4,1 por cento em 2027.

O cenário combina, portanto, valorização recente de várias commodities agrícolas com riscos provenientes do petróleo, do câmbio, dos juros internacionais e da atividade doméstica.

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