Produção de trigo em SC tem redução estimada em 28%

Redução é resultado do excesso de chuvas em outubro; o produto colhido também terá a qualidade comprometida, impactando na remuneração ao agricultor

20.11.2023 | 12:43 (UTC -3)
Isabela Schwengber
Foto: divulgação
Foto: divulgação

O trigo em Santa Catarina está em fase final de colheita e deve ter redução de 28% na produção devido ao excesso de chuvas em outubro. O produto colhido também terá a qualidade comprometida, o que vai impactar na remuneração do produtor. Essas informações estão no Boletim Agropecuário de novembro, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) que reúne informações conjunturais sobre alguns dos principais produtos agropecuários de Santa Catarina. 

Arroz

A produção estimada para a safra 23/24 de arroz em Santa Catarina é de 1,245 milhão de toneladas em casca, a ser absorvido pela indústria. A demanda desse setor gira em torno de 1,5 milhão de toneladas, em sua maior parte suprida pela produção do Estado e o restante pelos países do Mercosul (Uruguai e Paraguai) e pelo Rio Grande do Sul. 

Em função das chuvas das últimas semanas, algumas áreas deverão ser replantadas, especialmente no Alto Vale do Itajaí. Nas demais regiões do Estado, os prejuízos ainda são pontuais e as lavouras tendem a se recuperar até o final do ciclo. No entanto, destacam-se relatos de dificuldade de execução de tratamentos fitossanitários em função das chuvas, o que tende a resultar em problemas no decorrer da safra, bem como em dificuldades de desenvolvimento e estabelecimento da cultura por falta de luminosidade e ausência de dias ensolarados.

Feijão

No mês de outubro, o preço médio mensal recebido pelos produtores catarinenses de feijão-carioca fechou em R$151,78 a saca de 60kg, redução de 0,25% em relação ao do mês anterior. Para o feijão-preto, o preço médio permaneceu estável, fechando a média mensal em R$215,66/sc de 60kg. Na comparação com outubro do ano passado, o preço médio da saca, em termos nominais, está 38,95% mais baixo. Para o feijão-preto, registou-se um incremento de 19,35% na variação anual.

Nessa safra, o clima será o fator fundamental para a formação de preços. Com uma safra incerta no Sul do País, produtores e compradores têm dificuldade para determinar preços. Outro aspecto importante está relacionado à qualidade do produto colhido, que devido excesso de umidade, está suscetível ao aparecimento de doenças. Os produtores, contudo, estão tendo dificuldades em realizar os controles fitossanitários por causa do excesso de chuvas e da umidade no solo, o que dificulta a entrada nas lavouras.

Milho

Os fatores que ainda influenciam no mercado do milho neste final de ano são os recordes de produção na safra 22/23, que disponibiliza estoques satisfatórios para as agroindústrias. No entanto, o volume das exportações no ano se aproxima de 43 milhões de toneladas (acumulado até out/2023), fato que pode favorecer a recuperação dos preços.

Os primeiros números mostraram uma redução de 4,1% na área cultivada na primeira safra de 23/24. A atualização da previsão no início de novembro para a safra 23-24 faz uma revisão da produtividade de 8,83t/ha para 8,41t/ha. As condições climáticas do início da safra reduzem o prognóstico do rendimento inicial, pois o excesso de chuvas que inundaram as lavouras já em desenvolvimento atrasaram o plantio e estão dificultando os tratos culturais. Outro fator que reduz o potencial produtivo são os dias nublados que impedem a fotossíntese.

Soja

O total de soja produzida em Santa Catarina vem apresentando um crescimento contínuo na última década. A estimativa inicial para a safra 23/24 confirma o fenômeno do crescimento, agora 1,7% maior que o da safra anterior na área a ser plantada. A produção total prevista é de 2,89 milhões de toneladas (MT) na primeira safra. No atual relatório, foi reduzida a produção total do Estado para 2,73 MT, em função das chuvas intensas e do atraso no plantio, que deve impactar a produtividade e a produção total. 

Quanto à área, foi realizado ajuste em regiões específicas. A Epagri/Cepa está mapeando a área de soja no Estado por sensoriamento remoto/imagens de satélite. Este mapeamento forneceu os elementos para os ajustes na área de cultivo atual. Desta maneira, os números estarão mais próximos da realidade de campo. No próximo relatório a produtividade e produção serão atualizadas (conforme levantamento de campo) e  novas reduções da produção nas regiões podem ser registradas.

O analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri /Cepa Haroldo Elias fala das expectativas da safra 2023/2024 de grãos em Santa Catarina no Pense Agro, podcast do Observatório Agro Catarinense. Ouça aqui.

Cebola

Após a ocorrência das chuvas de outubro, a produtividade média esperada para a cebola passou de 30.039kg/ha para 22.513kg/ha, redução de 25,05%. A colheita das variedades superprecoces já se iniciou nas regiões de menor altitude do Alto Vale do Itajaí. De acordo com o levantamento do Projeto Safras da Epagri/Cepa, 3,7% da área plantada no Estado já foi colhida, especialmente em Tijucas e Serra do Tabuleiro.

O analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri /Cepa Jurandi Gugel fala das expectativas da safra 2023/2024 de cebola em Santa Catarina no podcast Pense Agro. Ouça aqui.

Alho

A safra catarinense 23/24 se encontra em fase final de desenvolvimento vegetativo. Aproximadamente 60% está em maturação e 40%, na fase final da bulbificação. Após a ocorrência das fortes chuvas nos últimos 30 dias, a Epagri realizou o levantamento de perdas na cultura e concluiu ter sido fortemente afetada pelos eventos climáticos: 25% das lavouras foram consideradas ruins e 30%, médias. As perdas de produção e qualidade da safra são significativas: de 25% a 30% devem se consolidar em Santa Catarina em relação à estimativa do mês setembro.

Na safra atual, a área plantada é de 995 ha, redução de 58,64% em relação aos últimos seis anos. A produção inicialmente esperada era de 10.797 toneladas e a produtividade, de 10.821kg/ha. A ocorrência das fortes chuvas provocadas pelo fenômeno El Niño reduziu as expectativas de produção para 8.031 toneladas, com uma produtividade de 8.071kg/ha.

Maçã

Em outubro, a expectativa da safra 23/24 de maçã em relação à anterior é de redução de 10,3% na produção. Na microrregião dos Campos de Lages, mesmo com novas áreas, espera-se uma redução de 13,6% na produção devido aos efeitos adversos dos eventos climáticos e meteorológicos de outubro de 2023.  Até a 44ª semana de 2023 cerca de 54,1% das áreas estaduais em produção na região estavam em floração e 23,2%, em frutificação.

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