Produção de soja deve cair na safra 26/27 em MT

De acordo com o Imea, cenário de custos e clima pressiona; milho cresce e algodão encolhe

05.05.2026 | 16:34 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou, nesta semana, novas estimativas para as principais culturas do estado, indicando recuo na oferta de soja e ajustes nos cenários de milho e algodão para as próximas safras.

Para a soja, a oferta da safra 2026/27 foi estimada em 49,53 milhões de toneladas, queda de 4,47% frente ao ciclo anterior. O recuo está associado à menor produção projetada, reflexo de incertezas quanto ao nível de investimentos. Ainda assim, o volume previsto figura como o terceiro maior da série histórica do instituto.

A demanda total foi projetada em 49,39 milhões de toneladas (-3,54%), com 30,51 milhões destinadas à exportação (-4,98%). O estoque final deve cair para 140 mil toneladas, retração de 78,46%.

A primeira projeção de safra indica área de 13,04 milhões de hectares (+0,25%), com crescimento limitado por margens pressionadas, custos elevados e crédito mais restrito. A produtividade foi estimada em 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43%, diante de incertezas climáticas e fitossanitárias. A possibilidade de ocorrência de El Niño, com probabilidade próxima de 80% no início do ciclo, pode intensificar a irregularidade das chuvas no estado. Com isso, a produção foi projetada em 48,88 milhões de toneladas (-5,19%).

No mercado, a cautela com a oferta global deu suporte aos preços. O farelo de soja subiu 1,85% em Chicago, enquanto a oleaginosa em Mato Grosso avançou 1,39% na semana, para R$ 103,68 por saca. O indicador Cepea também registrou alta de 1,20%.

Projeção para milho cresce

Para o milho, o Imea projetou exportações de 25 milhões de toneladas na safra 2024/25, alta de 5,04% sobre o ciclo anterior, apesar de revisão negativa de 3,85% ante o relatório anterior, devido ao ritmo mais lento de embarques. Até o momento, 23,86 milhões de toneladas já foram exportadas. Fatores como a queda do dólar, preços menores e questões externas influenciaram o desempenho.

Na safra 2025/26, as exportações devem atingir 25,90 milhões de toneladas (+3,60%). O consumo interno segue em expansão, impulsionado pela produção de etanol de milho e pela indústria de ração, estimado em 18,91 milhões de toneladas na safra 2024/25 (+15,93%) e 20,72 milhões na 2025/26 (+9,54%).

A área de milho foi mantida em 7,39 milhões de hectares para 2025/26 (+1,83%), enquanto a produtividade subiu 1,81% frente ao mês anterior, para 118,71 sacas por hectare, favorecida pelas boas condições climáticas recentes. Com isso, a produção foi estimada em 52,65 milhões de toneladas. Ainda assim, regiões como o Sudeste do estado demandam mais chuvas, com risco de restrição hídrica nas próximas semanas.

No mercado internacional, o milho apresentou valorização, com o contrato na CME subindo 2,25%, para US$ 4,64 por bushel. A paridade de exportação também avançou 2,46%, acompanhando a recuperação do dólar.

Oferta de pluma cai, e demanda por algodão sobe

Para o algodão, a oferta de pluma na safra 2025/26 foi estimada em 3,45 milhões de toneladas (-3,92%), puxada pela queda de 15,91% na produção, projetada em 2,52 milhões de toneladas. A demanda, por outro lado, deve crescer 1,02%, para 2,69 milhões de toneladas, com exportações previstas em 2,04 milhões.

Os estoques finais foram estimados em 762,92 mil toneladas (-18,07%), sendo que a maior parte já está comercializada, mas com escoamento previsto apenas para o próximo ciclo.

A área de algodão foi projetada em 1,38 milhão de hectares, redução de 11,11% frente à safra anterior, refletindo margens mais apertadas e custos elevados. Em contrapartida, a produtividade foi revisada para cima, alcançando 297,69 arrobas por hectare (+2,34%), favorecida por condições climáticas mais positivas. A produção de algodão em caroço foi estimada em 6,14 milhões de toneladas, queda de 16,04%.

No mercado, os preços também reagiram: o contrato do algodão na ICE avançou 0,62%, enquanto o indicador Cepea da pluma subiu 1,41% e o caroço de algodão teve alta de 1,26% em Mato Grosso.

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